10/01/2026 | Press release | Distributed by Public on 10/01/2026 06:09
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), divulga a publicação do Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027. O documento apresenta o monitoramento das condições associadas ao fenômeno, as previsões climáticas e os possíveis impactos no Brasil.
De acordo com o Boletim, há 95% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro, entre a primavera e o verão. O fenômeno também deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Caso esse cenário se confirme, o evento poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950.
O cenário previsto para o próximo trimestre aponta para condições de chuva acima da média no Sul do Brasil, com possibilidade de cheias, enquanto o centro-norte do país deve apresentar condições mais secas e maior risco de fogo. As temperaturas também devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional. O documento ressalta que essas projeções representam tendências sazonais e que os impactos podem variar conforme a evolução das condições meteorológicas em cada região.
As condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026, e o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial vem apresentando aumento contínuo. No final de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram 2 °C nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial, segundo dados da agência norte-americana CPC/NOAA.
No Norte e no Nordeste, o cenário de menor ocorrência de chuvas e temperaturas elevadas pode contribuir para o agravamento das condições de seca e para o aumento do risco de fogo. Dados parciais de setembro do CEMADEN indicam aumento no número de municípios em situação de seca extrema e severa, com destaque para estados como Amazonas, Roraima e Acre. Em Roraima, os níveis dos rios Branco e Negro permanecem baixos, com previsão de chuvas abaixo da média.
No Sul, por outro lado, a previsão de chuvas acima da média mantém o risco de cheias. Em setembro, chuvas volumosas elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de municípios de Santa Catarina. Para o trimestre outubro-novembro-dezembro, a previsão indica chuvas acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. O risco de cheias continua no Sul, mas deve diminuir até dezembro.
As informações apresentadas no Boletim nº 4 também consideram as previsões climáticas trimestrais elaboradas pelo INPE. Para consultar a previsão mais recente para os próximos três meses, acesse a notas técnica da Previsão Climática Trimestral do CPTEC/INPE.
Sobre o Painel El Niño
O Painel El Niño 2026-2027 reúne informações produzidas por instituições federais para o acompanhamento contínuo do fenômeno e de seus possíveis impactos no Brasil. A iniciativa busca integrar dados de monitoramento, previsões e análises técnicas para subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos.
As instituições participantes recomendam o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, bem como das previsões, avisos e alertas emitidos pelos órgãos oficiais. O monitoramento das condições associadas ao El Niño continuará sendo realizado, com atualizações periódicas das informações técnicas e das previsões.