08/08/2026 | Press release | Distributed by Public on 08/08/2026 06:24
Começo por agradecer o convite para presidir à cerimónia de abertura das Festas do Povo de Campo Maior.
É com enorme prazer que aqui estou. E confesso-vos: estou deslumbrado com o resultado do vosso empenho, com o vosso talento, com a dedicação de todas as pessoas desta terra.
Na verdade, percebe-se, de forma muito evidente, o motivo por que as Festas atraem milhares de visitantes e obtêm um enorme alcance em todo o país e fora de Portugal.
São belas. Mas, no meu entender, vão muito para além da beleza.
As Festas do Povo mostram ao país e ao mundo que, quando uma comunidade se une em torno de um sonho comum, é capaz de alcançar resultados extraordinários.
O papel que se dobra e cumpre o milagre das rosas. A beleza de um gesto que é, antes de mais, solidário.
A Casa das Flores, que durante meses guarda o segredo de uma rua e que agora se revela em todo o seu esplendor.
A arte de contar uma história com cores e com formas, transmitida de geração em geração. Como aqui se diz, e diz-se bem: as mãos que fazem tradição.
A emanação de uma vontade que se manifesta na centena de ruas que convergem todas para a identidade de um povo.
Ou, como está escrito no vosso jardim: há um sítio no mundo onde as flores nascem quando o povo quer.
Por tudo isto, não foi preciso esperar pelo reconhecimento da UNESCO em 2021. Porque desde a sua origem, há mais de um século, estas são as Festas do Povo e da Humanidade.
São festas das pessoas. Da sua vontade. Da sua criatividade, da sua imaginação, do seu empenho. E dos laços que unem uma comunidade, geração após geração. Do que de melhor tem a humanidade. Do melhor que temos dentro de nós.
Pessoas que, unidas, fazem acontecer. Fazem nascer um jardim de flores.
Pessoas que se complementam no dia a dia e nos serões. Porque estas Festas fazem-se de muitas noites de trabalho partilhado, de conversa, de convívio.
O que aqui se constrói não são apenas ruas enfeitadas. É tecido comunitário. São laços sociais, em sociedades deslaçadas. São pessoas que, em vez de se fecharem no seu mundo, escolhem abrir-se ao mundo dos outros. Um exemplo de humanismo e de empatia.
Pessoas inesquecíveis, como o Comendador Rui Nabeiro que, entre tantos outros gestos de generosidade, foi um dos grandes impulsionadores desta manifestação coletiva. A sua memória está, também ela, nestas ruas.
E pessoas que regressam à sua terra e que não esperaram 11 anos para voltar a ver as Festas do Povo. Porque, para onde quer que vão, levam consigo uma imagem tão imaterial quanto eterna das Festas do Povo de Campo Maior.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Vivemos um tempo em que quase tudo é imediato, descartável e feito para durar pouco. Um tempo em que se compra o que antes se fazia e em que a pressa substituiu a paciência.
Campo Maior faz exatamente o contrário.
Aqui, durante meses, milhares de mãos dobram papel, sem pressa, sem pagamento, sem outra recompensa que não seja o orgulho de ver a sua rua florir. Aqui, o valor não está apenas no produto final. Está igualmente no tempo que as pessoas escolheram passar juntas para dar corpo a um projeto coletivo.
É aqui que reside a força de Campo Maior: nas pessoas.
É por isso que estas Festas são património da Humanidade. Pela beleza, que é imensa, mas, igualmente por algo que o mundo está a esquecer: que as comunidades se constroem com tempo, com paciência e com trabalho partilhado. Vivemos tempos em que tantas vezes se fala do que nos divide. Campo Maior recorda-nos que há sempre muito mais que nos une.
Dirijo palavras de profundo agradecimento a todos os que, durante meses, dedicaram o seu tempo, o seu talento e o seu coração para tornar possível esta maravilha. O vosso trabalho é invisível durante meses, mas torna-se inesquecível quando as ruas florescem e recebem milhares de visitantes.
Portugal precisa deste espírito. Portugal precisa de comunidades que acreditam em si próprias, que trabalham juntas e que mostram que a cooperação e a entreajuda é sempre mais forte que os egoísmos e os divisionismos.
Campo Maior demonstra que a identidade de um povo é energia suficiente para um resultado tão meticuloso como grandioso.
Até ao dia 16, todos poderemos contemplar esse feito.
Obrigado por o partilharem com Portugal.
Desejo que estas flores continuem a abrir caminhos de esperança; que estas ruas continuem a ser lugar de encontro entre gerações; e que Campo Maior continue a ensinar a Portugal a lição mais simples e mais difícil de todas: quando um povo se une, nada é impossível.
Parabéns, Campo Maior.
Obrigado pelo vosso exemplo.