Presidency of the Portuguese Republic

06/30/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/30/2026 14:25

Intervenção na cerimónia de entrega da Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos a Eduardo Souto Moura

Mais do que alegria e orgulho. Como Presidente da República de Portugal sinto mais do que alegria e orgulho - porque estamos a festejar um dos nossos maiores, uma figura decisiva da nossa cultura contemporânea, um sábio enternecedor, um mestre da arquitetura de hoje, um artista, um homem que abre janelas no meio das muralhas.

No momento em que nos interrogamos sobre o sentido da humanidade no meio de guerras devastadoras, ou de uma crise do relacionamento entre culturas e povos, evoco Eduardo Souto Moura e uma das suas definições sobre o trabalho da arquitetura: a resposta a um problema, ou aos vários problemas do humano.

Provavelmente, quase todas as formas de conhecimento têm a ver com essa pergunta: como responder aos problemas do humano? É comovente verificar como Souto Moura resolve desse modo parte das nossas dúvidas sobre a definição do seu próprio trabalho, que é o desenhar a ocupação do espaço a partir de um número limitado, mas variável de elementos.

À pergunta sobre qual a ocupação mais apaixonante que há no mundo, ele responde de uma forma simples: saber como habitar a terra. Esse é o grande segredo e, ao mesmo tempo, a grande urgência do nosso tempo. Como ocupar o espaço, como dar-lhe uma dimensão humana a partir da história da arte, a partir dos materiais mais elementares e do seu equilíbrio matemático. Como preparar o espaço, o território, o chão das cidades, para a comunidade das mulheres e homens de hoje.

Diz-nos Eduardo Souto Moura que nada há de mais humano do que a arquitetura, talvez porque ela convoque o nosso conhecimento e as nossas interrogações acerca da cidadania e economia, do ambiente e mobilidade humana, mas também da sociologia, justiça e igualdade - e também acerca do repouso, do risco, da beleza, da música dos Elementos.

Hoje falamos muito da crise das humanidades como campo do saber e do conhecimento. Talvez a arquitetura tenha a ver com esse campo, o das humanidades, estabelecendo pontes e teias com as ciências através de uma arte que só é arte depois de não poder ser outra coisa.

A arquitetura é a coisa mais irremediável que temos, além da própria vida. Isto faz dela uma espécie de segundo idioma da Natureza transformado e manipulado pelo génio e pelo sentido do humano e da sua carga de imprevisível, de surpresa e de adaptação às nossas necessidades.

Esse trabalho acompanha a obra de Eduardo Souto Moura há muito e todos conhecem os exemplos desse génio e dessa interpretação do humano. Não vos estendo aqui esse catálogo. Ele é suficientemente conhecido por todos vós. Sou apenas um amante de arquitetura que teve a sorte e a honra de estar próximo da beleza dos seus projetos, o que faz de mim uma pessoa muito mais feliz por poder agradecer-lho aqui, hoje, entre os seus pares. Agradecer-lhe em meu nome e em nome de Portugal.

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