O líder do PS acusou este domingo o primeiro-ministro de ter feito um discurso de rentrée de "autojustificação e censura" aos jornalistas, considerando que o "rei vai mesmo nu" e que o Governo não tem sabido reagir às crises."Luís Montenegro optou na sexta-feira por um discurso de autojustificação e de censura àqueles que realizam o escrutínio do seu Governo. Aos jornalistas, eu quero dizer-lhes e lembrar que não é a primeira vez, porque já em 2025 um dos alvos das críticas da AD no seu comício do Pontal foi precisamente o jornalismo livre, plural, independente, que faz o escrutínio e que é garantia da qualidade da vida democrática", criticou José Luís Carneiro da rentrée do PS, em Olhão, distrito de Faro.Na sexta-feira, na rentrée do PSD, na Festa do Pontal, também no Algarve, o primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, criticou "uma espécie de censura moderna" em que as pessoas só conhecem as polémicas e os incidentes e o mais importante fica "escondido em notas de rodapé", defendendo Portugal "com orgulho em si próprio"."Não podemos viver uma espécie de censura moderna em que as pessoas só conhecem, sabem e debatem os assuntos mais polémicos, os assuntos de pequenos incidentes, dos pequenos episódios e deixar aquilo que é mais importante escondido em notas de rodapé ou mesmo omitido dos grandes espaços de veicular e comentar a informação", criticou.O líder do PS considerou que, sobre "a alegada obra que diz já orgulhar-se" Luís Montenegro, "alguém tem de dizer ao primeiro-ministro que o rei vai mesmo nu"."Em primeiro lugar porque o Governo e o primeiro-ministro não deram até hoje prova de conseguir reagir, responder com capacidade, com sensibilidade e com competência às crises que têm assolado o país e que têm colocado em causa a segurança das pessoas e que têm posto em causa a previsibilidade da capacidade de resposta do Estado", criticou.Carneiro aludiu à resposta de "improviso e impreparação" ao "apagão" no ano passado e ao "comboio das tempestades" de finais de janeiro, onde, disse, o Governo "reagiu tarde e reagiu mal". As críticas mais contundentes foram, no entanto, para a "insensibilidade", lembrando que no ano passado, com muitos incêndios de grandes dimensão a assolarem o país, manteve a Festa do Pontal, e a resposta à "crise dos exames nacionais", onde o Executivo revelou "insensibilidade e incapacidade para reconhecer as próprias responsabilidades políticas", atirou.O líder socialista mostrou-se ainda muito crítico do anúncio da compra pelo Estado de uma participação de 13,7% no capital da REN, questionando os motivos e exigindo que o Governo explique a operação, o valor pago e as intenções com a operação. Ainda na área da energia, Carneiro deixou mais uma "farpa" a Montenegro: "se está tão preocupado com a soberania energética porque é que ainda não se pronunciou sobre o negócio entre a Galp e a espanhola Moeve?".José Luís Carneiro assegurou que o PS continuará a ser um partido responsável e que defende a estabilidade política. Mas, sublinhou, "o principal responsável pela instabilidade, imprevisibilidade e insegurança tem sido o Governo da AD". Da parte dos socialistas, prosseguiu, continuarão a ser apresentadas propostas alternativas por cada crítica.Já sobre o Orçamento do Estado para 2027, o secretário-geral do PS disse que é necessário "esperar por essa proposta", mas assinalou que "há um dever que só ao Governo incumbe e esse dever é apresentar um Orçamento competente e que responda aos problemas das pessoas".