António José Seguro apelou a um "compromisso com a tolerância" para que o país seja "chão comum" para todos
no seu primeiro discurso de 10 de junho como Presidente da República. Os partidos reagiram com elogios, com PSD e CDS - que formam a AD que lidera o Executivo - a salientarem o apelo à estabilidade política.O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, considerou que o Presidente da República deixou um apelo de estabilidade política no discurso do 10 de junho, recusando comentar a divulgação da lista de clientes da Spinumviva."Julgo que, como mensagem política, aquilo que resulta, para lá de uma palavra de esperança e de acreditar, foi um
pedido para que todas as forças políticas tenham consciência de que estes são momentos, os momentos que vivemos, em que os ciclos eleitorais devem relevar menos, e aquilo que deve ser absolutamente decisivo é o interesse nacional. No fundo, uma palavra de longo prazo e de estabilidade política que registei, que anoto e com a qual concordo", afirmou.Da mesma forma, o líder da bancada parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, destacou o apelo à estabilidade política, considerando-a fundamental para que o país possa implementar reformas. "
É fundamental que Portugal tenha estabilidade política para que as reformas que o Governo está a desenvolver possam efetivamente ter resultados na vida, no dia-a-dia dos portugueses. E esse apelo é também um apelo muito importante que o senhor Presidente da República deixa neste discurso do 10 de junho", afirmou.Já o secretário-geral do PS,
José Luís Carneiro, considerou que o Presidente da República fez um discurso de 10 de Junho "muito substantivo" que dá "força e energia" e inspira para o futuro. "No que respeita à vida política interna, há aqui [no discurso do chefe de Estado] uma mensagem de apelo ao diálogo, à concertação e ao compromisso para colocarmos os nossos propósitos fundamentais do desenvolvimento humano no centro das nossas prioridades", declarou José Luís Carneiro aos jornalistas em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores, no final da sessão solene comemorativa do 10 de Junho.O secretário-geral socialista também referiu que o país tem "uma expressão insular, uma expressão arquipelágica", referindo que a comemoração do 10 de Junho nos Açores, valorizando o mar, o oceano e a expressão Atlântica e reiterando o "compromisso com a Aliança Atlântica como fator essencial e esteio fundamental" da defesa e da segurança, pareceu-lhe "um ponto muito importante, particularmente num mundo cuja geopolítica e geoestratégica está a alterar-se profundamente".Quando questionado sobre se deve ser revisitado o acordo de utilização da Base das Lajes e em que momento é que isso deve acontecer, respondeu que o "mais importante" é sublinhar aquilo que disse o Presidente da República: "A nossa pertença ao projeto europeu e a nossa participação ativa no projeto europeu não significa a desvalorização, pelo contrário".Por seu turno, o secretário-geral do PCP elogiou o apelo ao compromisso feito pelo Presidente da República e alertou que Portugal, apesar de ter "responsabilidades internacionais", tem "uma voz própria". Em declarações à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém, Paulo Raimundo enalteceu a escolha da ilha Terceira como palco das comemorações do 10 de junho deste ano, considerando que é importante, por um lado, "valorizar o papel das autonomias" e, por outro, "relembrar a alguns de que também os Açores, também a ilha Terceira e as Lajes são território nacional".O líder do PCP enalteceu ainda o "apelo ao compromisso" feito pelo Presidente da República, António José Seguro, salientando que o partido está disponível para "esse compromisso pelos direitos", nomeadamente ao nível dos salários, do Serviço Nacional de Saúde, da habitação ou das creches, enumerou.