02/13/2026 | Press release | Archived content
Em uma região marcada por grandes distâncias, infraestrutura precária e pressão crescente de empresas petrolíferas e de mineração, as rádios comunitárias frequentemente continuam sendo a fonte de informação mais confiável. Para marcar o Dia Mundial do Rádio - 13 de fevereiro - a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) entrou na Rádio Sucumbíos, onde jornalistas trabalham todos os dias para conectar comunidades remotas e reportar questões ambientais, enquanto lidam com instabilidade financeira e riscos à segurança.
Em Nueva Loja, cidade mais conhecida como Lago Agrio, os sinais de telefone frequentemente desaparecem sem aviso. O acesso à internet é instável, os rios sobem, as estradas se tornam intransitáveis e muitas comunidades ficam separadas por horas de viagem. Ainda assim, todas as manhãs há uma conexão que não falha: o rádio. Na Rádio Sucumbíos, os microfones são ligados.
Há 34 anos, essa rádio comunitária funciona como um ponto de encontro diário em uma província de fronteira onde seis nacionalidades indígenas - Siona, Secoya, Cofán, Kichwa, Shuar e Awá - vivem ao lado de comunidades afro-equatorianas e famílias migrantes atraídas pela atividade petrolífera e pela expansão agrícola. Aqui, o rádio não é apenas um meio de comunicação. É um espaço público comum que une uma região geograficamente fragmentada.
As ligações para a emissora começam cedo. Um líder paroquial quer desmentir um boato. Moradores perguntam sobre o abastecimento de combustível. Uma organização de mulheres anuncia uma reunião. Cada mensagem disputa espaço em uma redação que hoje conta com apenas oito pessoas - bem menos do que no passado. Os mesmos jornalistas apresentam, produzem e verificam os fatos, às vezes no mesmo turno.
"O rádio não é feito no estúdio", explica o diretor Víctor Gómez, que trabalha há 15 anos na emissora. "O estúdio é para transmitir. O rádio é feito com as pessoas, nos territórios, nas comunas, nas comunidades rurais."
As histórias surgem em assembleias municipais e por meio de redes locais, e são transformadas pelas ondas do rádio em temas de debate público. A programação alterna entre espanhol e kichwa, entre boletins de notícias e programas dedicados à vida rural, aos direitos das mulheres ou às dinâmicas migratórias dessa região de fronteira. Nessa rotina, o pluralismo deixa de ser uma ideia e se torna algo concreto, audível, compartilhado.
"No Dia Mundial do Rádio, a Rádio Sucumbíos personifica o trabalho silencioso, porém crucial, realizado pelos meios de comunicação locais em toda a Amazônia. Em lugares onde a presença do Estado é desigual e o tempo de deslocamento entre municípios é imenso, o rádio continua sendo um fio vital que conecta a sociedade - uma ferramenta de coesão, um espaço de vigilância ambiental e, muitas vezes, a última garantia de que populações remotas possam fazer suas vozes serem ouvidas. Em um país onde a violência contra jornalistas vem aumentando nos últimos meses e onde o novo governo, no poder há um ano, não parece ter levado a urgência da situação a sério, alertamos para a necessidade de proteger as rádios comunitárias, que estão extremamente próximas das pessoas e são pioneiras na cobertura de notícias ambientais de última hora na região.
Na Amazônia, quase toda conversa acaba levando ao meio ambiente. Os ouvintes da emissora falam sobre água contaminada, infraestrutura petrolífera, terras, desmatamento e novos projetos decididos por pessoas distantes da floresta tropical onde eles acontecem. Os jornalistas precisam traduzir a linguagem técnica desses temas em consequências imediatas: o que vai mudar para as famílias, as lavouras e a saúde pública. Em lugares onde a mídia nacional raramente mantém presença contínua, emissoras como a Rádio Sucumbíos são intérpretes essenciais, explicando as transformações desses territórios.
Produzir essas informações envolve desafios constantes. A Amazônia tem infraestrutura limitada, o que torna as viagens caras e extremamente demoradas. A região também conta com conectividade de internet restrita. O financiamento público para a mídia local é escasso, e a receita vem principalmente da publicidade, ocasionalmente complementada por projetos de cooperação internacional que geralmente se concentram em equipamentos - fontes de recursos que não cobrem adequadamente salários ou custos operacionais. Mesmo assim, as expectativas da audiência permanecem altas, porque os impactos são diretos e pessoais.
E essas questões raramente são neutras. Em toda a região, interesses econômicos e políticos ligados às indústrias extrativas e às estruturas locais de poder podem restringir o espaço de atuação dos jornalistas. A censura raramente aparece como uma proibição explícita; mais frequentemente, surge como a pressão de avisos informais para não entrar em certas áreas, ou como o conhecimento dos riscos de cobrir determinados grupos armados.
A proximidade com a fronteira colombiana acrescenta outra camada de complexidade. Rotas do narcotráfico, economias informais e a presença de atores armados fazem parte do cotidiano dessa região. Não há linhas vermelhas escritas nas paredes do estúdio, mas todos sabem que certas investigações exigem cautela.
Verificar fatos é, portanto, inseparável de manter-se protegido. Os repórteres cruzam informações com várias fontes e avaliam as possíveis consequências antes de ir ao ar. Em comunidades onde todos se conhecem, a credibilidade é vital. A segurança também. Víctor Gómez resume sem dramatizar: "Às vezes, proteger a equipe significa não aprofundar um detalhe que poderia colocar vidas em risco."
Apesar das limitações, a emissora continua se adaptando. A pandemia acelerou sua presença online, com streaming, redes sociais e um site, mas as ondas do rádio continuam sendo essenciais para quem não tem internet confiável. "A emissora mantém uma linha editorial de comunicação comunitária focada em direitos humanos, igualdade de gênero, interculturalidade, mobilidade humana e populações vulneráveis", afirma Víctor Gómez. Porque o que sustenta o rádio, acima de tudo, é sua audiência.