06/24/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/24/2026 13:59
Celebrado em 24 de junho, o Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia reconhece a contribuição das mulheres para a construção da paz, da cooperação internacional e do fortalecimento das relações entre os países. Instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2022, a data busca ampliar a visibilidade da participação feminina nos espaços diplomáticos e incentivar a igualdade de gênero em cargos de representação internacional.
No Brasil, a data também marca um avanço concreto na ampliação da presença feminina na diplomacia. O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), realizado em 2026, registrou percentual recorde de aprovação de mulheres: 45% das pessoas aprovadas são candidatas mulheres, índice bem acima da média histórica de 21%.
O resultado foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores no contexto das comemorações do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia e reforça a importância de ações afirmativas para enfrentar desigualdades históricas no acesso das mulheres ao Serviço Exterior Brasileiro.
Implementada pelo Itamaraty a partir de 2024, no âmbito do Programa Federal de Ações Afirmativas, a iniciativa prevê a chamada de um número adicional de candidatas aprovadas na primeira fase para a realização das provas discursivas da segunda fase do concurso. Desde então, o número de mulheres aprovadas no CACD aumentou pelo terceiro ano consecutivo.
De acordo com o resultado publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24), das 60 vagas do concurso de 2026, 27 serão ocupadas por mulheres. Desse total, 11 candidatas foram beneficiadas pela ação afirmativa. Entre as aprovadas, há ainda oito mulheres negras, uma delas quilombola, e três mulheres com deficiência.
A medida responde a uma distorção histórica. Embora as mulheres tenham representado cerca de 40% das pessoas inscritas no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática entre 2003 e 2023, elas corresponderam a apenas 26% das aprovadas no período. Com a ação afirmativa, o Governo Federal busca garantir condições mais equilibradas de acesso à carreira diplomática e fortalecer a diversidade na representação internacional do país.
A presença das mulheres na diplomacia brasileira é marcada por conquistas, mas também por desafios persistentes. Ao longo das últimas décadas, diplomatas brasileiras têm contribuído para a formulação da política externa do país, a promoção dos direitos humanos e o fortalecimento da cooperação internacional em diferentes áreas.
Para a ONU, a participação plena e igualitária das mulheres em todos os níveis da diplomacia é essencial para o fortalecimento da democracia, da paz e do desenvolvimento sustentável. A ampliação da presença feminina nesses espaços contribui para incorporar diferentes perspectivas à formulação de políticas internacionais e construir soluções mais justas para os desafios globais.
A baixa representatividade feminina não se restringe à diplomacia. O Brasil ainda enfrenta desafios para ampliar a presença das mulheres nos parlamentos, nos governos, nos partidos, nas instituições públicas e nos espaços de liderança. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas e ações afirmativas capazes de remover barreiras estruturais e garantir igualdade de oportunidades.
No contexto do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, o resultado recorde no concurso para diplomata evidencia que ampliar a presença feminina nas relações internacionais também é parte de uma agenda mais ampla de fortalecimento da democracia. A participação das mulheres nos espaços de poder contribui para instituições mais representativas, políticas públicas mais inclusivas e decisões mais conectadas à diversidade da sociedade brasileira.
Mais mulheres em posições de liderança significam instituições mais representativas, democracias mais fortes e políticas públicas mais capazes de responder à diversidade da sociedade. O avanço da igualdade de gênero na política e na diplomacia é, portanto, um passo fundamental para a construção de um país mais democrático, inclusivo e comprometido com os direitos das mulheres.