PCdoB - Partido Comunista do Brasil

01/08/2025 | News release | Distributed by Public on 01/08/2025 15:52

Verdade e justiça para Carlos Danielli e demais mortos pela ditadura militar

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A matéria no Jornal Nacional, da TV Globo, de 7 de janeiro, sobre a entrega de certidões de óbito corrigidas de vítimas da ditadura pelos cartórios, cumprindo resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), constou o entendimento de que Carlos Nicolau Danielli era "amigo do Partido Comunista do Brasil".

Cumpre retificar que Danielli foi dirigente do Partido desde a juventude e ocupava o posto de secretário de Organização do Comitê Central quando foi assassinado no DOI-Codi paulista, aos 43 anos, em 30 de dezembro de 1972, depois de quatro dias de torturas, comandadas pessoalmente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A falsa certidão de óbito da ditadura afirma que Danielli morreu de "anemia aguda traumática", após "tiroteio" com agentes da repressão.

Seu assassinato ocorreu no auge da resistência à ditadura militar. Ele era um dos esteios do movimento guerrilheiro do Araguaia. No mesmo período foram também assassinados, no Rio de Janeiro, os membros da Comissão de Organização Luiz Guilhardini e Lincoln Oest, além do jovem Lincoln Bicalho Roque, igualmente membro do Comitê Central. A partir dessas execuções, a ditadura intensificou o cerco para o aniquilamento da Guerrilha do Araguaia.

A decisão do CNJ, que determina a emissão de certidões de óbito corrigidas de 202 mortos durante a ditadura, informando que essas pessoas foram vítimas da violência cometida pelo Estado, é resultado de um processo de luta que envolve partidos políticos, organizações sociais, familiares de mortos e desaparecidos, juristas e personalidades democráticas. Jornada da qual o PCdoB participa desde o início da luta pela anistia, em meados dos anos 1970. Dezenas de seus dirigentes e militantes integram a honrosa lista dos que tombaram no combate à ditadura, em defesa da democracia.

É uma jornada que ainda tem muito a conquistar, como a elucidação dos casos dos reconhecidos 232 desaparecidos durante a ditadura. E que seja assegurado às famílias o direito humanitário de sepultar os restos mortais de seus entes queridos. É preciso, também, a abertura de todos os arquivos do regime e a requisição de documentos públicos daquele período que se encontram em mãos privadas. Impõe-se, ainda, a punição aos que cometeram torturas e assassinatos.

A defesa da democracia e dos direitos humanos exige que a verdade e a justiça prevaleçam para que todas as sombras sinistras da ditadura sejam removidas e não sirvam de abrigo para novas aventuras golpistas para tentar implantar regimes de exceção e violência.

Brasília, 8 de janeiro de 2025

Comissão Executiva Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

EDIÇÃO: André Cintra

PCdoB - Partido Comunista do Brasil published this content on January 08, 2025, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on January 08, 2025 at 21:52 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]