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03/06/2026 | Press release | Archived content

Perfil: Nour Swirki, jornalista e mãe coragem em Gaza

Selecionada para o Prêmio Coragem da RSF em 2025, a repórter de guerra Nour Swirki continua trabalhando em Gaza desde o cessar-fogo. Em abril de 2024, optou por permanecer no território devastado pelos bombardeios enquanto seus dois filhos eram evacuados. Uma decisão difícil, mas necessária, segundo ela.

Quando seus pais deixaram Gaza, Nour Swirki ficou sem ninguém para cuidar dos filhos enquanto estava em campo. Com seu marido, Salem Al-Rayess, jornalista dos sites Al Majalla("A Revista") e Al Manassa("A Tribuna"), fez uma escolha dolorosa. Em 20 de abril de 2024, seus filhos Alaa e Jamal deixaram Gaza sozinhos rumo ao Cairo. Para Nour, foi "a decisão mais difícil" de sua vida: "Eu não imaginava que ficaríamos separados por tanto tempo", disse ela à RSF. Por que não foi com eles? A pergunta soa quase absurda para ela: "Eu amo o meu trabalho, amo Gaza. Eu precisava ficar."Antes de se tornar repórter de guerra, Nour Swirki, que possui mestrado em jornalismo pela Universidade Islâmica de Gaza, trabalhou como jornalista freelancer para a mídia impressa e no setor de comunicação para organizações humanitárias e feministas: "Uma experiência eclética, mas minha compreensão sobre as mulheres enriqueceu meu trabalho e a maneira como processo informações". Ela descreve uma vida tranquila antes da guerra: caminhadas na praia pela manhã, levar as crianças às aulas de dança, trabalhar durante o dia... E então tudo virou de cabeça para baixo. No Facebook, Nour publica trechos do seu dia a dia: "Os bombardeios se intensificaram", escreveu ela em 10 de outubro de 2023. "Os ruídos eram aterrorizantes, estilhaços de vidro voavam para dentro da casa pelas janelas abertas".

À vontade diante de microfones e câmeras, ela trabalhou como correspondente para o canal egípcio Al-Sharq ("O Oriente"). Na primeira vez que tentou levar os filhos para seu trabalho em campo, uma bomba caiu bem ao lado deles. Na segunda vez, houve um tiroteio entre gangues durante a distribuição de alimentos… Ela então decidiu evacuá-los. Desde 7 de outubro de 2023, as forças israelenses mataram mais de 220 de seus colegas, incluindo sua amiga, Mariam Abu Dagga: "Ela também havia evacuado seu filho. Ser mãe pode ser egoísta, mas fizemos uma escolha difícil: proteger nossos filhos de nossos empregos, nos separando deles". Nour denuncia a propaganda israelense que visa os jornalistas em Gaza: "Eles nos retratam como mentirosos, por exemplo, em relação à fome. Eu vivenciei e cobri a fome!" Graças às suas reportagens e às de seus colegas, ela acredita que a pressão pública tornou possível levar alimentos ao enclave: "Nosso jornalismo salvou vidas, e me orgulho muito disso".

Publicado em06.03.2026
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