05/19/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/19/2026 03:08
A Confederação dos Agricultores de Portugal participa esta terça-feira, em Estrasburgo, numa ação de protesto junto ao Parlamento Europeu para alertar para o impacto insustentável do aumento dos custos dos fertilizantes, combustíveis e energia.
A CAP exige medidas urgentes de apoio ao setor, incluindo a suspensão de taxa europeia sobre a importação de fertilizantes, e denuncia a ausência de respostas concretas do Governo português, que agrava as desigualdades dos agricultores nacionais face aos seus concorrentes europeus.
A Confederação dos Agricultores de Portugal junta-se à ação de protesto promovida pelo Copa-Cogeca e pelas principais organizações agrícolas europeias, sob o lema "Crise nos fertilizantes e nos combustíveis hoje, crise alimentar amanhã".
Num momento em que os Agricultores europeus enfrentam uma escalada nos custos de produção, com destaque para a subida dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, o setor agrícola europeu junta-se para reivindicar medidas de apoio aos Agricultores, incluindo a suspensão do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), ou Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço - política europeia que taxa produtos importados com base nas emissões de carbono, nomeadamente fertilizantes.
A iniciativa de protesto (flash action) pretende chamar a atenção para a situação crítica que o setor agrícola europeu atravessa, marcada por um aumento sem precedentes dos custos de produção, em particular nos fertilizantes, combustíveis e energia.
O protesto decorre junto ao Parlamento Europeu, a partir das 10 horas locais (09 horas em Lisboa), marcando o momento em que a Comissão Europeia apresenta o Plano Europeu de Ação para os Fertilizantes.
Luís Mira, Secretário-Geral da CAP, representa os Agricultores portugueses nesta ação, para exigir medidas concretas, urgentes e eficazes de apoio à agricultura. O atual nível dos custos ameaça seriamente a viabilidade económica das explorações agrícolas, compromete a competitividade da agricultura europeia e coloca em risco a segurança alimentar dos cidadãos.
Mas esta manifestação é também um sinal claro dirigido ao Governo português. Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com menos medidas concretas de apoio aos agricultores a serem efetivamente aplicadas, e a diferença face a países que concorrem diretamente com a agricultura portuguesa - como Espanha, França e Itália - é hoje claramente penalizadora para a produção nacional. Nestes Estados-Membros, estão já em execução pacotes de apoio ao setor agrícola, destinados a compensar o aumento dos custos dos combustíveis, fertilizantes e restantes fatores de produção.
Luís Mira, Secretário-Geral da CAP, afirma: "Em Portugal, os agricultores continuam confrontados com anúncios sucessivos, promessas repetidas e ausência de respostas concretas por parte do Governo, capazes de mitigar os impactos desta crise no rendimento das explorações. É inaceitável que os agricultores portugueses sejam obrigados a competir em clara desigualdade dentro do mercado europeu por falta de vontade política do Governo português em apoiar a Agricultura."Acrescenta: "Os agricultores portugueses não podem continuar a ser tratados como agricultores de segunda dentro da União Europeia. Enquanto outros países protegem a sua produção, os seus agricultores e as suas economias rurais, Portugal continua sem uma resposta à altura da gravidade da situação. A agricultura portuguesa precisa de respostas. E precisa delas agora."
Sem medidas urgentes e eficazes, a atual crise dos fertilizantes, dos combustíveis e da energia transformar-se-á inevitavelmente numa crise alimentar, com consequências graves para a produção agrícola, para os consumidores e para a soberania alimentar europeia. Por isso, a CAP estará esta quinta-feira em Estrasburgo a representar os agricultores portugueses, na defesa da produção nacional, da competitividade do setor e da justiça entre Estados-Membros.
Fonte: Comunicado da CAP, 19/05/2026