PCdoB - Partido Comunista do Brasil

04/11/2026 | News release | Distributed by Public on 04/11/2026 12:55

PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva imperialista

A presidenta em exercício do PCdoB Nadia Campeão fez a intervenção política na abertura da reunião plenária do Comitê Central do PCdoB em que se debateu a conjuntura política internacional e nacional e os desafios partidários para 2026
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A presidenta em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, abriu nesta sexta-feira (10) a 3ª reunião do Comitê Central do partido, realizada em formato híbrido em Brasília, com uma intervenção política que traçou um panorama da conjuntura internacional e nacional e apontou os desafios partidários para o ano eleitoral de 2026.

Cenário mundial: declínio da hegemonia dos EUA

Segundo o informe do Comitê Central apresentado pela dirigente do Partido, o mundo vive um momento de "graves acontecimentos, tensões e ameaças", marcado pela aceleração da ruptura da ordem mundial anterior. Nádia destacou que os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, tornaram-se "o epicentro da crise que instabiliza e ameaça o mundo".

O documento aponta que a estratégia imperialista tem se desdobrado em guerra comercial indiscriminada ("tarifaço"), sanções e bloqueios contra Rússia, Irã, Cuba e Coreia do Norte, e escalada militar direta. No caso do Brasil, o "tarifaço" foi agravado pela Lei Magnitsky, usada como pressão política contra decisões do STF.

A guerra contra o Irã, iniciada por EUA e Israel, é apresentada como parte da tentativa de dominar o Oriente Médio, controlar reservas de petróleo e gás e afastar a influência da China e da Rússia. Contudo, a resistência iraniana impôs um cessar-fogo sem a reabertura do Estreito de Ormuz e sem rendição, desmoralizando a bravata de Trump de derrubar o regime em 24 horas.

Crise energética e desgaste do imperialismo

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passam 20% do petróleo mundial, espraiou a crise energética para o planeta. Com o barril de petróleo saltando de US$ 60 para mais de US$ 100, se o Brent atingir US$ 140 por mais de 90 dias, "o risco de recessão global torna-se o cenário base para 2026".

Internamente nos EUA, Trump enfrenta pressão fiscal, escândalos como o caso Epstein, inflação e insatisfação social, com grandes manifestações como o "No Kings". Na Europa, crescem as contradições, com a Espanha qualificando a guerra como "desastre absoluto" e fechando espaço aéreo para operações contra o Irã.

Oriente Médio e América Latina sob ataque

O informe condena o genocídio em Gaza perpetrado por Israel, sob comando de Netanyahu, e os ataques ao Líbano e à Cisjordânia, que já deslocaram 1 milhão de pessoas. Denuncia ainda a aprovação de lei no parlamento israelense que prevê pena de morte por enforcamento exclusivamente para árabes e palestinos.

Na América Latina, a ofensiva de Trump busca coesionar presidentes de extrema-direita para formar o "Escudo das Américas", visando dominar recursos energéticos, minerais estratégicos e mercados, além de afastar a articulação regional com os BRICS. Cuba segue sob bloqueio energético, e a Venezuela, sob tutela econômica e política.

Eleições no Brasil: soberania ou subjugação

No plano nacional, Nádia Campeão afirmou que a questão central é a reeleição do presidente Lula, que significará "uma afirmação da soberania do Brasil, ou a subjugação do país à alternativa de extrema-direita comprometida com nova investida ultraneoliberal e entreguista".

A candidatura principal da oposição será a de Flávio Bolsonaro (PL), que reúne a base bolsonarista e apoio explícito do imperialismo estadunidense. O informe alerta que nenhuma das candidaturas oposicionistas representa o "centro moderado", o que coloca um dilema para parte das elites.

Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com erosão de 10 a 15 pontos na vantagem lulista em três meses. O informe atribui esse movimento à recuperação da iniciativa política pela extrema direita após episódios como a chacina do Complexo do Alemão, a CPI do INSS e o caso do Banco Master.

Economia: indicadores positivos, mas desafios sociais

O informe reconhece indicadores favoráveis: inflação de 4,5%, queda do desemprego, aumento da renda real e da massa salarial, expansão do emprego formal e programas habitacionais. Contudo, alerta que a taxa Selic em patamar elevado neutraliza esforços de reindustrialização, mantendo o PIB estagnado em torno de 3%.

"O custo proibitivo do crédito levou a que 80% das famílias estejam endividadas, sendo que 30% estão inadimplentes", aponta o documento. O endividamento das famílias em relação à renda anual chega a 49,69%, com juros rotativos de cartão de 436% ao ano.

Eixos da campanha de Lula

O informe assentou três bases para a campanha lulista:

  1. Ataque sistemático à candidatura de Flávio Bolsonaro, classificando-a como "traição nacional" e ameaça à democracia, por seu histórico golpista e subordinação de interesses nacionais aos EUA em temas como petróleo, Amazônia, terras raras e sistema financeiro.
  2. Atuação firme do governo nos problemas do povo, com medidas efetivas para proteger a economia popular, controlar preços da cesta básica e combustíveis, e reduzir o endividamento familiar. Destacam-se as lutas pelo fim da escala 6×1 e combate ao feminicídio.
  3. Apresentação de perspectivas novas para um novo mandato, com programa de mudanças que enfrente problemas críticos como segurança pública, saúde, juros altos, aperto fiscal e taxação dos super-ricos.

Papel do PCdoB e reformas estruturais

O informe orienta que o PCdoB deve ser "o defensor desta política, integrar a coordenação da campanha com visão de amplitude", contribuindo com propostas que transcendam o programa de governo.

Deve apresentar às forças progressistas "o alcance de um novo projeto nacional soberano" que permita ao Brasil desenvolver indústria de ponta, defesa nacional, ciência e tecnologia, proteger minerais estratégicos e aprofundar a democracia.

Para isso, o partido constituirá um grupo para elaborar proposta com base no documento de Reformas Estruturais e aportes acumulados pelos núcleos da FMG. As demais tarefas serão apresentadas via Projeto Eleitoral e agenda de lutas.

Agenda do Comitê Central

A reunião, que segue até domingo (12), inclui ainda: apresentação do Projeto Eleitoral do PCdoB; informe sobre atualização do Programa Socialista; aprovação de resolução sobre Fundo Especial de Financiamento de Campanha; e eleição para recomposição da Comissão Executiva e Comissão Política.

Neste sábado, os trabalhos foram abertos com homenagem aos camaradas Renato Rabelo e Márcio Cabreira, falecidos há pouco mais de um mês. Ao final dos debates, o Partido divulgará orientações para a batalha eleitoral e as lutas populares de 2026.

por Cezar Xavier

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