Federal Government of Brazil

01/21/2026 | Press release | Distributed by Public on 01/21/2026 11:05

Brasil voltou a crescer com qualidade e inclusão social, destaca ministra Esther Dweck, em Davos

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participou, nesta quarta-feira (21/1), do painel "Breaking Latin America's Growth Ceiling" ("Rompendo o teto de crescimento da América Latina", em tradução para o português), realizado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O debate reuniu autoridades governamentais, lideranças do setor financeiro e representantes de organismos multilaterais para discutir caminhos concretos para destravar o crescimento econômico da América Latina em um cenário global marcado por transformações tecnológicas aceleradas, pressões geopolíticas e desafios climáticos crescentes.

Ao apresentar a experiência recente do Brasil, a ministra destacou que o país voltou a crescer em ritmo mais alinhado ao da economia mundial nos últimos três anos. Segundo ela, esse desempenho reflete uma combinação de políticas econômicas, sociais e institucionais adotadas a partir de 2023. "O Brasil, nos últimos três anos, voltou a crescer um pouco mais rápido do que nos períodos anteriores, inclusive mais próximo da taxa de crescimento mundial. Esse desempenho é resultado de uma combinação de políticas, entre elas uma mudança importante na política externa brasileira", afirmou.

Para a ministra, neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diferentes motores do crescimento que já estiveram presentes, separadamente em alguns casos, nos mandatos 1 e 2, agora foram combinados, como valorização do salário mínimo, crescimento do emprego, retomada de políticas públicas, investimento público incentivando o privado, política industrial, responsabilidade fiscal, controle da inflação e comércio exterior. "Os efeitos multiplicadores de políticas sociais fortalecidas, da valorização do salário mínimo e de um mercado de trabalho aquecido - dois lados de uma mesma moeda - reativaram o crescimento, mas sem gerar desequilíbrios, pois a redução de desigualdades também está no centro da agenda de política econômica", segundo a ministra.

Esther Dweck contextualizou que o governo federal precisou estruturar um novo arranjo macroeconômico em um ambiente adverso, marcado pelo retorno do país ao Mapa da Fome e severas restrições orçamentárias. Ainda assim, segundo a ministra, foi possível avançar de forma consistente no equilíbrio das contas públicas, sem abandonar políticas distributivas e investimentos estruturantes. "Do ponto de vista macroeconômico, quando analisamos os resultados desses três anos, o que vemos é uma redução muito expressiva do déficit fiscal, mesmo com uma retomada muito grande das políticas de transferência de renda e do investimento público. Ao ajustarmos o déficit fiscal real do início do mandato, a redução ultrapassa 70% em apenas três anos", destacou.

Nesse processo, a ministra destacou medidas voltadas à correção de distorções históricas do sistema tributário brasileiro, especialmente a revisão de benefícios concentrados nas faixas de renda mais elevadas. Essas mudanças permitiram ampliar a arrecadação de forma mais justa e progressiva, ao mesmo tempo em que aliviaram a carga tributária sobre a população de menor renda. A reforma tributária sobre o consumo e a criação de uma tributação mínima sobre os mais ricos foram apontadas como marcos históricos desse esforço.

"Do ponto de vista das estratégias de crescimento, é possível identificar cinco frentes principais. A primeira, sem dúvida, é a distribuição de renda e a redução das desigualdades como motor do crescimento. E isso não ocorreu apenas pelo lado do gasto público. O Brasil realizou algo que eu diria ser histórico: uma reforma tributária em um governo democrático, tanto do ponto de vista da tributação indireta, com a simplificação do sistema, quanto em relação ao imposto de renda", afirmou Esther Dweck.

A reforma tributária mencionada pela ministra inclui a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Além de zerar a cobrança para essa faixa, a medida reduz o imposto para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 e transfere a compensação para contribuintes de alta renda, especialmente aqueles que recebem mais de R$ 1 milhão por ano. A expectativa do governo é que a mudança injete cerca de R$ 28 bilhões na economia em 2026, fortalecendo o consumo, ampliando o mercado interno e potencializando os efeitos redistributivos. "Essa sempre foi uma ideia do presidente Lula: colocar os pobres no orçamento e os ricos no imposto de renda. Então isso foi uma mudança distributiva muito grande", pontuou.

Do lado da despesa pública, o novo arcabouço fiscal passou a vincular o crescimento dos gastos à evolução da arrecadação, preservando investimentos públicos e despesas estruturantes. A nova regra também criou um piso para investimentos públicos, evitando que essas despesas sejam penalizadas em momentos de ajuste fiscal. "Foi possível recompor o orçamento, recolocar as políticas distributivas e o investimento público no centro da estratégia econômica e, ao mesmo tempo, avançar no equilíbrio fiscal", destacou.

Resultados econômicos e sociais

Segundo Esther Dweck, a nova estratégia fiscal permitiu reduzir significativamente o déficit público e recuperar o controle da inflação. Em 2025, a inflação oficial encerrou o ano dentro da meta, enquanto o mercado de trabalho manteve desempenho robusto, com a menor taxa de desemprego da série histórica recente. "Ao final, olhando novamente pelo prisma macroeconômico, conseguimos reduzir o déficit fiscal, reduzir a inflação e construir um cenário fiscal muito mais tranquilo do ponto de vista fiscal, embora tenhamos os nossos desafios", avaliou.

Esther Dweck destacou que o fortalecimento e a requalificação das políticas de transferência de renda, a retomada da política de valorização real do salário mínimo e a recomposição dos pisos constitucionais de saúde e educação contribuíram para reduzir desigualdades, ampliar o consumo das famílias e otimizar a economia sem gerar desequilíbrios econômicos. Além disso, esses avanços sociais contribuíram para ampliar o consumo das famílias, dinamizar a economia e reduzir a pobreza, sem gerar desequilíbrios macroeconômicos. Entre 2023 e 2024, milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza, e o país voltou a sair do Mapa da Fome em 2025, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

"Do ponto de vista das políticas de gasto, houve uma recomposição importante do investimento em políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde e educação.Também houve uma reorganização dos programas de transferência de renda e, no campo das políticas industrial e comercial, uma retomada de uma atuação mais ativa do Estado, com instrumentos voltados ao fortalecimento da base produtiva e da inserção do país no comércio internacional. Essa combinação de fatores cria uma nova base para o crescimento", destacou a ministra.

Estado verde, digital e inclusivo

No painel, a ministra destacou que o crescimento econômico de longo prazo exige uma mudança estrutural na forma como a economia se organiza, com foco em investimentos duradouros, inovação e sustentabilidade. Nesse contexto, apresentou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) como um dos principais instrumentos para mobilizar investimentos em infraestrutura social e econômica, essenciais para ampliar a capacidade produtiva do país. "O governo não apenas retomou o investimento público de forma consistente, como também estruturou um amplo projeto de infraestrutura financiado pelo setor privado, com concessões muito fortes", afirmou.

A ministra ressaltou que esse esforço está diretamente ligado ao fortalecimento da capacidade do Estado. A agenda conduzida pelo MGI está estruturada em três dimensões complementares: Pessoas, Digital e Organizações, que prepara o Estado para atuar de forma mais eficiente e coordenada diante de desafios complexos, como a emergência climática, a transformação tecnológica e as desigualdades territoriais.

Outro eixo central da estratégia brasileira é a política de neoindustrialização, organizada no programa Nova Indústria Brasil. A iniciativa estrutura a política industrial em torno de missões estratégicas, como segurança alimentar e energética, transição ecológica e defesa nacional, integrando crescimento econômico e inclusão social. A proposta busca impulsionar a produção e o consumo de massa, promover a transição ecológica e fortalecer cadeias produtivas intensivas em recursos naturais de maneira sustentável, ampliando a capacidade de geração de emprego, renda e valor no país.

Integração da América Latina

Ao encerrar sua participação, a ministra ressaltou ainda que a integração latino-americana é fundamental para uma mudança mais estrutural no padrão de crescimento da região. "A América Latina é uma das regiões menos integradas do mundo. Do ponto de vista do potencial interno de crescimento, eu destacaria três frentes em que a integração regional é essencial: infraestrutura, integração produtiva, com cadeias regionais de valor mais articuladas, e integração de políticas sociais, que também poderia gerar ganhos relevantes de escala e eficiência", concluiu.

O painel contou também com a participação de Altagracia Gómez Sierra, empresária e presidente do Conselho Empresarial Consultivo do Gabinete Econômico do México, e de Julio Velarde, presidente do Banco Central de Reserva do Peru, além de representantes do Banco Central da Colômbia e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Altagracia Gómez Sierra destacou que o México precisou ir além de um plano governamental tradicional para enfrentar seus desafios estruturais de crescimento. Segundo ela, foi necessário construir uma visão estratégica de longo prazo, capaz de orientar decisões públicas e privadas de forma coordenada. "Não se trata apenas de um plano de investimentos ou de crescimento no curto prazo. O que fizemos foi construir um verdadeiro plano de país, com uma visão clara de onde o México quer chegar e quais caminhos precisa percorrer para alcançar esse objetivo", afirmou.

Segundo a empresária, esse esforço resultou no Plano México, uma estratégia nacional elaborada de forma colaborativa com a iniciativa privada e a comunidade acadêmica. Na avaliação de Altagracia, o país reúne condições para liderar uma nova onda da economia global, combinando fortalecimento das economias de mercado com novas formas de compreender a globalização em um contexto de transformações geopolíticas, tecnológicas e produtivas. "Nosso compromisso não é apenas com a transição energética, mas também com programas de eficiência hídrica e com o fortalecimento das comunidades. Sustentabilidade, para nós, é um eixo estruturante do desenvolvimento", destacou.

Já Julio Velarde ressaltou que os principais entraves ao crescimento sustentável na América Latina não estão apenas em indicadores conjunturais, mas no fortalecimento estrutural das instituições. "O que precisamos, de fato, é fortalecer instituições e garantir presença efetiva do Estado em todo o território, oferecer melhores serviços públicos e investir seriamente em educação. Países com populações bem educadas tendem, no fim das contas, a ser mais prósperos", afirmou. Velarde também destacou que esse processo exige continuidade e compromisso político. "Isso demanda investimento continuo e menos retórica vazia. Não basta falar muito, é preciso construir", concluiu.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participa da programação do Fórum Econômico Mundial, em Davos, com uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da governança digital global. Uma das principais agendas é relacionada ao tema de compras sustentáveis. Na quinta-feira (22/1), ela assinará a adesão do Brasil ao First Movers Coalition (FMC). A iniciativa, do próprio Fórum Econômico Mundial, visa acelerar a viabilidade comercial de tecnologias e produtos com baixa emissão de carbono a partir de um sistema de compras sustentáveis que envolve até o momento 14 países, seis dos quais do G-7.

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