04/24/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/24/2026 11:56
Entre os dias 6 e 10 de abril de 2026, uma equipe técnica do Plano Recupera Rural RS realizou uma visita de campo na localidade de Arroio do Ouro, no município de Estrela, com o objetivo de monitorar a recuperação ambiental de áreas impactadas pela enchente histórica de maio de 2024, às margens do Rio Taquari.
A ação integrou diferentes frentes de pesquisa e manejo, com destaque para o monitoramento de aves, análise da vegetação e avaliação das condições ecológicas de três áreas com distintos níveis de regeneração. O trabalho foi conduzido por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores e técnicos vinculados ao projeto.
Diversidade de aves indica estágio de recuperação
Um dos principais focos da visita foi o levantamento da avifauna. Ao todo, foram registradas 39 espécies de aves nas três áreas monitoradas. Apesar do número expressivo, os pesquisadores observaram baixa diversidade específica e predominância de espécies generalistas, aquelas que se adaptam facilmente a ambientes alterados.
Na Área 1, um talude severamente afetado pela enchente, foram identificadas espécies típicas de campos abertos e áreas em regeneração inicial, como o príncipe e o tiziu. Já na Área 2, onde está implantada a Unidade de Referência Tecnológica (URT) "Raízes da Felicidade", predominam aves comuns de ambientes rurais e urbanos, como o quero-quero e o joão-de-barro, além da presença significativa do pardal, espécie exótica invasora.
A Área 3, localizada na propriedade do agricultor Sílvio Gregory, apresentou maior diversidade, com presença de aves florestais como sabiás, tiê-preto e beija-flores. Esse resultado indica um estágio mais avançado de conservação em comparação às demais áreas, mesmo com impactos antrópicos ainda presentes.
Vegetação reflete impactos da enchente
A análise da cobertura vegetal revelou cenários distintos entre as áreas avaliadas. No talude (Área 1), a enchente provocou perda significativa de solo e vegetação, resultando em um processo lento de regeneração natural. Já na Área 3, houve deposição de sedimentos, mas parte da vegetação original foi preservada, permitindo maior diversidade de espécies arbóreas.
Os dados coletados contribuirão para compreender os processos ecológicos em curso e orientar futuras ações de restauração ambiental.
Manejo e articulação com agricultores
Além do monitoramento, a equipe realizou um mutirão de manejo na URT "Raízes da Felicidade", sistema agroflorestal implantado na propriedade da família Mallmann. A atividade incluiu poda, roçada e condução de espécies, com o objetivo de favorecer o desenvolvimento das plantas e melhorar as condições de luz no sistema.
A visita também incluiu reuniões com agricultores locais para identificar áreas com potencial para implantação de novas unidades de restauração ecológica. As conversas evidenciaram o interesse das famílias em diversificar a produção, incluindo fruticultura e até iniciativas de turismo rural.
Próximos passos
O monitoramento das aves será contínuo, com campanhas previstas a cada estação do ano até o verão de 2027. Já o acompanhamento de mamíferos será realizado por meio de armadilhas fotográficas instaladas nas áreas estudadas.
Os dados coletados servirão de base para estudos científicos e para o planejamento de ações mais eficazes de recuperação ambiental no Vale do Taquari, região que ainda enfrenta os desafios deixados pela maior enchente de sua história recente.