10/02/2025 | Press release | Archived content
Mais de 20 jornalistas estrangeiros foram presos pelas forças israelenses após a interceptação da flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza, nos dias 1 e 2 de outubro. A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) exige a libertação imediata desses profissionais da imprensa: sua detenção constitui uma grave violação do direito de informar e de ser informado
Por volta das 18h do dia 1 de outubro, forças navais israelenses interceptaram o primeiro navio da flotilha humanitária "Global Sumud Flotilla", que seguia rumo a Gaza para romper o bloqueio israelense. Esta operação militar ilegal de Israel, realizada em águas internacionais, marcou o início de uma série de interceptações. A mais recente ocorreu já em águas territoriais de Gaza, quando um navio foi detido a cerca de 15 quilômetros da costa, no fim do dia 2 de outubro.
Segundo a RSF, cerca de 20 jornalistas estavam a bordo para cobrir a missão humanitária - composta por 42 embarcações - incluindo profissionais dos meios em espanhol El País (jornal diário); do canal qatari Al-Jazeera; da emissora pública italiana RAI; do jornal francês L'Humanité; e da emissora pública turca TRT.
Desde as primeiras prisões, na noite de 1 de outubro, as redações não tiveram mais notícias de seus jornalistas. "Émilien Urbach fez uma última tentativa de nos contatar às 3h06 [da noite de 1 para 2 de outubro] via o rastreador do navio, e depois nada", contou um editor de L'Humanité à RSF. Assim como os outros profissionais da imprensa detidos pelas forças israelenses, acredita-se que o jornalista esteja retido no porto de Ashdod, a meio caminho entre Tel Aviv e Gaza, para onde todos os ocupantes dos navios da Global Sumud Flotilla foram transferidos.
Prender jornalistas e impedi-los de exercer sua profissão é uma grave violação do direito de informar e de ser informado. A RSF condena a prisão ilegal dos profissionais de imprensa que estavam a bordo desses navios para cobrir uma operação humanitária de escala inédita. O exército israelense, que já matou mais de 210 jornalistas palestinos na Faixa de Gaza, dá continuidade ao seu apagão midiático da região com estas detenções ilegais no mar, com o objetivo evidente de encobrir os crimes que vem cometendo contra a população palestina. A RSF pede que Israel respeite o status de jornalistas, assegure a proteção desses profissionais e garanta sua segurança em conformidade com o direito internacional.
Em 8 de junho, as autoridades israelenses prenderam ilegalmente dois jornalistas: Omar Faiad, do canal qatari Al-Jazeera, e Yanis Mhamdi, do site francês Blast, a bordo da flotilha Madleen. Libertado sob fiança, Omar Faiad ficou detido por mais de 24 horas e Yanis Mhamdi por oito dias.
[O artigo foi editado em 3 de outubro para retirar a menção ao TeleSUR. As redações de língua espanhola representadas são El País, Descifrando la Guerra e Público.]