05/11/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/12/2026 14:31
Washington D.C., 11 de maio de 2026 (OPAS) - Diante do crescente interesse público gerado pelo surto de síndrome pulmonar por hantavírus (SPH) associado ao cruzeiro MV Hondius, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) promoveu na última semana uma sessão ao vivo de perguntas e respostas com três de seus especialistas.
A transmissão esclareceu dúvidas sobre os riscos reais da doença, sua transmissão, sintomas, tratamento e medidas de prevenção, em meio à atenção da mídia internacional e à incerteza e ansiedade geradas pelo surto.
Embora o foco esteja no surto vinculado aos passageiros e à tripulação do cruzeiro, a OPAS lembrou que o hantavírus não é uma doença nova nas Américas. Em 19 de dezembro de 2025, a Organização emitiu um alerta epidemiológico diante do aumento de casos registrados naquele ano até a semana epidemiológica 47, que alcançou 229 casos confirmados e 59 mortes em oito países, principalmente no Cone Sul.
Em 2026, segundo relatórios preliminares dos países até a semana epidemiológica 15, foram notificados 94 casos e 13 mortes. O Chile registrou 38 casos e 13 óbitos, a Argentina, 32 casos; a Bolívia, 11; o Brasil, três; o Panamá, oito; e o Paraguai, dois. Esses números correspondem principalmente a casos esporádicos em zonas endêmicas e nem todos estão associados ao vírus Andes, encontrado principalmente na Argentina e no Chile.
Durante a sessão, especialistas enfatizaram que este evento não representa o início de uma nova pandemia.
Andrea Vicari, chefe da Unidade de Gestão de Ameaças Infecciosas, reiterou que o risco para a população em geral é baixo e que o surto atual de hantavírus se limita principalmente às pessoas que estiveram a bordo do cruzeiro e seus contatos próximos.
Em relação aos viajantes em geral, ele afirmou que não há risco aumentado para turistas comuns ou viajantes de negócios que se dirigem a grandes cidades das Américas. O risco surge principalmente em atividades específicas, como ecoturismo em áreas rurais ou trabalhos que impliquem contato com o meio ambiente (por exemplo, trabalhadores rurais ou da construção de estradas no Cone Sul) e possível exposição a roedores.
Jairo Méndez Rico, virologista da OPAS, explicou que os hantavírus são zoonóticos - ou seja, têm origem em animais e são transmitidos aos humanos - e que seu principal reservatório são espécies específicas de roedores. Esses vírus são transmitidos principalmente pela inalação de partículas provenientes da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus Andes, presente na América do Sul (Argentina e Chile), é o único que demonstrou uma capacidade limitada de transmissão de pessoa para pessoa, a qual requer contato muito próximo, prolongado e em ambientes fechados com pouca ventilação.
Ángel Rodríguez Mondragón, assessor em manejo clínico da OPAS, detalhou que os sintomas iniciais são inespecíficos - febre, mal-estar geral, dor de cabeça e náuseas -, mas o surgimento de dificuldade respiratória é um sinal de alerta que requer atendimento médico imediato. Não existe tratamento antiviral específico nem vacina; o manejo é de suporte médico e os pacientes devem ser tratados em unidades de terapia intensiva.
A OPAS continua trabalhando com seus Estados Membros para fortalecer a vigilância, o diagnóstico oportuno, o manejo clínico e a prevenção e controle da infecção, assim como a preparação diante desta e de outras doenças zoonóticas.