O secretário-geral do PCP acusou este domingo o Governo de estar a preparar um "assalto à Segurança Social" e apelou aos trabalhadores que deem "um forte sinal de rejeição", considerando que só assim será possível travar essa intenção.Durante o tradicional comício da Festa do Avante!, Paulo Raimundo classificou o Governo PSD/CDS como "mestre da propaganda e da ilusão"."Um Governo que jura a pés juntos que não o fará mas, caso tenha espaço para isso, tudo vai fazer para que o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores e assaltar a Segurança Social", acusou.Num discurso de mais de meia hora perante milhares de apoiantes, Paulo Raimundo disse que não é tempo de ilusões e defendeu que "só não avançarão se os trabalhadores, os reformados e a juventude derem, como estão a dar, um forte sinal de rejeição face a este assalto que está em marcha".O líder comunista deu como exemplo o que aconteceu com as alterações à lei laboral, que tiveram muita contestação na rua e acabaram rejeitadas no Parlamento, o que classificou como uma "grande vitória dos trabalhadores" e "uma vitória do PCP, do partido que nunca desistiu, que nunca vacilou, o partido de confiança e da confiança que nunca faltou do princípio até ao fim desta batalha".Paulo Raimundo acusou o Governo de querer "mesmo assaltar a Segurança Social comprometer as reformas de novas gerações" e considerou que "a proposta aprovada com o apoio do PS sobre a Prestação Social Única não é apenas para limitar o acesso à proteção social, estigmatizar a pobreza ou reduzir apoios"."Não surpreende que PSD e CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal, estejam, a partir das suas conceções reacionárias, unidos nestes objetivos. O que não se entende é a disponibilidade do PS para aparar o assalto que está em curso, um assalto que é preciso, de facto, levar muito a sério", afirmou.Raimundo apelou à mobilização para "travar o assalto à Segurança Social, o ataque às pensões, o prolongamento da idade da reforma" e reiterou as propostas para um aumento intercalar das pensões em 50 euros, com retroativos a julho, e pelo direito a uma reforma sem penalizações quando o trabalhador completar 40 anos de descontos.O secretário-geral comunista considerou que se trata de um "confronto claro entre projetos"."Um confronto entre os que, ao serviço de uma minoria, querem continuar o processo contrarrevolucionário e os que, como nós, tomam nas mãos o projeto dos valores de Abril, dos direitos de quem trabalha, de quem trabalhou uma vida inteira, os direitos da juventude e a soberania do nosso país", sustentou.A resposta, disse, passa pela mobilização e a "luta de massas, para interromper esta política e a ação deste Governo"."Este não é um tempo para experimentações sem percurso nem futuro e muito menos para ilusões que na primeira curva se transformam, como sabemos, em desilusões. Este não é o tempo para a armadilha do mal menor, essa armadilha que mantém tudo na mesma e alimenta ainda mais as forças reacionárias. Este é o tempo de apontar com clareza o rumo que o país precisa, é o tempo da coragem, da mobilização e da luta pela alternativa que não abdica do país e do seu povo definirem o seu próprio caminho e onde os direitos dos trabalhadores e do povo estão no centro da ação política", defendeu.