04/16/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/16/2026 04:11
No desaparecimento de José Luís Tinoco (1932-2926), o Presidente da República não pode deixar de relembrar a sua personalidade discreta, amável e entusiástica, nem o seu talento extraordinário e multidisciplinar.
José Luís Tinoco transitou entre a arquitetura - a sua área de formação escolar, onde deixou uma obra reconhecida e reconhecível pelos traços originais e pelas inovações que impôs nesse segundo modernismo dos anos 50 -, o design, a pintura e a música com o mesmo talento, criatividade e entusiasmo que marcaram a sua vida.
No design e nas artes plásticas ninguém poderá esquecer o modo como interpretou a obra de José Rodrigues Miguéis para desenhar as capas da obra completa deste grande escritor, ou como, já a partir dos anos 60, e com grande entusiasmo, apresentou exposições individuais e participou em coletivas de pintura, ou desenvolveu parcerias em trabalho com escritores (como António Lobo Antunes). Também não podemos esquecer que foi responsável por inúmeros trabalhos na área do design filatélico - alguns deles perpetuam de forma especial o seu génio e a história da filatelia portuguesa.
Mas foi na música, onde estabeleceu pontes entre o jazz (tanto em orquestras como em presenças mais intimistas, ao lado de Mário Laginha ou Bernardo Sassetti), o rock, a música ligeira e até o fado, que José Luís Tinoco é mais reconhecido pelo grande público.
Escreveu letras ou compôs canções que vão permanecer na nossa memória, como "Saudade", dos Trovante, "No teu Poema", de Carlos do Carmo, "Madrugada", de Duarte Mendes (vencedora de um festival da canção) ou as músicas de "Um Homem na Cidade" e "O Amarelo da Carris", para versos de José Carlos Ary dos Santos, bem como outras composições para poemas de Pedro Tamen e Yvette Centeno.
Os seus trabalhos, como a sua vida, foram o refúgio e a alma de um humanista para quem as artes estabeleciam contactos e colaborações permanentes ou invisiveis. Música, arquitetura, pintura, design em geral, ilustração ou cenografia para teatro - nenhum mundo lhe era estranho quando celebrava a alegria da criação.
Neste dia triste, o Presidente da República e os portugueses não podem deixar de o recordar com emoção.