Evento reuniu mais de 500 participantes e nomes de referência nacional para discutir os impactos da inteligência artificial no Direito, os desafios éticos da tecnologia e o futuro da advocacia e do Judiciário.
"O futuro do Judiciário certamente será tecnológico. Mas ele também precisa continuar sendo democrático, transparente e essencialmente humano." A reflexão da presidente da OAB-ES, Erica Neves, marcou a abertura do I Congresso da Advocacia Sul Capixaba, realizado em Cachoeiro de Itapemirim, nesta sexta-feira (15), e deu o tom dos debates promovidos ao longo do evento.
Com mais de 500 participantes e auditório lotado, o congresso reuniu palestrantes de referência nacional e importantes nomes da advocacia capixaba para discutir os impactos da inteligência artificial no Direito, os limites éticos da tecnologia e os desafios da modernização do sistema de Justiça. Durante sua fala, Erica destacou que "a inteligência artificial é a realidade concreta dentro dos nossos escritórios, das instituições públicas e dos tribunais", mas alertou que "nenhum sistema tecnológico é neutro e isento por natureza", reforçando a necessidade de equilíbrio entre inovação, responsabilidade institucional e preservação das garantias constitucionais.
A programação do congresso aprofundou o debate sobre as transformações tecnológicas no universo jurídico e as palestras abordaram temas como os impactos da inteligência artificial na advocacia contemporânea, os desafios éticos no uso de ferramentas automatizadas, a proteção de dados e a necessidade de preservação das prerrogativas da advocacia diante das novas tecnologias.
Na mesma linha de reflexão sobre o avanço digital, com o título "desafios da advocacia na era digital", o desembargador Helio Pepe destacou que "a transformação digital é uma questão da vida. E afirmou que todas as profissões, em maior ou menor impacto, precisarão se adaptar às mudanças tecnológicas e buscar soluções inovadoras fora da própria advocacia para aplicá-las ao direito."
Mesmo diante dessa realidade, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Antônio Fabrício de Matos Gonçalves, enfatizou que "a inteligência artificial deve servir o ser humano e não concorrer com o ser humano". Ao comentar sobre os desafios do uso da IA no sistema de Justiça, o magistrado defendeu que as ferramentas tecnológicas precisam ser supervisionadas pelos profissionais do Direito, evitando induções ao erro e garantindo segurança jurídica em todas as instâncias.
A programação reuniu nomes de referência nacional, como o ministro do TST Antônio Fabrício de Matos Gonçalves, além de desembargadores, professores, pesquisadores e advogados reconhecidos pela atuação acadêmica e profissional.
O presidente da Subseção de Cachoeiro, Henrique Tavares, afirmou que atualmente praticamente toda a advocacia já utiliza alguma ferramenta de inteligência artificial no exercício da profissão. Segundo ele, os profissionais ainda buscam compreender quais tecnologias melhor se adequam às diferentes áreas de atuação, ao mesmo tempo em que refletem sobre o futuro da advocacia diante da transformação digital.
Henrique destacou que a principal discussão envolve quais habilidades os advogados precisarão desenvolver nos próximos anos, considerando que muitas atividades burocráticas da profissão tendem a ser cada vez mais auxiliadas pela inteligência artificial. Ele ressaltou ainda que o próprio Poder Judiciário também enfrenta essa nova realidade tecnológica, o que torna essencial que os operadores do Direito compreendam o funcionamento dessas ferramentas para que possam utilizá-las de forma crítica, segura e responsável.
Ao final do evento, emocionada, com o auditório ainda lotado, a presidente da Ordem falou o quanto teve que enfrentar enquanto mulher na presidência e 0anunciou que no próximo ano será realizado o II Encontro.