Os ministros da Administração Interna da UE reúnem-se de emergência, na terça-feira, para discutir a situação em Ceuta, território espanhol em Marrocos, ao qual, nos últimos dias, chegaram milhares de migrantes. A reunião vai decorrer por videoconferência, avançou o primeiro-ministro da Irlanda, que assegura atualmente a presidência da UE.O agendamento da reunião responde aos pedidos de 22 Estados-membros para analisar a crise migratória no enclave espanhol e também do Governo espanhol. "Continuamos em estreito contacto com todos os Estados-membros e as instituições e acompanhamos de perto a situação", afirmou Micheál Martin, numa publicação nas redes sociais.O presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, foi um dos líderes europeus a pedir a realização de uma reunião de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta.Numa carta enviada este sábado às instituições europeias, Sánchez acusou vários Estados-membros de adotarem uma postura "egoísta" perante a situação e criticou aqueles que "optaram por atacar Espanha" e defender a sua exclusão temporária do Espaço Schengen. Segundo o líder espanhol, essa posição resulta de "preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos".Pedro Sánchez sustentou que esta atitude "não só é contrária ao Direito Europeu e ao Direito Humanitário", como também "aos princípios de solidariedade que nos unem". "No atual contexto internacional, a União Europeia não se pode dar ao luxo de adotar este tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal", escreveu.Em paralelo, um grupo de 22 líderes da União Europeia dirigiu outra carta às instituições europeias a solicitar a convocação de uma reunião por videoconferência para coordenar uma resposta à crise em Ceuta."Não podemos permitir que travessias massivas e descontroladas, a exploração da migração ou outras ameaças híbridas criem a impressão de que é possível entrar ilegalmente na União Europeia e que essa entrada ilegal possa ser transformada em residência legal", defendem os signatários.A carta é subscrita, entre outros, pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente a aplicação das regras do Espaço Schengen em relação a Espanha, e pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que também defendeu que a União Europeia deve ponderar a suspensão da cooperação Schengen com Madrid.Portugal e França, os dois países vizinhos de Espanha, não figuram entre os signatários desta iniciativa.REfira-se ainda que, em menos de 24 horas, a grande maioria das 50 mil pessoas (dados oficiais marroquinos, que as autoridades espanholas sobem para mais de 60 mil) que atravessaram a fronteira em Ceuta já regressou a Marrocos.Pelo menos 67 pessoas morreram na tentativa de alcançarem a costa de Ceuta a nado na quinta-feira, mas as autoridades locais admitiram que o número possa ainda aumentar.