PCdoB - Partido Comunista do Brasil

08/12/2026 | News release | Distributed by Public on 08/12/2026 13:22

Construção de um Brasil humanista é ponto central de proposta do PCdoB

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Compartilhe

Como parte de um movimento umbilicalmente ligado à luta pelos direitos humanos, o PCdoB atua, ao longo de toda a sua trajetória centenária, tendo essa questão como eixo central para a defesa de bandeiras fundamentais em diferentes épocas.

Ao apresentar sua contribuição ao programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - cujo norte é a implantação de um projeto de desenvolvimento transformador e soberano -, o Partido aponta como cláusula primordial "a construção de uma vida melhor para o povo, tanto na dimensão material quanto na dimensão cultural e espiritual das pessoas, especialmente para quem vive do trabalho".

O documento assinala que dessa premissa decorre "o compromisso histórico das forças progressistas, democráticas e de esquerda com a construção de uma sociedade humanista, fundada na plena efetivação dos direitos sociais, civis e humanos".

Isso compreende, prossegue o PCdoB, "a luta das mulheres pela igualdade e contra todas as formas de violência; o combate ao racismo e a promoção dos direitos da população negra; a defesa dos povos indígenas; a garantia dos direitos da população LGBTQIA+; e a proteção da liberdade religiosa".

Nesse sentido, os comunistas entendem que um programa de governo comprometido com a transformação real da sociedade "deve projetar um futuro de mobilidade social ascendente, valorização do trabalho e da renda, fortalecimento da cultura em suas dimensões simbólica, econômica e cidadã, consolidação dos direitos sociais e civis e conquista de novos direitos".

Ao mesmo tempo, deve promover "cidades mais humanas, assegurar estabilidade à vida coletiva, fortalecer a segurança pública, proteger os interesses nacionais e consolidar a democracia".

Enfrentando heranças seculares

Transformar essas bandeiras em realidade é fundamental, mas também um desafio. Afinal, o Brasil de hoje, apesar de todos os avanços obtidos no terceiro governo Lula após os anos obscuros de Jair Bolsonaro é, ainda, herdeiro de passivos seculares não resolvidos (como o machismo e o racismo) e de outros entraves que foram se desenvolvendo com mais força nas últimas décadas em meio à precarização do trabalho e da existência humana pela ação do capitalismo em sua fase mais destrutiva.

A ascensão da extrema direita aprofundou esses passivos e hoje, para que o País possa ser transformado estruturalmente, como projeta o PCdoB, é preciso enfrentar também os obstáculos impostos por essa frente política que ganhou força em parte considerável da população.

Produzido coletivamente, o documento apresentado pelo PCdoB considera o enfrentamento a esse cenário como aspecto central para o Brasil poder avançar. Para construí-lo, o partido contou com a colaboração de dirigentes e especialistas, entre os quais a secretária da Mulher, Flávia Calé, que não apenas trouxe a pauta feminista como, também, contribuiu para formatar as diretrizes voltadas ao desenvolvimento humano como um todo.

Leia também: Ingerência dos EUA e ação de facções exigem avanços em segurança e defesa da soberania

"O histórico da perda de direitos no Brasil está diretamente relacionado ao avanço das políticas neoliberais, que geram uma tensão permanente entre a consolidação dos direitos sociais conquistados na Constituinte de 1988 e as políticas econômicas de austeridade. Em busca de supostos 'equilíbrios fiscais', essa visão enfraquece o papel do Estado na promoção de políticas voltadas ao bem-estar da população, geração de emprego e valorização do trabalho. Essa base econômica produz uma sociedade profundamente desigual e cada vez mais pautada na concorrência entre indivíduos pela sobrevivência", argumenta.

Ela aponta que a falta de perspectiva de melhora estrutural das condições de vida e de futuro foram a base material para o crescimento do fascismo no Brasil e no mundo. "É sobre essa base que as big techs se assentam para a monetização do ódio e sua difusão, levando ao crescente aumento da violência sobre determinados setores sociais. E o ódio difundido nas redes repercutem na vida real", diz.

Violência seletiva

Assim, se por um lado o Brasil teve redução de 8% no número de homicídios, segundo o Anuário 2026 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, chegando à menor taxa de mortes por habitantes desde 2012, por outro o País teve um aumento considerável nas várias violências envolvendo mulheres e crianças (como as violências doméstica e sexual e o feminicídio).

Além disso, a população negra continua sendo o principal alvo das mortes violentas, sobretudo aquelas causadas por policiais. "A seletividade da violência está bastante assentada em fatores como raça, gênero, sexualidade e idade, que aumentam a vulnerabilidade de grupos específicos", diz Flávia.

Ela completa dizendo que "quando olhamos o fator raça, os dados evidenciam que pessoas negras representam 80% das vítimas de homicídio no País, indicando que as políticas de redução de violência não têm atingido essa população com a mesma eficácia".

Já o feminicídio, salienta, "atingiu patamares recordes em 2025, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, o que aponta para uma dinâmica de violência doméstica e de gênero que resiste à tendência de queda dos crimes comuns".

Saiba mais: PCdoB lança contribuições ao programa da campanha de Lula à presidência

Ela acrescenta que "a violência contra a população LGBT+ cresceu mais de 35% em apenas um ano" e que "as crianças e adolescentes são alvos de violências específicas e crescentes: 60% das vítimas de estupro no Brasil têm menos de 14 anos, e houve um aumento de quase 70% nos registros de bullying e cyberbullying".

Soma-se a isso outras necessidades específicas desses grupos e de outros como os povos indígenas e quilombolas, idosos e pessoas com deficiência.

Tal quadro não pode passar despercebido em nenhum projeto sério de desenvolvimento nacional. "Uma visão humanista das políticas públicas deve levar em consideração a melhoria da vida humana nas suas mais amplas dimensões, seja a material, cultural e espiritual como o centro de atuação", pondera Flávia.

O eixo humanista, conforme a proposta do PCdoB, não colide com avanços em campos como o econômico. Ao contrário, a elevação do país a um patamar de desenvolvimento mais avançado e transformador passa diretamente por assegurar condições dignas para a população, o que depende diretamente da esfera econômica.

Por isso, o documento afirma que "sem um novo e superior ciclo de crescimento econômico persistente não se projeta essa renovação de expectativas nem a ampliação dos direitos conquistados".

Nesse mesmo sentido, Flávia Calé conclui, salientando que "o impulsionamento de um novo ciclo de recuperação e avanço de direitos passa por um intenso processo de reindustrialização. É isso que dará as bases necessárias para fazer frente à extrema direita e proporcionar ao povo brasileiro condições de ter trabalho, segurança sobre seu futuro, direitos sociais e o maior bem de todos, que é direito à vida".

PCdoB - Partido Comunista do Brasil published this content on August 12, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on August 12, 2026 at 19:22 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]