03/10/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/11/2026 13:18
Alimentação pouco saudável está associada a mais de 1 milhão de mortes prematuras por ano na região.
Washington D.C., 10 de março de 2026 (OPAS) - Um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destaca avanços na adoção de sistemas de rotulagem nutricional frontal de advertência em alimentos na região das Américas e aponta oportunidades para fortalecer essas políticas com o objetivo de proteger a saúde pública.
A publicação "Mejores prácticas de etiquetado frontal de productos alimentarios en la Región de las Américas", em espanhol, analisa as regulamentações vigentes em oito países e as compara com a evidência científica e as recomendações da OPAS sobre como esses sistemas devem ser desenhados para serem mais eficazes.
Segundo o relatório, a região continua liderando a adoção de sistemas de rotulagem nutricional frontal de advertência, que orientam os consumidores para decisões de compra mais saudáveis. Além disso, esses avanços inspiram a inovação e a evolução das políticas em todo o mundo, contribuindo para enfrentar doenças relacionadas à alimentação e para melhorar a proteção da alimentação saudável.
"A rotulagem nutricional frontal de advertência é fundamental para ajudar os consumidores a identificar facilmente os produtos com quantidades excessivas de açúcares, gorduras ou sódio e a tomar decisões de compra mais informadas e saudáveis", afirmou Fabio da Silva Gomes, assessor regional em nutrição e atividade física da OPAS. "No entanto, ainda há muito a ser feito para que mais países adotem essas políticas e para que os sistemas existentes estejam alinhados com as melhores práticas baseadas em evidências", acrescentou.
As doenças crônicas não transmissíveis - como as cardiovasculares, o diabetes e alguns tipos de câncer - são a principal causa de morte na região e estão estreitamente ligadas à alimentação não saudável e ao alto consumo de produtos processados e ultraprocessados com níveis elevados de açúcares, gorduras e sódio.
A rotulagem nutricional frontal de advertência faz parte das políticas promovidas pela OPAS e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ajudar os governos a enfrentar o aumento das doenças crônicas não transmissíveis associadas à alimentação não saudável.
A análise mostra que vários países adotaram sistemas de rotulagem nutricional frontal de advertência nos últimos anos, entre eles Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai, Brasil e Equador.
O relatório destaca que Argentina, Colômbia e México são os países cujas normas estão mais alinhadas com as melhores práticas recomendadas pela OPAS. Esses países estão entre os mais recentes a adotar regulamentações de rotulagem frontal na região, o que lhes permitiu incorporar lições aprendidas de experiências anteriores. Em particular, a legislação argentina cumpre 10 dos 11 critérios analisados no estudo, que revisou os parâmetros implementados até junho de 2024.
Entre os aspectos avaliados estão: o desenho gráfico dos selos de advertência, os critérios nutricionais utilizados para determinar quais produtos devem levar rótulos e as restrições de publicidade e de declarações nutricionais nas embalagens de produtos com selos.
As evidências revisadas pela OPAS indicam que os selos de advertência octogonais, como os utilizados em vários países da região, são os mais eficazes para captar a atenção do consumidor e facilitar a identificação de produtos com alto teor de nutrientes críticos (como açúcar, sódio e gorduras saturadas, que podem afetar a saúde se consumidos em excesso).
O relatório também destaca que a rotulagem frontal não apenas ajuda os consumidores, mas também facilita a implementação de outras medidas para promover ambientes alimentares mais saudáveis. Entre elas estão restrições à publicidade dirigida às crianças, regulamentações sobre a oferta de alimentos nas escolas e políticas fiscais sobre produtos não saudáveis.
A publicação também ressalta que o modelo de perfil de nutrientes desenvolvido pela OPAS é uma ferramenta fundamental para identificar produtos que devem levar advertências e para garantir que os ultraprocessados com excesso de nutrientes críticos sejam objeto de regulamentação.
Embora o relatório reconheça avanços importantes, também identifica lacunas em alguns países, particularmente em aspectos como o tamanho e a localização dos selos, os critérios nutricionais utilizados e as restrições de marketing nas embalagens.
Embora o relatório analise regulamentações vigentes até meados de 2024, a rotulagem frontal de advertência continua avançando na região desde sua introdução pelo Chile em 2016. Atualmente, mais de 30 países estão avaliando ou discutindo novas regulamentações para introduzir esse tipo de advertência nas embalagens de alimentos, em linha com as melhores práticas e recomendações da OPAS, o que reflete um impulso crescente - tanto regional quanto global - para fortalecer políticas que promovam ambientes mais saudáveis.