A maioria das atenções estão viradas para o Mundial de Futebol, mas, no campo da política monetária, o jogo que esteve hoje em foco foi outro: a reunião de dois dias da Reserva Federal (Fed) norte-americana, que terminou com um "status quo" nos juros diretores - com a taxa dos fundos federais a manter-se no intervalo entre 3,5% e 3,75%, onde está desde dezembro passado. A decisão foi tomada por unanimidade. Recorde-se que, dos 18 membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), apenas 12 têm direito de voto. A manutenção dos juros era o cenário mais esperado, numa altura em que o entendimento entre os Estados Unidos e o Irão fez diminuir grandemente o tom das vozes que já apelavam a uma subida de juros, e que acabaria assim com o ciclo de cortes registado em 2024 e 2025. Mas os holofotes estiveram sobretudo em Kevin Warsh, já que se tratou da sua primeira reunião de política monetária à frente da Fed e todos queriam perceber qual seria a sua forma de comunicar - já que não é grande adepto de dar indicações futuras sobre o rumo das decisões do banco central. Em cima da mesa estava também a apresentação das projeções económicas trimestrais, bem como o "dot plot" - mapa trimestral que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores. E houve novidades logo no próprio comunicado de política monetária da Fed, que foi muito mais curto do que é habitual, tendo também sido retiradas as referências à tendência para cortes futuros dos juros.Além disso, no "dot plot", os responsáveis da Fed retiraram a sua previsão anterior de uma descida das taxas em 2026 e indicaram mesmo que é possível que haja um aumento de 25 pontos-base até ao final do ano - muito dependendo agora de como evoluirá a inflação, já que o fim da guerra no Irão deverá começar a trazer um alívio aos preços. No entanto, estas projeções não incluem a participação de um membro, o que levou os observadores do banco central a suspeitar que Warsh não terá apresentado a sua previsão, aponta a CNBC.(notícia em atualização)