SEAB - Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná

03/04/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/04/2026 14:07

Lideranças do agro do Paraná pedem R$ 670 bilhões para Plano Safra 2026/2027

Agricultura e Abastecimento Lideranças do agro do Paraná pedem R$ 670 bilhões para Plano Safra 2026/2027 04/03/2026 - 16:41

Em reunião na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), as entidades representativas do agronegócio paranaense entregaram, nesta quarta-feira (04), ao superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Almir Antonio Gnoatto, e à superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Leila Aubrift Klenk, a proposta do Paraná para o Plano Safra 2026/2027. O valor total reivindicado é de R$ 670 bilhões, dos quais R$ 486,3 bilhões seriam destinados ao crédito de custeio e comercialização e R$ 183,7 bilhões para investimentos. O montante solicitado é quase 13% superior ao que o Governo Federal disponibilizou para a safra 2025/2026. Além disso, as taxas de juros propostas são, em média, três pontos percentuais menores que as praticadas no último ciclo.

"Nossa proposta não foca apenas em volume de recursos, mas na qualidade do crédito. Precisamos de taxas de juros que permitam ao produtor investir em inovação e sustentabilidade. O Paraná é referência em produtividade e queremos manter esse protagonismo. O Plano Safra precisa ser um motor de modernização e não apenas um suporte de custeio", afirma o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes.

De acordo com a proposta das lideranças paranaenses, do volume total de R$ 670 bilhões, R$ 95 bi seriam recursos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 85 bi ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o restante, R$ 490 bilhões, aos demais produtores. O documento foi assinado na reunião pelos dirigentes das entidades e entregue aos dois representantes do Governo Federal. O mesmo documento será encaminhado também ao líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, e à presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella.

PROPOSTA CONJUNTA - A proposta foi elaborada de forma conjunta a partir de "um amplo e consistente processo de levantamento de informações conduzido pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep), pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). A construção do material contou com a colaboração de sindicatos rurais, produtores, cooperativas e profissionais de assistência técnica e extensão rural, garantindo representatividade e profundidade às contribuições reunidas", conforme destaca o documento.

Além do secretário Marcio Nunes, participaram da reunião o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette; o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal; e o diretor de Gestão de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Richard Golba.

"Já é tradição, todos os anos nós nos reunimos e elaboramos uma proposta conjunta para o Plano Safra", declarou o anfitrião da reunião, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, referindo-se ao trabalho conjunto feito pelas entidades do agronegócio paranaense. Ricken observou que as margens hoje na agricultura são mínimas e que quem não tem produtividade não consegue sobreviver, destacando a importância de um bom Plano Safra.

O analista da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, economista Salatiel Turra, fez a apresentação da proposta paranaense durante a reunião. Ele explicou que o pedido de juros menores para a safra 2026/2027 se sustenta pelo comportamento da taxa Selic. "A Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, com recuo para aproximadamente 10% em 2027. Embora o patamar atual continue elevado em termos históricos, observa-se que a taxa vem se posicionando em níveis inferiores aos registrados nos anos anteriores, o que contribui, ainda que de forma gradual, para a redução do custo de captação e, por consequência, sinaliza condições mais favoráveis para a diminuição das taxas de juros dos programas do Plano Safra", destacou.

Para Ágide Eduardo Meneguette, o Plano Safra é determinante para garantir previsibilidade e competitividade ao setor. "Estamos falando de um cenário desafiador para a safra 2026/27, com custos de produção pressionados. Por isso, defendemos um volume adequado de recursos, taxas compatíveis com a realidade do produtor e o fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco", afirma o presidente do Sistema FAEP.

A iniciativa reforça o protagonismo do Paraná na formulação do Plano Safra, principal instrumento de apoio ao desenvolvimento da agropecuária brasileira, e evidencia a articulação do setor produtivo paranaense junto aos Poderes Executivo e Legislativo na construção das diretrizes da política agrícola.

O compilado também reúne propostas para o aprimoramento dos mecanismos de gestão de riscos, com recomendações específicas voltadas ao seguro rural e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), refletindo o compromisso das entidades com a construção de um ambiente produtivo mais seguro, previsível e resiliente. O documento ainda destaca medidas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo sua relevância econômica, social e estratégica para a segurança alimentar do país.

Márcio Nunes agradeceu a parceria. "Neste período, foi possível estreitar o relacionamento com todas as entidades que representam a agricultura do Paraná", declarou. O presidente da Fetaep, Alexandre Leal dos Santos, disse que o momento é muito importante e simboliza a união de forças para apresentar uma pauta conjunta da agricultura paranaense. Ele alertou para os problemas de endividamento do produtor. "Precisamos tentar negociar as dívidas para fortalecer a agricultura familiar". O diretor de Gestão de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), Richard Golba, que representou o presidente do órgão, Natalino Souza, agradeceu a oportunidade de participar e destacou a capilaridade que tem o IDR no meio rural do Paraná. "A agricultura familiar enfrenta muitos desafios e esse plano é muito relevante", frisou.

CUSTEIO E COMERCIALIZAÇÃO - Dentro dos R$ 486,3 bilhões, o pedido é para R$ 50 bi para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); R$ 70 bi para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp); e R$ 366,3 bi para os demais produtores.

As entidades também solicitam o aumento do limite de contratação anual para R$ 4,5 milhões para os demais produtores e a elevação do limite de custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura, exploradas sob regime de integração não classificadas como cooperativa, de R$ 240 mil para R$ 400 mil.

INVESTIMENTO - Considerando o montante de R$ 183,7 bilhões para investimentos, o documento prevê a ampliação do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) de R$ 8,15 bilhões para R$ 9 bilhões; e o aumento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp Investimento) de R$ 10,2 bilhões para R$ 15 bilhões, incluindo a atividade de turismo rural.

No Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro) e no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), o pedido é de elevação dos recursos de R$ 3,8 bilhões para R$ 7 bilhões, além do aumento do limite de crédito por beneficiário para R$ 4 milhões e coletivo para R$ 12 milhões.

Já para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), a reivindicação é de aumento dos recursos de R$ 8,2 bilhões para R$ 9,7 bilhões, ampliação do limite de crédito para R$ 250 milhões em armazéns com capacidade acima de 12 mil toneladas, inclusão da armazenagem de produtos frigorificados de origem animal e vegetal e autorização para aquisição de armazéns usados.

JUROS - Para a safra 2026/27, o pedido é de juros máximos de 10,5%, dependendo da linha de custeio, comercialização e investimento. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o pedido é de 7%.

As entidades defendem que o Plano Safra 2026/2027 opere de forma estratégica, garantindo previsibilidade, condições adequadas de financiamento e instrumentos capazes de mitigar os efeitos de juros ainda altos sobre a atividade produtiva.

SEGURO RURAL - Entre os principais pontos do documento está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O pedido é de R$ 4 bilhões para o PSR, além da implementação de uma subvenção diferenciada para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, mais vulneráveis a eventos climáticos adversos.

O documento também propõe a transferência do orçamento do PSR para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (2OC), com aplicação obrigatória, a fim de evitar contingenciamentos.

No âmbito do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), as entidades defendem a destinação de recursos para que a Embrapa realize levantamentos técnicos que embasem o ZARC - níveis de manejo, ampliando a segurança das recomendações técnicas.

CONFIRA OS PRINCIPAIS PEDIDOS PARA O PLANO SAFRA 2026/27:

  • Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM)

- Corrigir em 20% os preços mínimos atuais;

- Incluir novos produtos;

- Melhorar a rentabilidade dos produtos;

- Promover a participação social e inclusão em políticas públicas.

  • Crédito para custeio e comercialização

- Disponibilizar R$ 486,3 bilhões para o custeio e comercialização da safra brasileira: R$ 50 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); R$ 70 bilhões para Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp); e R$ 366,3 bilhões para os demais produtores;

- Aumentar o limite de contratação anual para R$ 4,5 milhões para os demais produtores;

- Elevar de R$ 240 mil para R$ 400 mil os limites para custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura, exploradas sob regime de integração não classificadas como cooperativa.

  • Crédito para investimento

- R$ 183,7 bilhões para investimento da safra brasileira no total;

- Aumento do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) de R$ 8,15 bilhões para R$ 9 bilhões;

- Aumento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP Investimento) de R$ 10,2 bilhões para R$ 15 bilhões, incluindo atividade de turismo rural.

  • Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro) e Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro)

- Aumentar recursos de R$ 3,8 bilhões para R$ 7 bilhões;

- Aumentar o limite de crédito por beneficiário para R$ 4 milhões e coletivo para R$ 12 milhões;

- Excluir a obrigatoriedade de que o projeto seja limitado à demanda energética da atividade instalada.

  • Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA e PCA até 12.000 toneladas)

- Aumentar de R$ 8,2 bilhões para R$ 9,7 bilhões;

- Aumentar o limite de crédito de R$ 200 para 250 milhões para armazéns com capacidade acima de 12 mil toneladas;

- Incluir a armazenagem de produtos frigorificados de origem animal e vegetal;

- Incluir a aquisição de armazéns usados.

  • Gestão de risco rural

- Prever no Plano Safra 2026/2027 a liberação de R$ 4 bilhões para o ano de 2026 para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural;

- Implementação de uma subvenção diferenciada para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, que são mais vulneráveis a eventos climáticos adversos;

- Transferir o orçamento do PSR para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional, 2OC, com aplicação obrigatória.

  • Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)

- Disponibilizar recursos para a Embrapa realizar levantamentos e estudos técnicos que embasem o ZARC - níveis de manejo.

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