Federal Government of Brazil

04/17/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/17/2026 10:38

Na Espanha, Lula reafirma que busca por paz e direitos, e não o extremismo, é resposta a problemas

Nesta sexta-feira (17/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez pronunciamento oficial em Barcelona, durante visita de Estado à Espanha, ao lado do presidente Pedro Sánchez.

Lula afirmou que o Brasil, assim como a Espanha, tem se colocado contra a guerra entre nações como caminho para a resolução de problemas.

O presidente também destacou que seu governo tem intensificado a busca por ampliação de direitos sociais e enfrentado a ausência de regras na internet. Para Lula, o vale-tudo nos meios digitais equivale à violência extrema da guerra, pelo desrespeito aos direitos humanos e o uso de incautos como ferramenta de destruição de vidas.

Hoje, várias regiões do mundo estão novamente conflagradas. Assistimos atônitos a uma nova corrida armamentista. Mulheres e crianças viram alvos e a inteligência artificial substitui a ética humana", disse Lula

Leia o pronunciamento:

"Visitar Barcelona, neste momento da história, tem um sentido muito especial.

Há noventa anos, esta cidade tornou-se a capital espanhola durante uma guerra civil que mudou o rumo deste país e de todo o mundo.

A Espanha foi o laboratório da Segunda Guerra Mundial.

O horror sofrido pelo povo espanhol antecipou a maior carnificina da história.

Hoje, várias regiões do mundo estão novamente conflagradas.

Assistimos atônitos a uma nova corrida armamentista.

Mulheres e crianças viram alvos e a inteligência artificial substitui a ética humana.

Por isso, meu caro amigo Pedro Sánchez, eu entendo perfeitamente quando você diz "não" à guerra.

Eu também disse não à guerra quando assumi a presidência em 2003.

▶️ Assista à cobertura do Canal Gov:

Quando o então presidente dos Estados Unidos pediu que o Brasil participasse da guerra no Iraque, eu disse que a nossa guerra era outra.

Lutamos por uma sociedade justa, onde todos possam ter uma vida plena.

Trabalhamos para reduzir desigualdades dentro dos países e entre eles.

Queremos um mundo onde a soberania e as regras do multilateralismo sejam respeitadas.

Brasil e Espanha estão na mesma trincheira.

Somos o exemplo de que é possível construir soluções para os problemas que nos afligem sem ceder às promessas vazias do extremismo.

Amanhã participarei da quarta edição do Evento em Defesa da Democracia, que nasceu de uma preocupação que o presidente Pedro Sanchez e eu compartilhamos.

A democracia precisa ir além do voto e trazer benefícios concretos para a vida das pessoas.

Hoje, Brasil e Espanha firmaram um compromisso para fortalecer o apoio a microempreendedores individuais.

Também concluímos um acordo para promover a economia solidária e o cooperativismo.

A Espanha tem sido pioneira na adoção de leis e políticas que buscam responder aos atuais desafios do mundo do trabalho.

Sua experiência é muito valiosa para o Brasil.

Estamos discutindo a regulamentação do trabalho por plataformas, para promover o equilíbrio entre autonomia e a proteção.

Grande parte dos brasileiros têm o sonho de trabalhar por conta própria. Somos um povo empreendedor, com vontade de prosperar. Ter flexibilidade é uma grande aspiração da juventude, que precisa ser ouvida. Mas ser autônomo não pode significar falta de acesso a uma renda digna, a descanso remunerado e a seguridade social"

Para muitos trabalhadores, o vínculo empregatício formal ainda é um passaporte para a garantia de seus direitos.

Ter um emprego não pode ser sinônimo de renunciar à vida familiar ou ao lazer.

Queremos pôr fim à chamada jornada de trabalho seis por um, para permitir que o trabalhador e a trabalhadora tenham dois dias de descanso semanal.

Defender a família é assegurar que todo cidadão possa passar tempo de qualidade com seus entes queridos.

O papel dos governos é cuidar das pessoas.

Isso significa levar a sério uma das preocupações que mais crescem em todo o mundo: o aumento da criminalidade.

No Brasil, o afrouxamento das regras sobre posse de armas levou a desvios que beneficiaram os criminosos.

Os mesmos que promoveram essa medida irresponsável hoje querem terceirizar o enfrentamento ao crime organizado para outros países.

A cooperação internacional para o combate ao crime organizado precisa ser feita em bases igualitárias.

É esse tipo de colaboração que estabelecemos com a Espanha.

Realizamos operações conjuntas contra o narcotráfico, que resultaram na apreensão de mais de dez toneladas de drogas.

A Espanha já integra o Centro de Cooperação Policial Internacional do Rio de Janeiro.

Agora designará oficial para trabalhar com os países amazônicos no Centro de Manaus e participará da Coalizão pela Ação Multilateral contra Crimes Ambientais.

A Polícia Federal brasileira está à disposição para compartilhar com a guarda civil espanhola um software desenvolvido no Brasil, chamado Sistema Rapina, que detecta abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes na internet.

Hoje também assinamos um acordo para pôr fim à violência contra as mulheres.

Não é possível avançar como sociedade quando metade da população não tem respeitado sequer o direito mais básico de todos, o direito à vida.

Temos muito a aprender com a Espanha, que conseguiu reduzir - eu disse 65%, me disseram 30%, eu estou dizendo os dois números que depois a imprensa sabe o que foi - o número de feminicídios nos últimos anos.

Minha querida Janja teve a oportunidade de conhecer o sistema espanhol de monitoramento e proteção de vítimas, que queremos levar para o Brasil, minha querida Márcia.

O aumento da violência também está relacionado à propagação de discursos de ódio na internet.

O mundo virtual se tornou um ambiente tóxico, que afeta a saúde mental dos nossos jovens.

A Espanha criou a primeira agência de supervisão da Inteligência Artificial da Europa, uma iniciativa que visa garantir o uso ético dessa ferramenta.

O Brasil aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.

As redes terão a obrigação de aferir a idade do usuário e modificar certas funcionalidades, como a rolagem infinita, para menores de idade.

Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital.

Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar poder político e econômico nas mãos de um punhado de bilionários.

Para garantir sua soberania digital, Brasil e Espanha estão investindo em capacidades próprias.

Vamos promover a cooperação entre o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e o Laboratório Nacional de Computação Científica.

Essa colaboração vai permitir o desenvolvimento de projetos conjuntos em Inteligência Artificial e outras áreas.

A parceria que firmamos hoje com a Espanha mostra que é possível fazer diferente.

Assumimos o compromisso de cooperar em diferentes etapas da cadeia de minerais estratégicos, gerando conhecimento e agregando valor.

Queridos amigos e queridas amigas,

A união entre Brasil e Espanha foi decisiva para a aprovação do Acordo MERCOSUL-União Europeia, e eu quero aproveitar e agradecer de público ao companheiro Pedro Sanchez pela dedicação dele para que a gente conseguisse concluir esse acordo.

Mostramos ao mundo que é possível chegar a resultados vantajosos para todos por meio da negociação.

Os laços econômicos entre Brasil e Espanha são sólidos.

Em 2025, o país foi o quinto destino das exportações brasileiras.

O mercado espanhol é prioritário para diversas empresas brasileiras das áreas de alimentos, economia criativa e saúde.

Há duas décadas, a Espanha tem sido um dos maiores investidores no Brasil, com presença de destaque nos setores de telecomunicações, finanças, energia e infraestrutura.

Empresas espanholas arremataram cinquenta projetos no Programa de Parcerias e Investimentos brasileiro, somando mais de dez bilhões de dólares em investimentos.

Hoje fortaleceremos nossos vínculos realizando um Encontro Empresarial Brasil-Espanha.

Os milhares de brasileiros que escolheram a Espanha como lar estão contribuindo para a prosperidade deste país.

A política espanhola de regularização migratória reconhece essa contribuição.

Hoje firmamos um acordo de cooperação consular que vai fortalecer a assistência que prestamos a nossos nacionais.

Também decidimos prorrogar nosso acordo previdenciário, para garantir o acesso de nossos cidadãos à aposentadoria nos dois países.

Em um ano de Copa do Mundo, Brasil e Espanha jogam juntos no combate ao racismo, dentro e fora dos gramados.

Estipulamos um plano de ação conjunto para enfrentar a discriminação e a xenofobia.

Concordamos em fortalecer nossa cooperação cultural e assinamos o primeiro acordo sobre cultura e sustentabilidade já firmado pelo Brasil.

A relação entre dois países é construída pelos governos, pelas empresas e pelas pessoas.

Os vínculos entre Brasil e Espanha, em todos esses níveis, são algo extraordinário e muito precioso para o meu país.

Muito obrigado."

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