06/17/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/17/2026 14:07
O Museu Casa Kubitschek (MCK) inaugura, no próximo sábado (20), às 10h, a exposição "Vivências na Pampulha", uma experiência que convida o público a percorrer as dimensões humanas, afetivas e cotidianas de um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do país. Integrada à mostra "Traçar Moderno: Construindo Formas e Trajetórias" e em diálogo com "Retratos de uma Era - as fotos raras de JK", que também estão em cartaz no espaço, a nova curadoria integra as celebrações pelos dez anos da inscrição do Conjunto Moderno da Pampulha na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
A ação faz parte do projeto Museus Pampulha, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Lumiar, e tem o apoio do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, viabilizado pelo Fundo Especial do Ministério Público - FUNEMP. Mais informações no Portal PBH.
A proposta da exposição parte da compreensão de que o patrimônio não se sustenta apenas na arquitetura ou na materialidade dos edifícios, como também nas pessoas que vivem, atravessam, ocupam e atribuem sentido a esse território. Moradores, trabalhadores, visitantes, artistas, pescadores, turistas, ciclistas, estudantes e praticantes de manifestações culturais e religiosas compõem a trama de experiências e afetos que mantém a Pampulha viva e em constante transformação. Ao aproximar arquitetura, memória e experiência, a exposição transforma o MCK em um espaço de encontro entre diferentes narrativas e formas de habitar a cidade.
Para a secretária municipal de Cultura, Cida Falabella, a mostra amplia a compreensão sobre aquilo que constitui um patrimônio cultural e sobre os vínculos que o mantêm vivo ao longo do tempo. "A Pampulha é reconhecida internacionalmente pela potência da arquitetura e pela integração entre arte, paisagem e urbanismo. Além disso, existe uma dimensão igualmente importante: a das experiências humanas produzidas nesse território. A exposição traz para o centro dessa narrativa as pessoas que vivem, trabalham, atravessam, celebram e constroem relações afetivas com a Pampulha no cotidiano."
A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destaca que a curadoria estabelece novas camadas de leitura para o Museu Casa Kubitschek e para as exposições atualmente em cartaz. "Ao mesmo tempo em que dialoga com a história modernista da Casa e com a dimensão íntima apresentada em 'Retratos de uma Era', a mostra amplia o olhar para outras experiências e narrativas que também constituem a Pampulha. Isso aproxima o público de histórias muitas vezes invisibilizadas e evidencia que esses lugares continuam sendo transformados pelas pessoas e pelas relações construídas diariamente."
Para Janaína França, curadora da exposição, a homenagem proposta pela mostra passa pela compreensão do patrimônio como algo vivo e em permanente construção. "Existe uma parte do patrimônio que é permanente, protegida e materializada na arquitetura. Mas existe também outra dimensão, que muda todos os dias. É a vida que percorre essas ruas, ocupa as margens da lagoa, produz encontros e cria memórias. É ela que confere significado a esse território. Por isso, ampliamos a ideia de patrimônio para incluir as pessoas e suas vivências."
Distribuída por diferentes ambientes do Museu, a exposição busca evidenciar as relações afetivas estabelecidas com a Pampulha por meio de uma experiência sensorial e imersiva. Cozinha, jardins, hall do elevador e closet transformam-se em territórios de memória, encontro e experimentação.
Na cozinha, a curadoria lança um olhar para as dimensões domésticas e afetivas da casa. Espécies vegetais presentes na região, referências culinárias, registros de encontros e experiências ligadas ao olfato aproximam o visitante das relações entre paisagem, intimidade e modos de viver. O espaço também homenageia Dona Maria, funcionária da família Guerra que viveu por muitos anos na residência que hoje abriga o Museu. Ela representa tantas trabalhadoras e trabalhadores que contribuíram para a construção cotidiana da Pampulha e permaneceram invisibilizados ao longo da história.
Os jardins revelam uma perspectiva pouco explorada sobre o legado de Roberto Burle Marx. Além de seu valor estético e paisagístico, o espaço passa a ser percebido a partir da relação com o corpo, os sentidos e a memória afetiva. Plantas aromáticas e frutíferas integram um percurso que convida o público a experimentar novas formas de interação com a paisagem.
No hall do elevador, uma instalação composta por bordados e depoimentos apresenta um mapa afetivo da Pampulha. Diferentes pessoas compartilham lembranças, trajetórias e lugares de identificação, revelando uma paisagem construída não apenas pela arquitetura, mas também pelas experiências de quem a habita e se apropria desta paisagem.
Já no closet, um mosaico fotográfico reúne rostos e histórias que ajudam a construir a memória social do território, com imagens feitas pelo fotógrafo Marcelo Sant'Anna.
Ao reunir memórias, afetos e diferentes formas de ocupação do território, "Vivências na Pampulha" propõe uma reflexão sobre preservação para além da conservação física dos espaços. A mostra evidencia que o patrimônio permanece vivo porque continua sendo apropriado, vivido e compartilhado pelas pessoas.
Ao final do percurso, o Museu Casa Kubitschek revela-se não apenas como um marco da arquitetura moderna brasileira, mas como um lugar de convivência, memória e transformação.
Serviço
Abertura da exposição "Vivências na Pampulha"
Data: 20 de junho (sábado)
Horário: 10 horas
Local: Museu Casa Kubitschek (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4188 - Pampulha)
Funcionamento: De quarta a domingo, das 10h às 18h
Atividade gratuita / Classificação livre