O líder parlamentar do Partido Socialista acredita que deter "13,7% da REN não garantem a determinação da política de investimentos da empresa", numa crítica às justificações apresentadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, à decisão de adquirir a participação da Pontegadea de Amancio Ortega na empresa que gere a rede elétrica nacional.Na chega à rentrée política dos socialistas, em Olhão, Eurico Brilhante Dias foi questionado sobre o anúncio da reentrada do Estado no capital da REN - de onde tinha saído totalmente em 2014 - e os motivos apontados por Montenegro para avançar com tal decisão, nomeadamente a necessidade de "participar nas decisões de investimento e estratégicas", com o objetivo último de "baixar o preço da energia".Na resposta, transmitida pelas televisões, o líder parlamentar socialista afirmou que o anúncio da compra
"é a prova de que não tem nada a dizer ao país". E levantou também dúvidas sobre os detalhes do negócio, nomeadamente o valor gasto pelo Executivo na operação. O valor acordado com a Potegadea de Ortega não foi revelado no comunicado da REN publicado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). "Provavelmente terão pago 50% acima" do valor da venda dos 11% que fecharam a saída da empresa em 2014, atirou Brilhante Dias, adiantando depois que os socialistas não entendem "a lógica" da operação.
"Não sabemos se vamos ter 50%, se é um primeiro passo", frisou, garantindo que o PS irá questionar o Executivo sobre todos estes detalhes.Na sexta-feira, ao final do dia e antes da Festa do Pontal que marca a rentrée do PSD, a REN divulgou ao mercado que "recebeu uma comunicação por parte da Pontegadea Inversiones, S.L., informando que essa sociedade celebrou, nesta data, um contrato com a Parpública, Participações Públicas, SGPS, S.A., tendo por objeto a transmissão de 91.723.676 ações de que é diretamente titular, representativas de, aproximadamente, 13,7% do capital social da sociedade", refere o comunicado. O comunicado refere ainda "que a respetiva compra e venda se encontra condicionada à concessão de visto do Tribunal de Contas".Os valores da transação não foram revelados, mas tendo como referência a cotação das ações no fecho da sessão desta sexta-feira, nos 3,54 euros, a participação está avaliada em 324,7 milhões de euros. A Pontegadea é a segunda maior acionista da REN, a seguir à State Grid Corporation of China, que detém 25% do capital. A aquisição da participação detida pelo "family office" de Ortega, fundador da Inditex, dona da Zara, marca o regresso do Estado ao capital da empresa cerca de 12 anos após a Parpública e a Caixa Geral de Depósitos terem vendido as ações que ainda detinham da empresa, privatizada gradualmente desde 2007, com a maior fatia a ser alienada em 2012 durante o Governo de Passos Coelho.No Pontal, Montenegro afirmou que a entrada no capital da empresa é um "bom investimento financeiro", referindo que a REN "remunera o seu capital em 4% ao ano", salientando que a "vantagem financeira também é importante" e prometendo que o valor arrecadado será reinvestido nos setores sociais.