Presidency of the Portuguese Republic

07/22/2026 | Press release | Distributed by Public on 07/22/2026 06:05

Intervenção na Sessão solene de abertura do Fórum Económico Cabo Verde – Portugal

É com grande satisfação que participo na abertura deste Fórum Económico Cabo Verde - Portugal.

Os nossos países estão unidos por uma relação singular, feita de história, língua e cultura. Mas, sobretudo, feita de pessoas e de comunidades que todos os dias nos aproximam.

Esta proximidade é um património precioso. Como memória e essencialmente como uma força para construir o futuro.

A nossa relação económica parte de uma base sólida.

Em 2025, o comércio bilateral de bens e serviços entre os dois países aproximou-se de mil milhões de euros. Estes números revelam uma relação empresarial com raízes profundas. Mostram também uma relação mais recíproca do que por vezes se pensa: Portugal é o principal fornecedor de bens de Cabo Verde, mas Cabo Verde fornece a Portugal um volume muito significativo de serviços, sobretudo através da escolha deste fabuloso destino turístico por muitos portugueses.

As mercadorias portuguesas representaram quase metade do total importado por Cabo Verde, e Portugal mantém também uma posição destacada entre os investidores estrangeiros.

Temos uma base sólida. Mas os números são um ponto de partida, não um ponto de chegada. Estes números revelam confiança. Mas também a responsabilidade de irmos mais longe.

Precisamos de passar das trocas comerciais para parcerias estratégicas. De transformar comércio em investimento produtivo. E de orientar esta relação para melhores resultados.

O primeiro desafio é executar.

Portugal e Cabo Verde criaram instrumentos importantes na VII Cimeira Bilateral, realizada em Lisboa em janeiro de 2025, da qual destaco o compromisso de disponibilizar uma linha de crédito até 100 milhões de euros para projetos empresariais e o mecanismo de conversão de dívida em investimento climático, de 42,5 milhões de euros, permitindo a participação de Portugal no Fundo Climático e Ambiental criado por Cabo Verde.

Este mecanismo inovador permitirá que em simultâneo sejam cumpridos os objetivos de alívio dos efeitos do serviço da dívida externa de Cabo Verde e de promoção de investimentos estruturantes nos domínios climático e ambiental.

Esses instrumentos têm de chegar às empresas e transformar-se em projetos, emprego, exportações e melhores condições de vida.

O reforço da Central Fotovoltaica do Palmarejo, já em execução, mostra que o mecanismo de conversão de dívida a Portugal em investimento ambiental e climático pode passar do acordo à obra. E temos um segundo projeto, estruturado para alimentar com energia solar estações elevatórias e furos de captação de água na ilha de Santiago.

O passo decisivo é agora concluir os procedimentos de contratação e avançar para a execução, transformando o financiamento em água mais acessível, energia mais limpa e resultados mensuráveis.

O segundo desafio é diversificar.

O turismo continuará a ser um pilar essencial da economia cabo-verdiana e um importante destino do investimento português. Temos de ser mais ambiciosos. Cada novo empreendimento deve criar oportunidades para o desenvolvimento de outros setores: a agricultura, as pescas, a indústria alimentar, a cultura, os transportes e os serviços digitais.

O turismo deve ser uma plataforma para a economia local, não uma atividade desligada dela. É aqui que a conectividade interilhas se torna decisiva.

Num arquipélago, o transporte marítimo e aéreo não é apenas mais um setor. É a infraestrutura do mercado nacional, da coesão territorial e da igualdade de oportunidades.

Ligações regulares, acessíveis e previsíveis integram produtores, empresas e destinos turísticos numa mesma cadeia de valor.

O investimento em transportes, portos, cadeias de frio e logística deve traduzir-se em melhor serviço, custos mais baixos e maior participação de todas as ilhas no crescimento.

Não pretendemos apenas mais investimento português. Queremos melhor investimento: mais diversificado, mais sustentável e com maior participação da economia cabo-verdiana.

O terceiro desafio é tratar a energia e a água como prioridades económicas e de soberania.

Sem água não haverá agricultura moderna, segurança alimentar ou turismo sustentável.
Sem energia fiável e competitiva não haverá indústria, serviços digitais ou novo investimento.
Portugal está disponível para colocar a experiência dos Açores e da Madeira ao serviço de soluções insulares nas energias renováveis, no armazenamento, na dessalinização e na reutilização da água.
Água e energia não são apenas políticas ambientais.

O quarto desafio é produzir inovação em conjunto.

Cabo Verde dispõe hoje do TechPark, de centros de dados, de experiência na governação digital e de talento jovem. A cooperação empresarial já abrange o software, a cibersegurança, a formação e os serviços tecnológicos.

A nossa ambição não deve ser apenas levar tecnologia portuguesa a Cabo Verde. A nossa ambição é desenvolver tecnologia com Cabo Verde.

Formar talento. Apoiar empresas e startups a ganhar escala. Produzir soluções exportáveis para outros mercados africanos e para a Europa. Também aqui precisamos de escala, consistência e velocidade. As parcerias entre empresas dos dois países são essenciais.

Finalmente, devemos construir uma plataforma atlântica de dois sentidos.

Cabo Verde pode aproximar as empresas portuguesas da África Ocidental. Portugal pode facilitar o acesso das empresas cabo-verdianas ao mercado europeu. Mas esta ponte só será sólida se o valor circular nos dois sentidos.

Queremos mais parcerias entre empresas portuguesas e cabo-verdianas. Mais fornecedores locais. Mais transferência de conhecimento. Mais participação de capital cabo-verdiano. E mais empresas de Cabo Verde a investir e a crescer em Portugal.

Devemos também mobilizar a diáspora, não apenas como fonte de remessas, mas como fonte de capital, conhecimento e redes empresariais.

Amanhã, na ilha da Boa Vista, a V Conferência da Década do Oceano mostrará de novo que o mar é espaço de cooperação, conhecimento e desenvolvimento sustentável.

E, em dezembro, o primeiro evento da marca Web Summit em África será uma oportunidade extraordinária para unir talento, empresas e investidores. Portugal quer ser parceiro desta ambição.

Queremos parcerias entre empresas portuguesas e cabo-verdianas - e não apenas relações entre fornecedor e cliente. Projetos que integrem fornecedores locais, formem quadros, transfiram tecnologia, criem oportunidades para os jovens e reforcem a capacidade exportadora de Cabo Verde.

O investimento precisa de previsibilidade, estabilidade, transparência e decisões em tempo útil. Precisa também de financiamento acessível às pequenas e médias empresas.

A boa regulação é também uma infraestrutura económica: cria confiança, protege os consumidores e dá segurança a quem investe. A cooperação existente entre os reguladores dos dois países, nas áreas da água, da energia, dos transportes e das comunicações, reforça capacidades e contribui para melhorar a qualidade dos serviços.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A amizade entre Portugal e Cabo Verde está há muito demonstrada. A história aproximou-nos. A língua quebra barreiras. A democracia e a confiança unem-nos. Mas o futuro exige trabalho. O que temos agora de demonstrar é todo o seu potencial económico.

O sucesso desta nova etapa não será medido pelo número de declarações assinadas. Será medido pelos resultados dos projetos executados, pelas empresas criadas, pelos empregos qualificados, pelas exportações geradas e pela melhoria concreta da vida das pessoas.

Portugal não olha para Cabo Verde apenas como um mercado. Olha para Cabo Verde como um parceiro estratégico, com quem quer produzir, inovar, investir e competir. Projeto a projeto.

Façamos deste Fórum o início de uma aliança económica mais produtiva, mais inovadora, mais equilibrada e verdadeiramente partilhada.

Muito obrigado!

Presidency of the Portuguese Republic published this content on July 22, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on July 22, 2026 at 12:06 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]