06/19/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/19/2026 13:02
Tecnologia para monitorar o desempenho físico
A pesquisa teve como objetivo desenvolver um sensor eletroquímico vestível capaz de monitorar biomarcadores relacionados ao desempenho esportivo de forma não invasiva. O estudo buscou avaliar se um novo material condutor, produzido a partir da combinação de borracha líquida e negro de carbono, poderia ser utilizado na fabricação de sensores flexíveis e de baixo custo para futuras aplicações no monitoramento de lactato no suor humano.
Para isso, os pesquisadores criaram uma tinta condutora inédita e a aplicaram sobre um substrato flexível fabricado com o mesmo material. O dispositivo foi submetido a diferentes etapas de caracterização e avaliação eletroquímica até ser empregado na detecção de peróxido de hidrogênio, composto diretamente relacionado à futura análise de lactato por meio de processos enzimáticos.
Segundo Janegitz, a principal inovação do trabalho está na combinação entre flexibilidade, baixo custo e potencial de aplicação prática. "O estudo demonstrou que é possível produzir sensores vestíveis utilizando materiais acessíveis e técnicas relativamente simples, sem comprometer a qualidade analítica. Isso abre perspectivas importantes para o desenvolvimento de dispositivos destinados ao monitoramento esportivo e à saúde personalizada", destaca o pesquisador.
Os resultados mostraram que o sensor apresentou elevada sensibilidade, estabilidade e excelente desempenho na detecção de peróxido de hidrogênio, demonstrando ser uma plataforma promissora para futuras análises de lactato em suor humano durante atividades físicas.
O lactato é um importante indicador fisiológico associado à fadiga muscular, à intensidade do exercício e à recuperação física. Atualmente, sua medição costuma exigir métodos invasivos, como a coleta de sangue. A tecnologia desenvolvida pela equipe da UFSCar busca oferecer uma alternativa mais prática e confortável para atletas e profissionais da saúde.
"A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico. Isso pode beneficiar atletas, treinadores, profissionais da medicina esportiva e até mesmo aplicações voltadas ao monitoramento personalizado da saúde", explica Janegitz.
Reconhecimento internacional
Criado em 1986, o Eseac é um congresso bienal que reúne pesquisadores de diversos países para discutir avanços em eletroanálise, sensores, biossensores, dispositivos vestíveis, novos materiais e aplicações biomédicas, ambientais e energéticas. A edição de 2026 reuniu participantes da Europa, América, Ásia e outras regiões do mundo.
Para Janegitz, o prêmio representa não apenas o reconhecimento da qualidade científica do trabalho desenvolvido, mas também da capacidade da pesquisa brasileira de contribuir para desafios tecnológicos globais.
"Receber esse prêmio em um dos principais eventos internacionais da área é extremamente significativo. É um reconhecimento ao trabalho da estudante Rafaela, da equipe do laboratório e ao ambiente de pesquisa construído na UFSCar. Mostra que estamos produzindo ciência de excelência e contribuindo para o avanço do conhecimento em temas de grande relevância para a sociedade", conclui.
A conquista reforça a inserção internacional das pesquisas desenvolvidas na UFSCar e evidencia o potencial das investigações realizadas no LSNano para o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas à saúde, ao esporte e à qualidade de vida.