PAHO - Pan American Health Organization

05/29/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/29/2026 13:30

“Brasil tem condições de se tornar um país livre do tabaco como problema de saúde pública até 2030”, afirma representante da OPAS/OMS no Brasil

Rio de Janeiro, 28 de maio de 2026 - Com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Associação dos Servidores Municipais, Estaduais e Federais do Rio de Janeiro (Assist), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) promoveu nesta quinta-feira (28/5) uma cerimônia em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado todos os anos em 31 de maio. A data foi criada em 1987 por Estados Membros da OMS, com o intuito de chamar a atenção global para a epidemia do tabagismo e as mortes e doenças evitáveis ​​que ele causa. O evento, realizado no município do Rio de Janeiro, contou com a participação de instituições, sociedade civil, gestores e trabalhadores de saúde.

O representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales, afirmou que o Brasil é uma referência mundial no controle do tabagismo e tem condições de se tornar um país livre do tabaco como problema de saúde pública até 2030. "Apenas sete países das Américas oferecem serviços de cessação (do tabagismo). A OPAS está trabalhando com o INCA e Ministério da Saúde para impulsionar a disseminação da experiência brasileira na Região. Mais uma vez, o SUS está na ponta", ressaltou.

Cristian Morales enfatizou ainda que adolescentes e jovens têm sido alvo das indústrias de tabaco e nicotina, principalmente em relação ao uso dos dispositivos eletrônicos. "No mundo, 40 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos consomem tabaco e 15 milhões deles usam cigarros eletrônicos. Nas Américas, a realidade também assusta: 2,6 milhões usam tabaco e 2 milhões usam cigarros eletrônicos", revelou. Neste contexto, o representante da OPAS/OMS fez um chamado à ação: "Precisamos impulsionar ações intersetoriais com uma perspectiva sinérgica dos principais fatores de risco de doenças crônicas (tabaco, álcool e ultraprocessados), que impactam substancialmente a saúde de crianças e adolescentes, ameaçando a saúde das futuras gerações e do planeta."

Para o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, não vivemos mais apenas a época do tabagismo, mas também da nicotina. "E tenho aprendido que a capacidade inventiva para o mal da indústria é impressionante. E é impressionante porque é o poder de sedução de nossas crianças, nossos adolescentes, e temos que estar muito atentos para isso. Isso é realmente uma enorme preocupação", complementou, afirmando que um produto que mata um a cada dois usuários não poderia existir.

As peças de comunicação da campanha do Dia Mundial Sem Tabaco deste ano foram apresentadas pela OPAS/OMS ao público. O lema de 2026 é "Vamos expor os falsos atrativos e combater o vício em tabaco e nicotina" e reforça como as indústrias de tabaco e nicotina desenvolvem deliberadamente produtos para aumentar seus atrativos e potencial viciante, incluindo a utilização de açúcares, aromas e agentes refrescantes para mascarar a aspereza e facilitar a inalação, especialmente para os jovens.

Em sua fala, a secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco e de seus Protocolos (CONICQ), Vera Luiza da Costa e Silva, frisou que o tema do Dia Mundial Sem Tabaco deste ano não poderia ser mais atual. "Os estudos mostram que as crianças estão experimentando cada vez mais esses novos produtos, substituindo cigarros. Ele pontuou que adolescentes e jovens estão transicionando para drogas com mais tecnologia, nicotina sintética, produtos com aditivos. E a gente tem, a partir daí, uma atratividade muito aumentada para que nossas futuras gerações sejam captadas pela indústria da nicotina e, na verdade, se tornem uma geração de dependentes da nicotina."

Segundo a coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, a campanha deste ano reforça a necessidade de expor as estratégias que tornam os produtos do tabaco e da nicotina mais atrativos, especialmente para crianças, adolescentes e jovens. "No Ministério da Saúde, destacamos uma preocupação crescente com os dispositivos eletrônicos, também conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes. Esses produtos têm sido apresentados com linguagem moderna, sabores atrativos, forte apelo visual e intensa circulação em ambientes digitais. No entanto, é preciso afirmar com clareza que não há dispositivo eletrônico para fumar seguro. Do ponto de vista da saúde pública, a prevenção da iniciação é decisiva. Quanto mais cedo ocorre a exposição à nicotina, maior o risco de dependência e de manutenção do consumo ao longo da vida", observou.

Letícia de Oliveira Cardoso, diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças não Transmissíveis do Ministério da Saúde, também apontou esses novos produtos da indústria do tabaco como um dos principais desafios a serem superados no Brasil. "Estamos em um momento em que a prevalência de experimentação de cigarros entre jovens de 13 a 17 anos diminuiu, mas triplicou a experimentação, entre 2019 e 2024, dos dispositivos eletrônicos de fumar. Esse é um alerta".

"O tabagismo continua sendo uma das maiores ameaças à saúde pública do planeta e permanece como uma das principais causas evitáveis de morte no mundo e um fator de risco para doenças crônicas graves, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias", comentou Stefania Schimaneski Piras, gerente-geral de Registro e Fiscalização de Produtos Fumígenos, derivados ou não do tabaco, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela acrescentou que o Brasil não apenas ratificou a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, mas também adotou uma série de ações contínuas e estruturadas - entre elas a proibição total da propaganda, publicidade e patrocínio de produtos derivados do tabaco e a obrigatoriedade do uso de imagens de advertências sanitárias nas embalagens de todos os produtos fumígenos.

Também participaram do evento o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi; o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Valcler Rangel; a ex-ministra da Saúde do Brasil e pesquisadora emérita da Fiocruz, Nísia Trindade; a diretora do Departamento de Gestão Hospitalar no Estado do Rio de Janeiro, Elaine Machado Lopez; a responsável técnica da área de controle do tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio De Janeiro, Ana Helena Rissin; a representante do Instituto Nacional de Cardiologia, Ana Patrícia Nunes De Oliveira; o presidente da Fundação Severino Sombra (Fusve), Gustavo Amaral; e o diretor de Operações da Fundação do Câncer, Reinhard Braun.

Prêmios do Dia Mundial Sem Tabaco 2026

Durante o evento, a OPAS e o INCA entregaram o prêmio do Dia Mundial Sem Tabaco, concedido todos os anos pela OMS a pessoas ou instituições que tenham feito contribuições notáveis para o avanço de políticas e medidas no âmbito da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT). Neste ano, o Brasil conta com duas homenagens: uma ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, que demonstrou compromisso e liderança na restauração e no fortalecimento da Política Nacional e do Plano Nacional de Alternativas em Áreas Cultivadas com Tabaco. A outra homenageada é Mônica Andreis, diretora e presidente da ACT Promoção da Saúde, que tem sido uma das líderes mais influentes no controle do tabaco no Brasil ao longo de seus 20 anos de carreira.

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