RSF - Reporters sans frontières

03/03/2026 | Press release | Archived content

Guerra no Irã: Acesso restrito à informação, repórteres trabalhando sob fogo, jornalismo em tempos de crise

Desde o início da ofensiva norte-americana e israelense contra o Irã, jornalistas no país têm trabalhado em meio a ataques aéreos hostis, ao mesmo tempo em que enfrentam repressão do regime iraniano. O acesso à internet no país continua limitado e as informações são escassas. À medida que a guerra se espalha pela região, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expressa sua solidariedade aos jornalistas na zona de conflito e pede a todas as partes envolvidas que garantam sua proteção e o direito à informação.

"À medida que a região entra em chamas, o acesso a informações confiáveis sobre a guerra após o ataque realizado pelos Estados Unidos e por Israel é mais essencial do que nunca - tanto regional quanto internacionalmente. Todos os atores envolvidos nesta guerra no Irã e no Oriente Médio de forma mais ampla são obrigados, pelo direito internacional, a garantir a segurança dos repórteres e sua liberdade para realizar seu trabalho. Embora a situação seja volátil e marcada pela violência, o respeito ao direito à informação continua sendo uma obrigação. A segurança dos jornalistas é inegociável. A guerra não deve, em nenhuma circunstância, dificultar o trabalho da imprensa. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não devem colocar em risco os profissionais da mídia que cobrem esses acontecimentos. O regime iraniano deve libertar imediatamente os jornalistas que mantém detidos e cessar todas as pressões contra aqueles que cobrem a guerra.

Jonathan Dagher
Responsável do escritório do Oriente Médio da RSF

A repressão implacável do regime iraniano contra os profissionais da mídia agora é agravada pela realidade de viver e trabalhar sob ataques aéreos. A ofensiva norte-americana e israelense lançada no sábado, 28 de fevereiro, contra o Irã matou 787 pessoas, segundo o Crescente Vermelho iraniano, incluindo vários comandantes iranianos e o ditador Ali Khamenei. "Os jornalistas estão trabalhando sob bombas estrangeiras e recebendo telefonemas ameaçadores das autoridades", disse um jornalista independente à RSF. Com medo de represálias, ele pediu anonimato. "Essa pressão política não parou com a guerra. Pelo contrário, intensificou-se desde o anúncio da morte de Khamenei." O jornalista é um dos muitos repórteres que tiveram de evacuar Teerã, a capital iraniana. No entanto, a cidade para a qual ele fugiu também foi atingida por fortes bombardeios. "Os ataques foram muito intensos", disse o jornalista. "Os sons aterrorizantes de explosões e de caças continuaram até cerca de 2h da manhã, depois recomeçaram por volta das 8h, quando fomos acordados pelo som de outra explosão."

Além dos ataques aéreos e das ligações intimidatórias, jornalistas no Irã também estão sendo ameaçados de prisão. Em várias ocasiões, o canal estatal de televisão iraniano anunciou que qualquer atividade considerada "vantajosa para o inimigo" seria severamente punida. "Nenhum jornalista independente tem permissão para trabalhar", disse um segundo jornalista baseado em Teerã. "Mesmo aqueles [repórteres] que foram a áreas afetadas por explosões, com permissão do governo, às vezes foram brevemente detidos e tiveram todas as suas fotos apagadas."

Escassez de informações

Essas ameaças ocorrem em meio a um apagão midiático quase total em vigor desde os protestos que varreram o país em dezembro de 2025. Embora alguns jornalistas tenham conexão ocasional à internet dependendo de sua localização e operadora móvel, de modo geral o acesso à internet continua restrito. Essa censura também é seletiva: "Jornalistas e veículos de mídia que ecoam a narrativa do governo geralmente têm acesso à internet sem filtros e a cartões SIM. No entanto, jornalistas independentes estão sujeitos a severas restrições", disse à RSF o repórter que deixou Teerã. Como resultado, há escassez de informações e os relatos são "vagos e imprecisos", segundo a jornalista baseada em Teerã. Sua colega concorda: "Basta ler os jornais para ver a repressão. Por exemplo, embora os jornalistas de um diário iraniano não tenham nenhuma simpatia por Khamenei, o veículo publicou apenas elogios a ele. Não houve qualquer menção ao fato de que as ruas estavam cheias de pessoas celebrando sua morte. Estamos devastados pelos mísseis e pelas mortes de civis", acrescentou a jornalista, "mas genuinamente aliviados ao saber da morte do ditador."

Do Irã ao Líbano, jornalistas estão sob pressão

Desde o início da ofensiva, o Irã respondeu com ataques contra países vizinhos do Golfo: Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Omã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait. Segundo informações da RSF, jornalistas na região têm enfrentado dificuldades para reportar os ataques a partir de alguns desses países, cujas autoridades são conhecidas por exercer controle rigoroso sobre o fluxo de informações. Sirenes de ataque aéreo também soaram na Jordânia, e mísseis foram lançados contra Israel a partir do Irã e do Líbano. Mísseis lançados do sul do Líbano pelo Hezbollah em 2 de março desencadearam uma escalada de intensos bombardeios israelenses na área. Vários jornalistas no sul do Líbano e nos subúrbios da capital foram deslocados e mais uma vez forçados a evacuar suas casas sob ataques israelenses.

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Publicado em03.03.2026
RSF - Reporters sans frontières published this content on March 03, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on March 09, 2026 at 19:46 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]