03/10/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/10/2026 07:39
Um estudo científico com participação de pesquisadoras do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que o programa federal Bolsa Verde contribuiu para reduzir o desmatamento em áreas da Amazônia brasileira. O resultado foi publicado em um artigo na revista científica Journal of Environmental Economics and Management.
A pesquisa indica que o desmatamento em assentamentos e unidades de conservação de uso sustentável participantes do programa caiu cerca de 30% entre 2012 e 2015, em comparação a áreas semelhantes sem a política pública. No período analisado, estima-se que 22,6 mil hectares de floresta deixaram de ser desmatados, evitando a emissão de aproximadamente 8,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).
O estudo reúne autores de instituições do Brasil e do exterior, entre eles a pesquisadora Liana O. Anderson, do INPE, e Ana Carolina Pessôa, atualmente pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e egressa do Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto do INPE.
Segundo os resultados, além de reduzir o desmatamento, o programa apresentou alto custo-benefício na mitigação de emissões de gases de efeito estufa. As emissões evitadas no período foram avaliadas em cerca de US$ 199 milhões, valor equivalente a 2,8 vezes o custo total da primeira fase do programa. O custo estimado para evitar emissões foi de aproximadamente US$ 8,6 por tonelada de CO₂, significativamente abaixo de valores praticados em outras iniciativas de mitigação no mercado internacional.
Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram 317 áreas beneficiadas pelo programa, que reuniam cerca de 21 mil famílias, principalmente na região conhecida como Arco do Desmatamento. A pesquisa utilizou modelagem econométrica e integrou diferentes bases de dados, incluindo informações de desmatamento derivadas dos sistemas Prodes, Deter e TerraClass, do Programa BiomasBR do INPE, além de dados geoespaciais do programa Bolsa Verde, do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e registros de infrações ambientais.
De acordo com Liana Anderson, os resultados reforçam a importância da integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas para enfrentar o desmatamento: "Temos no Brasil uma experiência consolidada na redução do desmatamento, que combina tecnologias e informações desenvolvidas no INPE com ações de outras instituições, como as políticas de comando e controle. Os resultados do estudo sobre o Bolsa Verde mostram que também é possível abrir novas frentes para a conservação das florestas e dos serviços ambientais dos quais dependemos, como a manutenção das chuvas no país, ao mesmo tempo em que se promove a redução da pobreza na Amazônia", afirma.
Em sintonia com essa avaliação, a pesquisadora ressalta que, com a retomada do programa em 2023, evidências científicas como as apresentadas no estudo podem contribuir para orientar e aprimorar políticas públicas voltadas à conservação das florestas tropicais, ao mesmo tempo em que fortalecem iniciativas de redução das desigualdades sociais nas regiões amazônicas.
O artigo científico completo pode ser acessado em: https://doi.org/10.1016/j.jeem.2026.103308
Sobre o Bolsa Verde
O Programa de Apoio à Conservação Ambiental, conhecido como Bolsa Verde, foi criado em 2011 pela Lei nº 12.512 com o objetivo de combinar redução da pobreza e conservação ambiental. Na primeira fase do programa (2011-2016), famílias em situação de extrema pobreza que viviam em áreas prioritárias para conservação, especialmente na Amazônia, recebiam pagamentos trimestrais como complemento de renda em troca do compromisso de preservar a floresta e utilizar os recursos naturais de forma sustentável. A iniciativa beneficiou cerca de 100 mil famílias, principalmente em reservas extrativistas.
Retomado em 2023, o programa passou a oferecer pagamentos trimestrais de R$ 600,00 a famílias que vivem em unidades de conservação de uso sustentável, assentamentos ambientalmente diferenciados da reforma agrária e territórios de povos e comunidades tradicionais, associando inclusão social à proteção ambiental.