03/04/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/04/2026 12:12
Brasília, 3 de março de 2026 - Com o objetivo de avaliar resultados, compartilhar lições aprendidas e discutir os próximos passos, foi realizado, entre os dias 3 e 4 de março, o Workshop de encerramento do projeto Cuidados para o Desenvolvimento da Criança na Atenção Primária à Saúde. A atividade ocorreu no auditório do escritório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil.
O evento representa um marco estratégico no processo de implementação da abordagem Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC) no país, em consonância com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) e com a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância (PNIPI). "É um momento em que nós vamos fazer um balanço dos nossos avanços e de como podemos dar seguimento à implementação do CDC na atenção primária à saúde", explicou Sonia Isoyama Venancio, coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde.
Também na mesa de abertura, o coordenador de Sistemas e Serviços de Saúde do escritório da OPAS e da OMS no Brasil, Renato Tasca, ressaltou a importância da Atenção Primária à Saúde (APS) no fortalecimento das políticas públicas. "Nenhuma política de saúde pode dispensar a atenção primária. Ela é o centro de todas as ações de saúde que queiram realmente ter impacto."
A abordagem CDC, desenvolvida pela OMS e pelo UNICEF e implementada em mais de 50 países, integra o referencial global do Modelo de Cuidado Integral para o Desenvolvimento na Primeira Infância, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). "O CDC é uma metodologia que pode ser aplicada em diferentes áreas; ele já é aplicado em diversos países, tanto na educação quanto na saúde, na assistência e em outras áreas", afirmou Stephanie Amaral, oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil.
A diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral, Karina Correa Wengerkievicz, destacou que a estratégia impactou positivamente o trabalho das equipes. "Mais do que uma estratégia de qualificação, ela se tornou também uma estratégia de fortalecimento de vínculo entre as nossas equipes de atenção primária, considerando tanto equipes de saúde da família, equipes multiprofissionais da APS e os demais formatos de equipes que a gente tem hoje em dia."
A importância do cuidado com os cuidadores e da intersetorialidade foi ressaltada por Natany Rodrigues de Carvalho, coordenadora-geral de Convivência Familiar, Comunitária e Primeira Infância da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). "Não tem como a gente falar de política para criança e adolescente sem falar de política para cuidador. Então, essencialmente, a gente entende a política integrada da primeira infância também como uma política para mães. Por quê? Porque a gente sabe que são as pessoas que mais cuidam."
Na mesma linha, Alexsandro do Nascimento Santos, subsecretário da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, reforçou a necessidade de uma abordagem articulada entre diferentes áreas. "Só é possível cuidar de bebês e crianças a partir de uma visão intersetorial e interdisciplinar. E interdisciplinar na medida em que a gente não quer só a sobreposição das abordagens e dos conhecimentos. A gente quer um entrelaçamento entre evidências científicas da saúde, evidências científicas da educação, do desenvolvimento social, dos direitos humanos, aportando essas epistemologias para a gente cuidar integralmente do bebê e da criança."
Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC)
No Brasil, o projeto "Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC): uma estratégia para a promoção do desenvolvimento na primeira infância na atenção primária à saúde" é coordenado pelo Ministério da Saúde, com apoio da OPAS, e executado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A iniciativa estruturou uma estratégia nacional de formação híbrida voltada à qualificação da APS para a promoção do desenvolvimento infantil, além de impulsionar a consolidação de uma rede nacional de referências técnicas dedicadas ao tema.
Entre os principais resultados alcançados estão um curso de educação a distância (EAD) com mais de 66 mil profissionais matriculados; a formação de 90 facilitadores vinculados a 33 serviços distribuídos em todas as unidades da federação; e a estruturação de um modelo formativo híbrido que articula teoria e prática nos territórios.
Marcela Alvarenga, assessora técnica do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), destacou que a formação responde a uma demanda concreta dos serviços e da população. "É um grande avanço. Nós estamos cada dia mais aperfeiçoando esse cuidado e melhorando o processo de trabalho da atenção primária, com uma diversidade ampla de oferta de cursos e de formação dos nossos profissionais, que nós sabemos que cada vez mais têm a necessidade de melhorar a formação para a atuação dentro desse serviço", afirmou.
Leonardo Moura Vilela, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), também ressaltou a relevância da capacitação profissional e da integração dos cuidados para o desenvolvimento da criança nas rotinas da APS, destacando a importância "da destinação de recursos financeiros, de recursos materiais adequados e do suporte da gestão, além da utilização correta e adequada da caderneta de desenvolvimento da criança. Isso é um instrumento extremamente importante."