PCdoB - Partido Comunista do Brasil

09/06/2026 | News release | Distributed by Public on 09/06/2026 17:23

PCdoB reforça laços políticos nos 50 anos da Festa do Avante!

Foto: Reprodução
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A participação do Partido Comunista do Brasil na histórica 50ª edição da Festa do Avante! foi marcada por uma intensa agenda política e internacionalista. Ao longo dos três dias na Quinta da Atalaia, dirigentes do PCdoB participaram de encontros com o Partido Comunista Português, organizações de juventude e representantes de forças políticas de diferentes partes do mundo, tendo entre os principais temas a soberania, a democracia, a paz, a solidariedade internacional e a integração latino-americana e caribenha.

A primeira atividade aconteceu na sexta-feira, na recepção oferecida pelo PCP às delegações internacionais. Ao dar as boas-vindas, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, destacou a dimensão internacionalista construída ao longo das cinco décadas. "Esta Festa é uma grande festa de solidariedade internacionalista, é uma grande festa da paz, é uma grande festa da cooperação, é uma grande festa dos povos", afirmou. Para Raimundo, celebrar cinquenta edições significa também olhar adiante. "Olhamos os 50 anos a construir o futuro, com os olhos postos no futuro."

No sábado pela manhã, dirigentes do PCdoB e do PCP realizaram um encontro bilateral, com a participação de Francisco Lopes, do Secretariado e do Departamento Sindical do PCP. A conversa deu continuidade à relação histórica entre os comunistas brasileiros e portugueses e tratou das conjunturas dos dois países, do avanço da extrema direita, das pressões sobre a democracia e a soberania e dos conflitos internacionais.

A eleição brasileira de outubro ocupou parte importante do diálogo. Para o PCdoB, a reeleição de Lula, o fortalecimento da representação comunista e progressista no Congresso Nacional e a derrota da extrema direita constituem a principal batalha política de 2026.

No meio do dia, a agenda ganhou dimensão continental na mesa "América Latina, não à agressão e à ingerência dos Estados Unidos da América", mediada pelo eurodeputado do PCP João Oliveira. Participaram Marile Fernández Lopes, do Partido Comunista de Cuba, Gustavo Álvarez Martínez, do Partido Comunista do Uruguai, Carolina Tejada Sánchez, do Partido Comunista Colombiano, e eu, representando o PCdoB.

João Oliveira situou o debate diante de uma realidade latino-americana marcada pela ingerência dos Estados Unidos, com sanções, bloqueios e pressões econômicas e militares, e defendeu a solidariedade aos povos que lutam por sua soberania e independência.

Marile Fernández Lopes apresentou a situação de Cuba diante do agravamento do bloqueio e das novas medidas adotadas pelo governo norte-americano. Ao mostrar que as sanções atingem diretamente a vida cotidiana, citou apagões que chegam a mais de 20 horas, dificuldades no abastecimento e graves efeitos sobre o sistema de saúde. Segundo a dirigente cubana, há cerca de 85 mil cirurgias em espera, 67 mil pessoas com esquemas de imunização incompletos, 11,8 mil pacientes oncológicos sem tratamento adequado e disponibilidade de apenas 30% do quadro básico de medicamentos.

Para Marile, trata-se de uma política destinada a produzir sofrimento e pressionar politicamente o país. "É um castigo coletivo contra o povo cubano, pelo simples fato de ser livre e soberano", afirmou. Ao final, reafirmou que Cuba não pretende ceder. "Cuba hoje ratifica que não está disposta a vender-se nem a ceder ante a ameaça e a chantagem."

Gustavo Álvarez Martínez relacionou o aumento das pressões dos Estados Unidos à disputa pelos recursos naturais da América Latina e defendeu que uma ofensiva dessa dimensão não pode ser enfrentada isoladamente. Ao tratar da situação cubana, definiu a solidariedade com Cuba como "uma questão de princípio" para a esquerda e, especialmente, para os comunistas. Ao abordar a resposta necessária à ofensiva dos Estados Unidos, reforçou a necessidade de articulação internacional. "Seria tolo pensar que é possível enfrentar uma ofensiva imperialista dessa magnitude separadamente ou apenas em escala nacional. É impossível", afirmou. Para o dirigente uruguaio, esse enfrentamento exige maior articulação internacional, mobilização popular e capacidade de construir respostas comuns.

Carolina Tejada Sánchez abordou a ingerência dos Estados Unidos e as novas formas de intervenção política na América Latina, mas destacou também a experiência recente da Colômbia e os avanços conquistados durante os quatro anos do governo de Gustavo Petro, a primeira experiência de um governo alternativo na história republicana do país. A dirigente comunista ressaltou a reforma agrária, a ampliação dos investimentos sociais e as reformas trabalhista e previdenciária. "A reforma trabalhista devolveu direitos aos trabalhadores, como o adicional noturno, o pagamento das horas extras e dos domingos e o fortalecimento da organização sindical", afirmou. Para Carolina, a experiência também demonstrou a capacidade das forças populares de assumir responsabilidades de governo. "Provamos que éramos capazes não somente de administrar o Estado, mas também de decidir politicamente políticas públicas para a população", destacou. Segundo ela, os quatro anos de governo representaram um avanço para a sociedade colombiana e deixaram importante acúmulo político e social para as forças democráticas e populares.

Representando o PCdoB, relacionei a ofensiva sobre a América Latina à disputa pela soberania brasileira e defendi a integração regional. "A integração não pode ser apenas de governos, diplomatas, de infraestrutura e de acordos comerciais. Precisamos construir também um sentimento de pertencimento latino-americano e caribenho", afirmei.

Ao tratar das eleições brasileiras e das pressões externas sobre o país, resumi a questão em uma pergunta. "Quem decide o futuro do Brasil, Washington ou o povo brasileiro?"

Na intervenção, também procurei colocar a cultura no centro da integração. Recuperei José Martí, para quem "trincheiras de ideias valem mais do que trincheiras de pedra", relacionando essa formulação às disputas contemporâneas. Hoje, essas trincheiras passam também pelas redes sociais, pelos algoritmos, pela inteligência artificial, pela comunicação e pela disputa da memória. Defendi, por isso, maior circulação de artistas e obras, coproduções, festivais e intercâmbios culturais na América Latina e no Caribe.

Na tarde de sábado, a Comissão Nacional de Juventude do PCdoB reuniu-se com a Juventude Comunista Portuguesa, com a participação de Afonso Beirão, da JCP. O encontro discutiu a construção de agendas comuns, o papel da Federação Mundial da Juventude Democrática na articulação da luta anti-imperialista e a necessidade de realização, em 2027, do Festival Mundial da Juventude. A JCP apresentou ainda o livro que reúne as resoluções de seu último Congresso.

Na manhã de domingo, a dimensão internacionalista ganhou um de seus principais momentos com o Encontro Internacional dos partidos e forças políticas. A 50ª Festa do Avante! contou com a presença de 50 partidos e forças políticas de diferentes partes do mundo.

Na abertura, Pedro Guerreiro, do PCP, destacou o lugar das delegações estrangeiras na própria identidade da Festa. "A Festa sempre foi um importante momento de solidariedade internacionalista, de luta anti-imperialista, de luta pela paz. E assim sempre poderia ser mesmo sem a vossa presença. Mas não seria a mesma coisa", afirmou.

Depois de sua intervenção, representantes de diversos partidos e organizações tomaram a palavra, trazendo experiências de diferentes países sobre as lutas dos trabalhadores e dos povos, as ameaças à soberania e à paz, o avanço da extrema direita e a necessidade de ampliar a cooperação internacional.

Entre as intervenções esteve a do PCdoB, que representei no encontro. Destaquei a Festa como espaço de aproximação entre forças políticas de diferentes países. "Ao realizar uma Festa desta dimensão, o PCP nos oferece uma possibilidade ímpar de encontro e diálogo entre comunistas e forças progressistas de todo o mundo. Aqui podemos conhecer nossas diferentes realidades, trocar experiências, fortalecer nossos laços e construir pontos comuns de luta", afirmei.

Em nome do PCdoB, levei o abraço de Luciana Santos, Nádia Campeão e Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais. Reafirmei a solidariedade a Cuba e à Palestina e defendi a integração latino-americana, o fortalecimento do Mercosul, da CELAC e dos BRICS e uma ordem internacional multipolar baseada na soberania, na paz e na cooperação entre os povos.

A eleição brasileira voltou a aparecer como uma disputa que ultrapassa as fronteiras nacionais. "A eleição brasileira será decidida pelo povo brasileiro, mas seu resultado terá consequências muito além de nossas fronteiras. Uma nova vitória de Lula será também uma derrota para a extrema direita internacional e uma vitória para as forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas da América Latina e do mundo", afirmei.

Ao longo dos três dias, a presença do PCdoB nos 50 anos da Festa do Avante! reafirmou uma relação construída ao longo de décadas entre os comunistas brasileiros e portugueses e, ao mesmo tempo, ampliou o diálogo com forças políticas de diferentes continentes. Entre a conjuntura brasileira e as lutas dos povos latino-americanos, a defesa de Cuba e da Palestina, a organização das juventudes e a busca por uma ordem internacional de paz e cooperação, a Festa voltou a cumprir seu papel de lugar de encontro, solidariedade e construção de caminhos comuns.

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