04/21/2026 | Press release | Archived content
Diante das mudanças climáticas, os jornalistas se deparam com uma série de desafios, tanto na cobertura quanto na garantia de sua própria segurança e na continuidade do trabalho no contexto de um desastre natural. Para marcar o Dia da Terra, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou um guia prático para profissionais da imprensa, disponibilizando ferramentas úteis para fortalecer a proteção de jornalistas ambientais e melhorar a cobertura sobre as mudanças climáticas.
Redações submersas, equipamentos danificados, reportagem em condições perigosas: diante das enchentes de maio de 2024 no sul do Brasil, mais de 70% dos meios de comunicação no estado do Rio Grande do Sul não contavam de nenhum plano de contingência para lidar com eventos extremos. Essa é uma realidade que muitas regiões e ecossistemas midiáticos estão vivenciando, cada vez mais fragilizados por eventos climáticos.
Nesse contexto, a RSF publica um guia prático sobre a cobertura da crise climática, estruturado em cinco partes, para permitir que jornalistas de todo o mundo continuem a informar sobre questões climáticas em segurança.
· Capítulo 1 - Definindo resiliência climática
· Capítulo 2 - Como desenvolver um plano de resiliência climática?
· Capítulo 3 - Recomendações de segurança para a cobertura de eventos extremos
· Capítulo 4 - Sugestões de equipamentos para cobrir crises climáticas
· Capítulo 5 - A cobertura para além do desastre
Uma campanha global em apoio ao jornalismo ambiental
Essa publicação faz parte de uma estratégia mais ampla da RSF para reforçar a proteção do jornalismo ambiental e dos profissionais de mídia que, devido à cobertura desses temas, são particularmente expostos a violência: ameaçados, impedidos de trabalhar, agredidos e, por vezes, até mortos, muitas vezes em um clima de impunidade e falta de proteção.
A organização opera em todos os níveis:
defesa internacional da integração da proteção dos jornalistas nas políticas climáticas;
defesa nacional para fortalecer os mecanismos de segurança;
assistência de emergência em campo;
treinamento especializado;
produção de relatórios que documentam violações da liberdade de imprensa.
Proteger o jornalismo ambiental local
O guia baseia-se, sobretudo, nas ações tomadas após as devastadoras inundações no sul Brasil em 2024, no âmbito das quais quase 150 jornalistas do estado do Rio Grande do Sul receberam apoio, com o fornecimento de kits de emergência, treinamento e assistência financeira para fortalecer sua resiliência frente a inundações. Estas são, por sinal, um dos eventos naturais extremos mais frequentes e devastadores, tendo afetado mais de 1,6 bilhão de pessoas entre 2000 e 2019. Esse número evidencia o papel central dos jornalistas na disseminação de informações confiáveis em situações de crise.
Combater a manipulação de informações climáticas
Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, a RSF, a UNESCO e diversos parceiros lançaram um apelo aos governos em junho de 2025, para que reconheçam a integridade da informação como um pilar da luta contra as mudanças climáticas, para que protejam os jornalistas ambientais e para que apoiem a mídia diante da desinformação.
Já em fevereiro de 2026, o relatório Dez prioridades para combater a desinformação climática, publicado pelo Fórum sobre Informação e Democracia e copresidido pelo Brasil e pela Armênia, propôs um roteiro para combater a manipulação de informações climáticas. Os autores do relatório defendem, em particular, a reforma do mercado de publicidade digital, a proteção dos jornalistas ambientais e a inclusão da integridade da informação na governança climática.