07/21/2026 | Press release | Distributed by Public on 07/21/2026 15:57
Foi divulgado, nesta terça-feira (21), o informe semanal Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde. A publicação reúne informações sobre focos de calor, qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça, permitindo acompanhar os possíveis impactos dos incêndios florestais na saúde da população.
A publicação integra o AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, e oferece informações para subsidiar a atuação das equipes de vigilância em saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos de eventos climáticos sobre a saúde.
Neste período, 15 estados entraram na lista de 1.153 focos de calor. As unidades mais afetadas estão apresentadas no gráfico a seguir:
O que são focos de calor?
O monitoramento ocorre durante a atuação do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de chuva e temperatura no país. Dependendo da intensidade e da região, o fenômeno pode favorecer períodos de estiagem, temperaturas mais elevadas e condições propícias à ocorrência e propagação de incêndios florestais. A redução da umidade do ar também pode intensificar os efeitos da fumaça sobre a saúde.
Recomendações gerais
• Acompanhar previsões meteorológicas, boletins e alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar.
• Manter acessíveis os contatos de emergência (resgate, atendimento médico, bombeiros).
• Seguir as instruções dos órgãos locais de gerenciamento de emergências.
• Aumentar a ingestão de água e líquidos para manter as vias respiratórias hidratadas e protegidas
• Planejar a redução das saídas de casa e, se necessário, providencie a estocagem de suprimentos essenciais como alimentos e remédios.
• Para saídas necessárias, orientar sobre o uso preferencial de máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, que devem ser utilizadas corretamente, cobrindo nariz e boca, e ajustadas ao rosto. A máscara deve ser mantida limpa, seca e substituída sempre que estiver danificada, úmida ou com uso prolongado. No entanto, a principal recomendação continua sendo a permanência em ambientes internos bem protegidos da fumaça.
• Planejar as atividades diárias com base nas informações oficiais sobre os horários de maior ocorrência de fumaça no intuito de minimizar a exposição.
Em circunstâncias extremas, uma das recomendações é o uso da máscara facial
• Evitar esforços físicos pesados e exercícios ao ar livre quando a qualidade do ar estiver comprometida pela fumaça. Recomenda-se, ainda, evitar atividades físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre as 12 e 16 horas, quando as
concentrações de ozônio são mais elevadas.
• Manter portas e janelas fechadas em residências, escolas e ambientes de trabalho nos períodos de maior poluição. A permanência deve ser em local ventilado, preferencialmente com ar-condicionado ou purificadores de ar.
• Ao dirigir, manter as janelas fechadas e o ar-condicionado em modo de recirculação.
Não atiçar o fogo
• Evitar atividades que aumentem a poluição do ar intradomiciliar, como:
- preparo de alimentos em fogões à lenha ou outros tipos de fornos que utilizem energia não limpa como combustível (madeira, carvão, restos de vegetais, querosene, etc.) ou que tenham sistema de exaustão deficiente;
- aquecimento e iluminação da casa com lareiras à lenha, vela, lamparinas etc.;
- uso de tabaco (cigarro).
• Redobrar a atenção ao dirigir quando a visibilidade estiver alterada pela fumaça. Caso seja absolutamente essencial dirigir, manter as janelas fechadas e ligar o ar condicionado no modo de recirculação para evitar a entrada de ar contendo fumaça no interior do veículo.
• Para usuários de ar-condicionado, instruir sobre a importância de fechar a entrada de ar externo e manter os filtros limpos.
• Orientar para que a limpeza de cinzas seja feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que podem dispersar partículas finas.
• Realizar aceiros (desbaste de um terreno em volta de propriedades, matas e coivaras) preventivos para impedir propagação de incêndio. A largura do aceiro é ditada pelo tipo de vegetação, o terreno, a intensidade do incêndio e as condições climáticas.
Limpeza de cinzas deve ser feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que podem dispersar partículas finas
• Nunca atirar bitucas ou cigarros ou fósforos acesos na vegetação.
• Não soltar balões ou fogos de artifícios.
• Não acender fogueiras.
• Não transportar ou manusear líquidos inflamáveis;
Recomendações para crianças e idosos
• Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção às recomendações gerais e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde.
• Indivíduos com comorbidades (cardíacas, respiratórias, imunológicas) devem ser orientados a buscar atendimento para atualizar seus planos de tratamento, manter medicamentos disponíveis, procurar auxílio médico em caso do agravamento do
quadro clínico e considerar, se possível, o afastamento temporário das áreas afetadas.
Partículas danosas
Entre os indicadores acompanhados está o material particulado fino (MP2,5), um tipo de poluente atmosférico formado por partículas muito pequenas, com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e associado a impactos respiratórios e cardiovasculares.
A partir das informações reunidas no informe, é possível identificar municípios e regiões com maior exposição à fumaça e que demandam atenção das equipes de vigilância em saúde, especialmente quando há persistência de níveis elevados de poluição do ar. Os dados também permitem dimensionar a exposição de grupos mais vulneráveis, como crianças e pessoas idosas.
A exposição prolongada a altas concentrações de MP2,5 pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares preexistentes e aumentar a ocorrência de atendimentos e hospitalizações. Por isso, o monitoramento das condições ambientais contribui para orientar medidas de prevenção, comunicação de risco e organização da resposta do SUS.
El Niño
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, está em curso e tem previsão de permanência até o início de 2027. As projeções indicam a possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil nos próximos meses.
Para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, as previsões indicam chuvas acima da média na Região Sul e abaixo do esperado no Centro-Norte do país, além de temperaturas mais elevadas que o normal em praticamente todo o território nacional. O cenário pode aumentar a possibilidade de ondas de calor, períodos de estiagem e ocorrência de incêndios florestais em áreas mais secas.
Historicamente, episódios de El Niño provocam impactos diferentes conforme a intensidade do fenômeno e a região do país. Entre os efeitos observados estão alterações no regime de chuvas, períodos de calor intenso, estiagem e, em algumas áreas, ocorrência de chuvas intensas e enchentes.
O Ministério da Saúde também dispõe de outras ferramentas para acompanhar os efeitos dos eventos climáticos sobre a saúde. Entre elas está o Painel de Excesso de Calor, que monitora diariamente as condições térmicas nos municípios brasileiros. As informações apoiam a identificação de áreas com maior risco para a saúde e subsidiam a emissão de alertas e o planejamento de ações de vigilância e assistência durante períodos de calor intenso.
Como reduzir os impactos da fumaça dos incêndios florestais?
A fumaça dos incêndios florestais pode afetar a saúde, especialmente em períodos de piora da qualidade do ar. Para orientar a população, o Ministério da Saúde disponibiliza o documento "Queimadas e Incêndios Florestais - Alerta de Risco Sanitário e Recomendações para a População" , que reúne medidas para reduzir a exposição à fumaça e seus impactos.