04/16/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/16/2026 11:21
O agravamento do cenário internacional exige reforço da cooperação econômica global. Essa é a posição do Brasil apresentada ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). A declaração aponta que a guerra no Oriente Médio amplia riscos para o crescimento global, pressiona a inflação e agrava desafios relacionados à segurança alimentar e energética.
O documento registra preocupação com impactos mais intensos sobre economias mais vulneráveis e importadoras de energia e defende o cumprimento de compromissos de assistência internacional, além da atuação das instituições financeiras internacionais no apoio a países em situação de maior fragilidade. Declara ainda que os mais pobres do mundo não podem pagar pelo custo dessa guerra.
A declaração sustenta que políticas macroeconômicas contracíclicas podem mitigar os efeitos do choque, quando apropriadas, e que medidas temporárias e focalizadas para proteção da população e garantia da segurança alimentar e energética são justificadas, preservando, sempre que possível, a neutralidade fiscal.
No caso brasileiro, o texto aponta que a economia mantém bom desempenho. A atividade se encontrava próxima ao potencial antes do conflito, com a inflação convergindo para a meta, e o Banco Central iniciou ciclo de flexibilização monetária. A projeção indicada é de crescimento de 2,3% do PIB em 2026.
O documento destaca a solidez da posição externa, sustentada por câmbio flexível e reservas internacionais robustas, além da trajetória positiva dos rendimentos reais e de níveis historicamente baixos de desemprego e desigualdade.
Na área energética, o Brasil ressalta estar bem posicionado para enfrentar o choque global de preços. O país é exportador líquido de petróleo, que em 2025 representou cerca de 16% das exportações e 8% das importações, com saldo positivo próximo de US$ 32 bilhões. Além disso, possui matriz energética diversificada, com forte presença de fontes renováveis.
A declaração menciona medidas estruturais como a reforma do imposto de renda em vigor em 2026, a implementação da reforma tributária com adoção de IVA dual e o Plano de Transformação Ecológica, além de iniciativas voltadas ao aumento da eficiência no mercado de crédito.
No campo fiscal, o Brasil reafirma compromisso com a responsabilidade fiscal e a estabilidade de preços. A meta para 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com trajetória até 1,25% em 2029, visando à estabilização da dívida pública em 2030.
Ao tratar do FMI, o país reforça o papel do Fundo como pilar da rede global de segurança financeira e defende avanços nas reformas de governança para ampliar a representação de economias emergentes e países em desenvolvimento.