03/09/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/09/2026 20:40
A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza) realiza, nos dias 11 e 12 de março, o lançamento das primeiras Unidades de Referência Tecnológica (URT) da cajucultura nos municípios cearenses de Beberibe e Cascavel. Conhecidas como vitrines tecnológicas, essas áreas de cultivo são uma estratégia eficiente de transferência de tecnologias e conhecimentos gerados pela pesquisa e fazem parte de um projeto executado em parceria com produtores rurais, prefeituras locais e outras instituições. O objetivo é modernizar e fortalecer a cajucultura nos principais polos de produção e tornar a atividade mais rentável. Em cada município serão implantadas quatro vitrines tecnológicas.
Em Beberibe a implantação será nas localidades de Samburão (Distrito de Forquilha), Assentamento Murici, Sucatinga e Córrego de Santa Maria II. Já em Cascavel contempla a comunidade do Brito, o Distrito Lagoinha, Projeto de Assentamento Luíz Mendes (Córrego do Buritis) e Distrito de Serrote. O plantio das mudas de cajueiro-anão acontece no dia 11.03, em Beberibe (Samburão) e no dia 12.03 em Cascavel (comunidade do Brito). A previsão para concluir a implantação das vitrines nos dois municípios é até dezembro de 2026.
Segundo o pesquisador Marlos Bezerra, o trabalho com as vitrines é realizado com a participação dos produtores parceiros. Nos meses de janeiro e fevereiro foi o momento de preparar o terreno, correção e adubação do solo e abertura de covas para plantio das mudas. "Vamos compartilhar conhecimentos sobre essa primeira etapa da implantação das vitrines também com produtores de outras localidades. Nosso propósito é mostrar o processo acontecendo na realidade do produtor. Serão enfatizados aspectos do preparo do solo e a importância do coveamento adequado para o desenvolvimento das plantas. Na medida que formos realizando as demais práticas agropecuárias, os produtores poderão acompanhar o desenvolvimento do pomar e conferir os resultados na produção.
Para Aline Teixeira, chefe adjunta de Transferência de Tecnologias da Embrapa Agroindústria Tropical, esse modelo de transferência de tecnologia tem potencial para promover a reestruturação da cadeia do caju que, longo do tempo, tem sofrido redução da sua área produtiva. As vitrines tecnológicas unem genética de alta qualidade e capacitação no campo com técnicas modernas de manejo desenvolvidas para a cajucultura. É nesse tripé que reside o seu potencial para transformar a cajucultura em uma atividade mais produtiva", enfatiza.
O que são as vitrines tecnológicas da cajucultura
As Unidades de Referência Tecnológica da cajucultura ou vitrines tecnológicas são áreas cultivadas com cajueiro-anão, implantadas em propriedades rurais e destinadas a demonstrações práticas de tecnologias para as diferentes fases do sistema de produção de caju. Esses espaços produtivos de dois hectares proporcionam aprendizado contínuo para produtores e técnicos da extensão rural sobre como plantar e manejar o cajueiro e como produzir com qualidade e eficiência. O objetivo é desenvolver a cajucultura por meio da modernização do manejo, aumentar a produtividade e possibilitar o aproveitamento integral do caju, para tornar a cajucultura mais rentável para as famílias.
O projeto teve início em 2022 e conta com 20 vitrines tecnológicas implantadas no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. Atualmente, está em processo de articulação a implantação de novas vitrines nos três estados e na região de Picos, no Piauí. A previsão é que até o final deste ano sejam 40 unidades implantadas. Além dos polos de produção de caju, as vitrines tecnológicas também chegam a áreas sem tradição na cajucultura, mas manifestam interesse em desenvolver a atividade, como a região de Mamanguape, na Paraíba, que já conta com quatro unidades implantadas em Jacaraú já produzindo. Está em negociação a parceria com outros municípios para implantação de novas vitrines.
Perfil dos produtores
O projeto das vitrines tecnológicas conta com produtores com diferentes perfis (agricultores familiares, assentados, profissionais autônomos que têm a agricultura como uma segunda renda e empresários do agronegócio do caju). "A seleção dos parceiros envolve análise técnica e socioeconômica da propriedade e do produtor, que não precisa ter experiência específica na cajucultura, mas deve dispor de área apta para a produção de caju e disponível para a implantação da vitrine. Busca-se identificar produtores engajados e dispostos a conduzir a unidade produtiva e seguir as orientações fornecidas nas capacitações em campo. Além disso, o produtor parceiro deve contribuir com a coleta de dados para subsidiar análises técnicas, econômicas e sociais",
O agricultor Eliano Samburão, morador de Beberibe e parceiro do projeto no município, planta caju há 45 anos e considera que, atualmente, o principal desafio com a cultura é encontrar métodos eficientes de controle e doenças. "Ter uma vitrine tecnológica na propriedade é um privilégio. Além de ampliar os conhecimentos sobre a cajucultura, pode contribuir com a solução de antigos problemas. Temos experiência na cajucultura, mas sempre há o que aprender e as vitrines tecnológicas são a oportunidade de ir além no conhecimento", enfatiza.
Uso de clones de cajueiro
Na implantação das tecnológicas são utilizados clones de cajueiro-anão desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria Tropical. Esses materiais genéticos são recomendados para diferentes estados do Nordeste. "Selecionamos os clones mais adaptados ao clima e solo de cada localidade e, geralmente, testamos quatro para cada unidade produtiva. Este ano, além dos materiais lançados e registrados, vamos incluir materiais novos ainda em estudo, mas que já estão inclusos no Programa de Melhoramento Genético da Embrapa, para serem lançados em breve. A ideia é testar esses materiais para selecionar aqueles com melhor desempenho", afirma Bezerra.
Parcerias
Além dos produtores rurais e prefeituras dos municípios, a implantação das vitrines tecnológicas da cajucultura tem a parceria de diferentes instituições, incluindo o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Indústria Usibras no Ceará e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na Paraíba. Bezerra explica que nesse processo a Embrapa fornece o material genético (mudas), o conhecimento técnico por meio da capacitação dos produtores e realiza a coordenação técnica das unidades.
"Já as prefeituras são responsáveis por disponibilizar os maquinários necessários para o preparo das áreas e insumos como adubos e fertilizantes. Cabe aos produtores fornecer a mão-de-obra necessária para a condução das atividades recomendadas pela pesquisa e realizar o acompanhamento diário nas vitrines. Além disso, tanto os produtores como as instituições parceiras devem atuar como multiplicadores de conhecimentos sobre cajucultura, adquiridos no âmbito da vitrine, para outros produtores.