Government of Portugal

05/04/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/04/2026 03:43

Arranca a época balnear em Cascais e Madeira num contexto de maior exigência e pressão sobre o litoral

  • Portugal conta com 671 águas balneares em 2026, refletindo ajustes por razões de segurança, acessibilidade e qualidade ambiental;
  • Temporais de inverno provocaram erosão costeira, destruição de acessos e instabilidade de arribas, afetando diretamente várias praias.

Maria da Graça Carvalho: "Mais do que abrir praias, estamos a garantir segurança, confiança e proteção do nosso litoral"

Arranca nesta sexta-feira, 1 de maio, a época balnear de 2026 no concelho de Cascais e em várias praias da Região Autónoma da Madeira, dando início a um processo progressivo de abertura em todo o território nacional.

Este ano, Portugal identifica 671 águas balneares, das quais 512 são costeiras ou de transição e 159 interiores, o que representa uma ligeira redução face a 2025 (673). A distribuição mantém-se globalmente estável, com destaque para o Algarve (109), Tejo e Oeste (146), Norte (119) e Centro (102), refletindo a consistência da rede nacional, apesar dos ajustamentos verificados.

As diferenças face a 2025 incluem duas novas entradas e uma reentrada. As duas novas águas balneares são: uma no litoral, a de Santo André, na Póvoa do Varzim, e uma no interior, a do Cerejal, em Góis. A praia do Ilhéu de Vila Franca do Campo, nos Açores, tratase de uma reentrada após melhoria da qualidade da água.

Já as cinco saídas - duas águas balneares costeiras e três interiores - resultam de um conjunto de fatores que incluem pedidos dos próprios municípios, falta de condições de segurança, danos em infraestruturas e riscos para a saúde pública.

No concelho de Vinhais, a água balnear de Ponte da Ranca (interior) deixa de ser identificada devido à inexistência de infraestruturas adequadas e à reduzida afluência de banhistas.

Na Marinha Grande, a praia de Pedras Negras (costeira) sai da lista a pedido do município, na sequência da destruição de acessos provocada pelas tempestades e da formação de uma arriba de erosão instável, sem condições de segurança.

Também no concelho de Leiria, a Lagoa da Ervedeira (interior) deixa de ser identificada a pedido do município, devido a danos em infraestruturas e alterações morfológicas nas margens, resultantes dos fenómenos extremos do inverno, com impacto direto na segurança dos banhistas.

Em Mortágua, a praia fluvial de Valongo/Breda (interior) é retirada por decisão das autoridades de saúde, após episódios de proliferação de cianobactérias que levaram à interdição da atividade balnear em 2025.

Por fim, no concelho de Mafra, a praia do Porto da Calada (costeira) deixa de ser identificada devido à destruição de acessos e à instabilidade da arriba na sequência das tempestades, não existindo condições de segurança para os banhistas.

A época balnear de 2026 inicia-se num contexto particularmente exigente. O inverno de 2025/2026 foi marcado por temporais severos, que provocaram erosão costeira significativa, perda de sedimentos, redução do areal e danos em infraestruturas e acessos, com especial incidência nas regiões Centro e Norte. Estes impactos condicionaram diretamente a utilização e segurança de várias praias, exigindo intervenções urgentes de reposição e estabilização.

De um modo geral, as praias mais afetadas pelos temporais de inverno vão poder abrir nesta época balnear porque foram alvo de intervenções de emergência e de requalificação, que permitiram repor condições de segurança, estabilizar arribas, recuperar acessos e reforçar os areais. É o caso, entre outras, das praias de Moledo, em Caminha, São João da Caparica, em Almada, e, no Algarve, de Forte Novo e Garrão, onde estão em curso ou em fase de conclusão intervenções que permitem garantir a sua utilização em segurança pelos banhistas.

A gestão da época balnear enfrenta também outros desafios acrescidos, como a proliferação de algas - com impacto na perceção pública - e como a necessidade de garantir informação clara, atualizada e acessível aos cidadãos. A este nível, a plataforma InfoÁgua assume um papel central na disponibilização de dados sobre qualidade da água, vigilância e condições das praias.

Para a Ministra do Ambiente e Energia, "a época balnear de 2026 inicia-se num contexto mais exigente do que nos anos anteriores. As nossas praias foram particularmente afetadas pelos temporais de inverno, o que obrigou a um esforço significativo de recuperação". "Hoje, mais do que abrir praias, estamos a garantir segurança, confiança e proteção do nosso litoral, com uma gestão mais exigente e mais preparada para os desafios climáticos", afirma Maria da Graça Carvalho.

A época balnear continuará a abrir de forma faseada: a 15 de maio no Algarve, a 1 de junho em 137 praias da região do Tejo e Oeste e do Sul, e a 13 de junho na maioria das praias do Norte e Centro. Nas águas interiores, o arranque distribui-se entre junho e julho, prolongando-se, na Região Autónoma da Madeira, até 31 de outubro.

A Ministra do Ambiente e Energia salienta ainda o facto de que "a época balnear de 2026 será marcada por uma gestão mais complexa do litoral, onde segurança, adaptação climática, comunicação pública e sustentabilidade financeira terão de caminhar juntas". Também na região Centro, a devastação da floresta, as dificuldades de acesso e o risco acrescido de incêndios florestais constituem fatores de pressão adicionais.

O Ministério do Ambiente e Energia reforça o apelo à população para que privilegie praias vigiadas e identificadas, e recomenda que os banhistas frequentem sempre águas balneares reconhecidas e com assistência de nadadores-salvadores, informação que pode ser consultada através da plataforma InfoÁgua.

Como a Ministra Maria da Graça Carvalho já sinalizou em 2024 e em 2025, "não se trata apenas de abrir praias - trata-se de proteger pessoas, território e assegurar confiança pública".

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