Federal Government of Brazil

03/21/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/22/2026 07:40

Em cúpula regional, Governo do Brasil defende autonomia da América Latina e do Caribe

Na X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) neste sábado, 21 de março, em Bogotá, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, leu aos líderes o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto é um chamado ao fortalecimento do fórum como um obstáculo à tentativa de transformar a região em zona de influência. "Mas a América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém", disse.

"Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A CELAC representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional. Na América do Sul, a solidez institucional do MERCOSUL oferece uma boa plataforma para ampliar nossa integração", destacou o discurso lido por Vieira.

O evento ocorre em momento particularmente desafiador para a América Latina e Caribe, caracterizado por intensificação da polarização regional e de pressões extrarregionais. Nesta Cúpula, a Colômbia transmite a presidência pro tempore da organização para o Uruguai.

CRIME ORGANIZADO - O ministro enfatizou que uma região desarticulada favorece o crime organizado. Por isso, a colaboração entre a América Latina e Caribe, sem abrir mão da soberania de cada país, é o melhor escudo. O discurso enfatizou que para debelar organizações criminosas é preciso atingir toda a cadeia de comando, sobretudo as mais altas esferas.

"Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Só o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras", afirma o texto.

Na fala, ele citou o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do Governo do Brasil que visa a fortalecer o enfrentamento às facções criminosas no País. O arcabouço busca garantir criar novos instrumentos legais para o Estado Brasileiro investigar de forma mais célere, asfixiar o braço financeiro das facções e endurecer a responsabilização desses grupos ultraviolentos. "Nosso objetivo é melhorar a articulação entre as polícias e reforçar o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual e internacional."

DEMOCRACIA - A urgência da defesa da democracia também foi um destaque no discurso lido por Vieira. Entre exemplos que enfraquecem a democracia, foram indicadas as campanhas de desinformação, orquestradas dentro e fora dos países, e que minam a credibilidade dos sistemas eleitorais. "A manipulação de algoritmos e a produção de conteúdos falsos por inteligência artificial distorcem a realidade e desequilibram o jogo político. Também põem em risco a integridade dos mais vulneráveis", pontuou.

INTEGRAÇÃO REGIONAL - A fala também lança luz ao apoio do Governo do Brasil à presidência colombiana da CELAC, a fim de estimular parcerias extrarregionais do agrupamento. "Mantivemos diálogo com China, União Europeia e África. Esses países e blocos veem na América Latina e no Caribe potencial que nós mesmos não sabemos reconhecer e aproveitar. É um paradoxo que uma região com tantos recursos ainda padeça de tantos males. Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura."

MINERAIS CRÍTICOS - A América Latina tem a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo. Desses minérios depende a fabricação dos chips, baterias e placas solares que dão corpo à revolução digital e à transição energética. O discurso do presidente Lula aos líderes da CELAC ainda enfatizou que é justo que a América Latina e o Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor, desde a extração até o produto final, do beneficiamento à reciclagem.

"Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores", manifesta.

FORTALECIMENTO DO ESTADO - Atualmente, quase um terço da população da América Latina e do Caribe trabalha por conta própria. Mais de 36% dos latino-americanos e caribenhos acima de 60 anos ainda participam da força de trabalho. "Nossos cidadãos estão envelhecendo e têm direito a uma aposentadoria digna. O papel dos governos é trabalhar pelo bem-estar das famílias", salienta o discurso de Lula lido pelo chanceler.

INFRAESTRUTURA - O discurso de Lula também aborda a importância da integração da infraestrutura da região. "Precisamos de rotas por terra, água e ar, do Atlântico ao Pacífico, por onde os produtos possam circular e os cidadãos possam transitar. Necessitamos de uma rede elétrica interconectada, para garantir e baratear a oferta de energia. Em um mundo com bloqueios marítimos e cortes no abastecimento de insumos, essa integração é ainda mais importante", apontou.

COMÉRCIO E ECONOMIA - Por fim, o texto de Lula destacou que, com a interligação da América Latina e Caribe, será possível buscar na própria região mercadorias e serviços que atualmente são obtidas de fornecedores externos. "As exportações intrarregionais na América Latina e no Caribe correspondem a apenas 14% do total do nosso comércio. Para reverter esse quadro, precisamos incentivar a internacionalização das nossas empresas."

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