05/25/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/25/2026 13:48
Senhoras e Senhores,
É uma grande satisfação dirigir-me às senhoras e aos senhores neste evento comemorativo do Dia da África.
O Dia da África, celebrado em 25 de maio, marca a fundação da Organização da Unidade Africana em 1963 e simboliza a luta do continente por liberdade, unidade e desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, essa data traz múltiplos e profundos significados para o Brasil, ressaltando a centralidade das relações históricas, culturais e humanas que nos vinculam ao continente africano.
Brasil e África enfrentam desafios semelhantes e estão diante de oportunidades que nos aproximam. Não se trata apenas de afinidades culturais, mas de uma identidade comum e de uma convergência natural de interesses estratégicos.
Nossa relação com os países africanos apoia-se em um ativo essencial para qualquer parceria duradoura: a confiança construída ao longo da história e dos vínculos profundos entre nossos povos.
O Brasil abriga a maior população afrodescendente fora da África. Por isso, a África faz parte da nossa identidade. Sua herança está presente em nossa cultura, em nossa língua e em nossa forma de ver o mundo. Compartilhamos valores, aspirações e um sentimento comum de futuro.
Atuamos no continente africano por meio de uma rede de embaixadas residentes em 33 capitais africanas, além de três consulados-gerais. São 35 os países africanos com embaixadas residentes em Brasília e temos o prazer de receber hoje os chefes de missão e colegas diplomatas africanos em Brasília.
Senhoras e Senhores,
Este é o quarto ano neste governo do Presidente Lula em que o Ministério das Relações Exteriores organiza atividade especial para marcar essa data tão importante para o continente africano.
Essa consistência nas celebrações deriva diretamente da decisão tomada pelo Presidente Lula de retomar e revitalizar, desde janeiro de 2023, as relações com os países da África. Essa inflexão ficou clara no título escolhido para o seminário daquele ano: "Brasil-África: relançando parcerias". Trata-se de uma das linhas mestras da política externa brasileira.
Em 2023, o Presidente da República visitou Angola, África do Sul, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Em 2024, visitou o Egito e a Etiópia. Na ocasião, discursou na abertura da 37ª Cúpula da União Africana, um fato excepcional e ilustrativo da relação especial do Brasil com todo o continente africano. Em 2025, o Presidente retornou à África do Sul, para a Cúpula do G20 e realizou visita oficial a Moçambique.
Nesse período, tive também a oportunidade de realizar visitas oficiais a 17 países africanos e recebi as visitas oficiais de 10 chanceleres de países africanos em Brasília. Recebemos, nos últimos anos, um grande número de delegações ministeriais que avançaram em cooperações multissetoriais.
Para se ter uma ideia da rapidez com a qual essa dinâmica gerou resultados, somente nas visitas bilaterais, foram assinados 39 atos oficiais, que estabeleceram ou aprofundaram cooperação em temas comerciais, culturais, acadêmicos, jurídicos, agrícolas, entre outros.
Retornei, recentemente, de um périplo a três países africanos: Cameroun, República Democrática do Congo e Namíbia, avançando o compromisso do governo de dar atenção prioritária a este continente, em temas como expansão do comércio e investimentos, estabelecimento de ligações aéreas e marítimas, comércio e investimento e reforma da governança global.
Senhoras e Senhores,
Em 2024, realizamos, em celebração ao Dia da África, o seminário intitulado "Novas pontes sobre o rio chamado Atlântico". Naquele ano, o Brasil ocupava a presidência rotativa do G20, e apresentamos nossos planos e objetivos para a África no âmbito do agrupamento. Ressalto, ainda, a homenagem feita na ocasião ao saudoso Embaixador, acadêmico e imortal da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva, referência na historiografia do Brasil com a África.
Ainda em 2024, realizamos a Conferência da Diáspora Africana nas Américas, em Salvador, um marco na articulação de ideias e propostas que viriam a contribuir para os debates do 9º Congresso Pan-Africano, realizado em Lomé, no final do ano passado.
Já em maio de 2025, no contexto da estruturação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa brasileira durante a presidência brasileira do G20, foi realizado o "2º Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural".
Para a ocasião, vieram a Brasília delegações de 44 países africanos, em sua maioria chefiadas por ministros da agricultura, e representantes de 10 organizações internacionais e de bancos multilaterais de desenvolvimento, além de instituições de pesquisa, cooperativas de agricultura familiar e entidades do setor privado.
O evento teve forte caráter simbólico ao remeter à primeira edição, realizada quinze anos antes, reforçando assim o sentido de continuidade dos objetivos de política externa durante os mandatos do Presidente Lula.
Senhoras e Senhores,
O título do seminário deste ano, "Parcerias em movimento - novas frentes de ação", sintetiza o momento atual de nossas relações.
Depois de um período inicial de retomada, a política externa brasileira para o continente hoje se orienta pelo objetivo de sustentar o progressivo incremento de densidade dessas parcerias, em consonância com os movimentos e desafios globais da atualidade.
O mundo passa por um dos momentos mais instáveis de sua história recente. Vários são os conflitos em curso, em diferentes regiões e continentes - inclusive o africano-, apresentando sérios desafios às instâncias multilaterais.
No plano comercial, observa-se dinâmica similar: regras e princípios do comércio internacional têm sido sistematicamente desrespeitados por atores relevantes, em benefício de uma lógica que privilegia as assimetrias de poder e a prevalência do mais forte.
Não menos relevante, os regimes democráticos estão sendo consistentemente ameaçados por mecanismos tecnológicos que promovem a desinformação.
Deve-se ainda destacar os desafios globais decorrentes da mudança clima e do aquecimento global e que tornam ainda mais prementes os imperativos do combate à fome e do enfrentamento da pobreza e das desigualdades.
Senhoras e senhores,
A África afirma-se, cada vez mais, como um polo de inovação, geração de conhecimento, expansão econômica e transformação social dinâmica. Nesse contexto, de amplas oportunidades de parcerias entre o Brasil e os países africanos, o seminário de hoje promoverá debates sobre temas que gostaria de destacar aqui:
A jornada permite também que celebremos nossas conquistas, marcadas este ano pela celebração de 30 anos da existência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e 40 anos da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), sempre com a visão voltada para o futuro dessas iniciativas.
Na IX Reunião Ministerial da ZOPACAS, realizada em abril passado no Rio de Janeiro, adotamos a Estratégia de Cooperação do Rio de Janeiro e assinamos a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho do Atlântico Sul, e avançamos a nossa visão de futuro para o nosso entorno estratégico comum.
Falaremos, igualmente, dos resultados e potencialidades da cooperação. Atualmente, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) coordena ou apoia 126 projetos em 31 países do continente, com ênfase em ações de combate à pobreza, saúde, educação, segurança, infraestrutura e agricultura. Em fevereiro desde ano, inauguramos, em parceria com a Embrapa, o Escritório de Cooperação Técnica em Adis Abeba, cidade sede da União Africana.
Registro, por fim, a realização de outras atividades ao longo da semana para celebrar a África no Brasil, como o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, promovido pelo Ministério da Educação, e o Festival Akwaaba, organizado em São Paulo pela Fundação Palmares.
Essa série de eventos simultâneos, com o envolvimento de diferentes agentes do governo e da sociedade civil, evidenciam a riqueza e a pluralidade dos laços que unem o Brasil e a África.
Nesse contexto, não poderia deixar de destacar também a série de atividades organizadas pelo Grupo de Embaixadores Africanos em Brasília.
Prezadas amigas, prezados amigos,
Este seminário é oportunidade para debatermos, como as relações do Brasil com África podem ampliar e consolidar parcerias estratégicas.
Se em 2023 a mensagem central que desejávamos passar era de que o Brasil estava de volta ao continente, hoje quero concluir com a reafirmação de que nosso objetivo é aumentar ainda mais essa presença, cooperando e buscando convergências com nossos parceiros africanos em todas as áreas de interesse comum.
Desejo a todos e todas um excelente seminário e excelentes debates.
Muito obrigado.