Governo do Estado do Pará

06/26/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/26/2026 09:10

Do tucupi ao superalimento: startups transformam ativos da Amazônia em negócios

PARÁ, LÍDER EM BIOECONOMIA

Do tucupi ao superalimento: startups transformam ativos da Amazônia em negócios

Inovação e sustentabilidade marcam produtos desenvolvidos com o apoio do Parque de Bioeconomia, em Belém: projetos crescem, lucram e ganham fôlego como cases que mostram a força da floresta no mercado

Por Lucas Maciel (SEMAS)
26/06/2026 11h56

No município de Acará, a 70 quilômetros de Belém, uma tradicional empresa paraense, especializada na extração de óleos e manteigas naturais, produzidos a partir de sementes da Floresta Amazônica, reinventa sua história, ligada aos imigrantes que chegaram à região no período pós-guerra, e hoje se transforma para fornecer matérias-primas e novos produtos para o setor de cosmético e o ramo alimentício. Já em outra frente fabril, em endereço situado na capital paraense, outra empresa do ramo de alimentos amplia as possibilidades de aproveitamento da mandioca e de seus derivados - e ganha o mercado brasileiro, transformando conhecimentos ancestrais em produtos alinhados às demandas de novos mercados.

Os exemplos e bons resultados alcançados pelos negócios como os da empresa ParáOil e das startups Maniua e Manioca mostram como investimentos do governo do Pará em ambientes como o Parque de Bioeconomia de Belém têm impulsionado a criação de produtos inovadores, ampliando a possibilidade de geração de riqueza a partir de produtos da floresta e fortalecendo a bioeconomia paraense.

Da extração de óleo ao superalimento

Um dos exemplos mais expressivos do potencial de inovação impulsionado pelo Parque de Bioeconomia é a experiência da ParáOil. Com forte influência da cultura japonesa, a trajetória da empresa, fundada por imigrantes, já havia sido construída sobre uma história de forte relação de cooperação, respeito às pessoas e convivência harmoniosa com a floresta.

Mesmo com atuação consolidada no mercado, a empresa paraense identificou um novo e importante desafio dentro de seu processo produtivo. Na extração dos óleos vegetais para seus produtos, uma parte significativa da matéria-prima permanecia sendo desperdiçada, na chamada "torta" - um resíduo até então pouco aproveitado, por possuir baixo aproveitamento comercial.

O avanço veio a partir de testes realizados com um equipamento superextrator, disponível no Parque de Bioeconomia. Utilizando a tecnologia instalada no espaço, a empresa conseguiu obter um óleo premium: além de aumentar significativamente o rendimento da extração, o novo processo permite que se obtenha um produto mais puro, e com maior valor agregado.

Os ganhos, porém, foram muito além da eficiência produtiva. O material, anteriormente tratado como resíduo, passou a representar uma nova oportunidade de negócio. A partir das conexões promovidas pelo Parque de Bioeconomia, a empresa identificou o potencial para inserção desse material em mercados especializados, transformando a "torta" em um superalimento, e criando uma nova frente de comercialização.

O resultado foi a construção de uma dinâmica de economia circular dentro da empresa: nela, praticamente toda a matéria-prima passou a ser aproveitada, reduzindo desperdícios e ampliando a geração de valor ao longo da cadeia produtiva.

Gilberto Nobumasa, diretor e fundador da ParáOil, ressalta que a experiência permitiu à empresa enxergar novas possibilidades para produtos que antes não faziam parte da sua estratégia comercial.

"Passamos a utilizar a tecnologia da extração supercrítica, algo que já estudávamos, mas que era totalmente inacessível para nós. Ter esse equipamento próximo da nossa operação mudou completamente nossa capacidade de inovar. A partir dos testes realizados, conseguimos gerar resultados que deram origem a novos projetos e também nos ajudaram a planejar os próximos investimentos da empresa", avalia o empresário.

O empreendedor destaca ainda que os resultados, obtidos com o apoio da infraestrutura montada pelo governo do Pará no Parque de Bioeconomia, demonstram o grande potencial desse suporte hoje disponível para a ampliação da competitividade dos negócios amazônicos.

"Hoje, no processo tradicional, conseguimos extrair cerca de 30% dos óleos e manteigas da matéria-prima. Com os testes realizados no Laboratório Fábrica, obtivemos mais 15% de aproveitamento. Além do aumento da produtividade, materiais que antes tinham menor valor comercial passaram a apresentar potencial para aplicações em novos mercados, ampliando as nossas oportunidades de geração de valor para toda a cadeia", pondera Gilberto Nobumasa.

"Quando criamos ambientes capazes de conectar conhecimento científico, tecnologia, empreendedorismo e os saberes da Amazônia, conseguimos ampliar o valor agregado dos nossos ativos e gerar novas oportunidades para quem vive e produz no território. Os casos que surgem a partir do Parque de Bioeconomia mostram que é possível transformar biodiversidade em inovação, renda e desenvolvimento sustentável, fortalecendo cadeias produtivas estratégicas para o Pará", reitera Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas).

Mandioca, inovação e identidade amazônica

A valorização dos ingredientes amazônicos também está no centro da atuação da Maniua, startup fundada por Léo Modesto e dedicada ao desenvolvimento de soluções inovadoras a partir da mandioca, um dos alimentos mais representativos da cultura e da economia da Amazônia.

Com uma proposta que une tradição, tecnologia e sustentabilidade, a empresa busca ampliar as possibilidades de aproveitamento da mandioca e de seus derivados, transformando conhecimentos ancestrais em produtos alinhados às demandas de novos mercados. O trabalho fortalece a cadeia produtiva local e demonstra como ativos tradicionalmente presentes no cotidiano amazônico podem gerar novas oportunidades econômicas quando associados à inovação.

No Parque de Bioeconomia, a startup encontrou um ambiente favorável para acelerar pesquisas, testar processos produtivos e aprimorar o desenvolvimento de seus produtos. O acesso à infraestrutura tecnológica e à rede de conexões do espaço contribuiu para transformar ideias em soluções com potencial de escala, ampliando a competitividade do empreendimento.

Mais do que desenvolver novos produtos, a iniciativa reforça o potencial da bioeconomia para agregar valor a recursos amplamente presentes no território amazônico, promovendo geração de renda, fortalecimento de cadeias produtivas e valorização dos conhecimentos tradicionais associados à mandioca.

Léo Modesto, fundador da Maniua, destaca que a estrutura e o ambiente colaborativo do Parque de Bioeconomia foram fundamentais para impulsionar o desenvolvimento das soluções criadas pela startup.

"O Parque de Bioeconomia foi o ambiente onde o conhecimento que já vinha das comunidades tradicionais encontrou tecnologia e processo. Antes, tínhamos o saber, mas faltava a estrutura necessária para transformar esse conhecimento em produtos padronizados e prontos para o mercado. O acesso ao parque nos permitiu desenvolver matérias-primas, testar soluções e avançar em parcerias que dificilmente aconteceriam sem esse suporte técnico", detalha.

Segundo o empreendedor, o impacto da estrutura vai além do desenvolvimento de produtos e alcança toda a cadeia produtiva.

"Ter acesso a uma infraestrutura como essa muda a escala do negócio. Deixamos de pensar apenas na produção local para enxergar toda a cadeia produtiva. É uma estrutura que ajuda a transformar conhecimento tradicional em renda, fortalece comunidades e cria condições para que iniciativas da Amazônia alcancem novos mercados".

Dos sabores tradicionais aos mercados nacionais

Fundada em 2014, a Manioca nasceu com a missão de levar ao mundo os sabores da Amazônia. A empresa dá continuidade ao trabalho iniciado ainda em 1972 pelo chef Paulo Martins e sua mãe, Anna Maria Martins, fundadores do tradicional restaurante Lá em Casa, em Belém, referência na valorização da gastronomia amazônica.

A partir desse legado, a startup desenvolve alimentos que traduzem a riqueza dos ingredientes amazônicos em produtos acessíveis para o dia a dia do consumidor, sempre aliando tradição, inovação e sustentabilidade. O trabalho também fortalece pequenos produtores e comunidades fornecedoras de matérias-primas, reconhecendo esses atores como essenciais para a conservação da floresta e para a manutenção dos saberes tradicionais.

Foi no Parque de Bioeconomia que a empresa encontrou a estrutura necessária para ampliar seu processo de inovação e desenvolver novas soluções voltadas à valorização dos ingredientes amazônicos.

A partir desse ambiente, a startup avançou em produtos como o tucupi liofilizado, que preserva as características do tradicional caldo amazônico, ao mesmo tempo em que facilita seu armazenamento e transporte - além de uma linha especial de temperos, produzidos a partir de matérias-primas regionais.

As soluções ampliam as possibilidades de comercialização dos ingredientes amazônicos, agregam valor aos produtos e ajudam a inserir sabores tradicionais da região em novos mercados, sem perder sua identidade e origem. Ao transformar ingredientes amplamente consumidos na Amazônia em produtos inovadores e escaláveis, a Manioca demonstra como tradição e tecnologia podem caminhar juntas para ampliar a presença da gastronomia amazônica em diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Joanna Martins, fundadora da Manioca, destaca que a infraestrutura e o ambiente de inovação do Parque de Bioeconomia contribuíram para transformar conhecimento e tradição em novos produtos.

"A estrutura do Laboratório Fábrica é um sonho para qualquer empreendedor da área de alimentos e bebidas. Ter acesso a tecnologias que normalmente seriam inacessíveis para empresas em estágio inicial ou mesmo em crescimento permite testar soluções, aprender novos processos e desenvolver produtos melhores e mais eficientes sem a necessidade de realizar investimentos muito elevados", resume.

A empresária ressalta ainda que o ambiente tem contribuído tanto para aprimorar produtos já existentes quanto para o desenvolvimento de novas soluções.

"Existem tecnologias que já conhecíamos, mas às quais nunca tivemos acesso, e outras que descobrimos dentro do próprio laboratório. Esse ambiente cria oportunidades para melhorar produtos, reduzir custos, otimizar processos e desenvolver novas soluções. É uma estrutura que apoia negócios em diferentes estágios de maturidade e amplia significativamente o potencial de inovação das empresas amazônicas", resume Joanna Martins.

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