Futebol Clube do Porto - Futebol SAD

10/03/2026 | Press release | Distributed by Public on 10/03/2026 14:02

“O vosso esforço obriga-nos a servir melhor os sócios, a ouvir as Casas e a gerir o Clube com rigor”

"Abrir uma Casa do FC Porto exige entusiasmo. Mantê-la durante um quarto de século exige dedicação, persistência e muita vontade" e foi com "uma grande alegria" que André Villas-Boas marcou presença no 25.º aniversário da Casa FC Porto de Chaves - a terra natal de Pavão, um Homem que "partiu demasiado cedo" e "não chegou a viver os grandes ciclos de conquistas do Clube, mas ajudou a preparar esse caminho com o seu talento, com a sua inteligência e com a sua entrega".

Porque "as Casas não existem apenas para os dias de festa" e porque "o seu valor também se vê quando o FC Porto perde, quando é preciso juntar os amigos, discutir o que correu mal e voltar a apoiar no jogo seguinte", o presidente lembrou que "ser Portista não obriga ninguém a concordar com tudo" mas sim a "querer sempre o melhor para o Clube e a não o abandonar quando mais precisa".

"O vosso esforço obriga-nos a servir melhor os Sócios, a ouvir as Casas e a gerir o Clube com rigor, para que a ambição de ganhar não comprometa o futuro. Não vos devemos apenas palavras de agradecimento nos aniversários. Devemos-vos trabalho, proximidade e respeito durante todo o ano", acrescentou o dirigente ciente de que "o próximo campeonato não se ganha com a recordação do anterior": "Farioli e os jogadores precisam de sentir esta união ao longo de toda a época, sobretudo quando surgirem dificuldades".

Longe da vista, perto do coração
"É uma grande alegria estar convosco para celebrar os 25 anos desta Casa. O primeiro reconhecimento é para os fundadores, para as sucessivas direções e para todos aqueles que deram o seu tempo, o seu trabalho e, muitas vezes, o seu dinheiro para a manter viva. Abrir uma Casa do FC Porto exige entusiasmo. Mantê-la durante um quarto de século exige dedicação, persistência e muita vontade. Às famílias que acompanharam esse esforço, fica também o nosso agradecimento profundo. Não venho a Chaves visitar um FC Porto distante. Venho encontrar uma parte do nosso FC Porto. Há pouco falámos que antes demoravam oito horas para chegar ao antigo Estádio das Antas, um esforço muito grande de muitas famílias aqui presentes."

Em boa companhia
"Vim acompanhado por glórias do FC Porto como o João Pinto, o Frasco e o Rui Barros. Achei que, para celebrar 25 anos, convinha trazer aqueles que deram a pele pelo FC Porto. O problema é que, se começarem a contar todas, o jantar transforma-se em pequeno-almoço. E o João Pinto, que tem mutas histórias para contar, também foi treinador do GD Chaves. A ligação entre Chaves e o FC Porto, porém, começou muito antes desta Casa. E há um nome que não podia deixar de recordar hoje: Fernando Pascoal Neves, o nosso Pavão. Nasceu em Chaves, passou pela formação do Desportivo de Chaves e chegou ao FC Porto para se tornar um dos grandes símbolos da nossa História. Fez 229 jogos, marcou 25 golos e conquistou a Taça de Portugal de 1968, numa época em que ganhar era particularmente difícil."

O saudoso Pavão
"Pavão partiu demasiado cedo, aos 26 anos. Não chegou a viver os grandes ciclos de conquistas que se seguiram, mas ajudou a preparar esse caminho com o seu talento, com a sua inteligência e com a sua entrega. A memória de um Clube não se faz apenas com aqueles que levantaram mais troféus. Faz-se também com quem o segurou nos tempos difíceis e nunca deixou de acreditar. Chaves deu-nos um desses homens, e o FC Porto nunca o esqueceu."

Memórias de Chaves
"Há outras ligações que merecem ser lembradas. Foi também em Chaves que Jesualdo Ferreira deu os primeiros passos como jogador e partilhou equipa e amizade com Pavão, muito antes de se tornar o treinador que nos deu três campeonatos consecutivos. E, numa geração mais recente, Stephen Eustáquio passou pelo Desportivo de Chaves antes de chegar ao nosso Clube. São percursos diferentes que mostram como esta terra também faz parte da construção do FC Porto. E há vitórias conquistadas aqui que pertencem à história dos nossos títulos. Porque um campeonato não se ganha apenas na tarde em que se levanta a taça. Ganha-se ao longo de muitos meses, em campos exigentes, onde é preciso saber competir. A 30 de outubro de 1994, vencemos em Chaves por 4-0. O Rui Barros abriu o marcador, o Folha marcou o segundo e o Zé Carlos fechou o resultado com dois golos. Era a equipa mágica de Sir Bobby Robson e estávamos no caminho para o primeiro campeonato do nosso histórico penta. Portanto, Rui, a tua presença hoje está mais do que justificada: já tinhas deixado aqui serviço feito. Em fevereiro de 2018, voltámos a vencer aqui por 4-0, com dois golos de Soares e os restantes de Marega e Sérgio Oliveira. Recuperámos a liderança isolada e demos mais um passo na caminhada da equipa de Sérgio Conceição para o regresso ao título nacional. Não fomos campeões nesse dia, mas foi também com vitórias como essa que construímos a conquista."

O Desportivo de Chaves
"Recordamos estes resultados com orgulho e com respeito pelo Desportivo de Chaves. Quem conhece o futebol sabe que um resultado largo não torna automaticamente fácil o jogo que o produziu. Nesta terra sempre foi muito difícil ganhar. E ninguém representa bem o FC Porto se entrar em campo a pensar que o nome da camisola chega para vencer. Essa é uma lição que serve para todos os tempos e para todos os adversários."

Glória internacional
"Esta Casa atravessou, nos seus 25 anos, algumas das maiores alegrias da nossa História. A Taça UEFA de 2003, a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental de 2004, a Liga Europa de 2011. Cada um de vocês saberá onde estava nesses dias, com quem viu os jogos e quem abraçou no fim. Em 2011, tive a felicidade de viver uma dessas conquistas como treinador e muitos de vocês ter-se-ão abraçado e celebrado mais uma vitória do FC Porto. As Casas não existem apenas para os dias de festa. O seu valor também se vê quando perdemos, quando é preciso juntar os amigos, discutir o que correu mal e voltar a apoiar no jogo seguinte. Ser Portista não obriga ninguém a concordar com tudo. Obriga-nos, isso sim, a querer sempre o melhor para o Clube e a não o abandonar quando mais precisa de nós."

Dragões de Trás-os-Montes
"Quero também reconhecer o esforço de quem acompanha o FC Porto a partir de Chaves e de toda esta região. Para vocês, ir ao Dragão nunca é apenas reservar 90 minutos. Há a viagem, as despesas, o regresso a horas tardias e, muitas vezes, o trabalho na manhã seguinte. Há famílias que fazem contas para comprar um bilhete ou manter o Lugar Anual. A Direção do FC Porto não é indiferente a esse esforço. O vosso esforço obriga-nos a servir melhor os Sócios, a ouvir as Casas e a gerir o Clube com rigor, para que a ambição de ganhar não comprometa o futuro. Não vos devemos apenas palavras de agradecimento nos aniversários. Devemos-vos trabalho, proximidade e respeito durante todo o ano. E quem, por qualquer dificuldade, não consegue estar no estádio continua a pertencer a esta família com a mesma importância."

Presidente e Capitão
"Numa noite de portistas, recordamos também Jorge Nuno Pinto da Costa e Jorge Costa. Um levou o Clube a uma dimensão que nos orgulha, o outro personificou como poucos a coragem e a exigência de o representar. A memória dos dois acompanha-nos e lembra-nos a responsabilidade de continuar o caminho, sem confundir homenagem com imobilismo. Honrar o que nos deixaram é cuidar do FC Porto e continuar a fazê-lo crescer. É com essa responsabilidade que olhamos para o presente. Queremos ser novamente Campeões, mas sabemos que o próximo campeonato não se ganha com a recordação do anterior. Farioli e os jogadores precisam de sentir esta união ao longo de toda a época, sobretudo quando surgirem dificuldades. A exigência começa no nosso trabalho, na preparação de cada jogo e na capacidade de corrigir o que não está bem. O apoio dos portistas tem de acompanhar esse esforço, porque os títulos não se ganham com confiança excessiva nem com festas antecipadas."

ADN FC Porto
"Aqui em Chaves, tenho a certeza de que não precisamos de explicar a ninguém o significado de persistência. É essa força que queremos levar connosco: a de quem não se deixa abater por um resultado, não se distrai com o ruído e continua presente quando é preciso responder. Defenderemos sempre o FC Porto com firmeza, mas a nossa melhor resposta continuará a ser dada em campo."

Um desafio
"Deixo-vos, por fim, um desafio para os próximos anos: continuem a fazer crescer esta Casa e tragam novas gerações para dentro dela. Que os filhos e os netos encontrem aqui o mesmo entusiasmo, mas também espaço para participar, propor e ajudar. Que esta seja uma Casa onde se vê o jogo, onde se criam amizades e onde se dá atenção a quem precisa. Os próximos 25 anos começam com aquilo que fizermos agora. E não precisamos de esperar pelas Bodas de Ouro para voltar a reunir-nos. Continuem a convidar-nos. De preferência, para celebrar campeonatos, porque essa é uma agenda para a qual vale sempre a pena encontrar disponibilidade. A todos os que construíram esta Casa, aos que hoje a dirigem e aos que lhe dão vida, muitos parabéns. Que não vos faltem saúde, união e razões para festejar. Chaves faz parte da nossa História e continuará a fazer parte do nosso futuro. Viva a Casa do FC Porto de Chaves! Viva o Futebol Clube do Porto!"
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