03/13/2026 | Press release | Distributed by Public on 03/13/2026 13:22
Ascom Funceme - texto e fotos
Imagem de satélite indicando tanques de pescados
A área ocupada por empreendimentos de aquicultura, que é a criação ou cultivo de organismos aquáticos, como peixes, camarões, ostras e algas, em ambientes controlados, no Ceará continua em expansão. Em 2025, o estado contabilizou 16.233 hectares destinados à atividade, segundo estudo de mapeamento realizado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O número representa crescimento em relação aos anos anteriores e confirma a consolidação do setor no território cearense.
O avanço tem sido gradual nos últimos anos. Em 2023 foram mapeados 14.603 hectares, número que subiu para 15.288 hectares em 2024, até alcançar o patamar atual. A tendência de crescimento reforça a importância do monitoramento contínuo da atividade para subsidiar políticas públicas e orientar o desenvolvimento sustentável da aquicultura no estado.
O levantamento identificou 72 municípios cearenses com áreas ocupadas por aquicultura, concentrados principalmente na região costeira e no centro-leste do estado.
Entre os municípios, Jaguaruana e Aracati lideram a atividade, concentrando juntos quase 33% de toda a área aquícola do Ceará. Jaguaruana aparece em primeiro lugar em 2025, com 2.631 hectares, seguido por Aracati, com 2.591 hectares. Em seguida aparecem Acaraú, com 1.638 hectares, e Beberibe, com 1.115 hectares destinados à atividade.
A análise histórica também mostra mudanças na liderança municipal. Em 2023 e 2024, Aracati ocupava a primeira posição em área aquícola, mas em 2025 Jaguaruana ultrapassou o município e assumiu o posto de maior produtor em área.
O estudo também aponta crescimento em outros polos importantes da atividade. Acaraú, Beberibe e Limoeiro do Norte apresentaram expansão contínua das áreas de cultivo entre 2023 e 2025, reforçando a tendência de fortalecimento da aquicultura em diferentes regiões do estado.
Do ponto de vista hidrográfico, a maior concentração de empreendimentos está na Bacia do Baixo Jaguaribe, que reúne 7.487 hectares de áreas aquícolas, cerca de 46% de toda a área mapeada no Ceará. As bacias do Coreaú e Metropolitana também apresentam participação significativa, com aproximadamente 1.800 hectares cada, o equivalente a cerca de 12% das áreas identificadas.
Das 12 bacias hidrográficas do estado, apenas a Bacia da Serra da Ibiapaba não apresentou registros de áreas destinadas à aquicultura.
O estudo utilizou imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento para identificar e delimitar as áreas ocupadas por tanques de aquicultura em todo o território cearense.
Foram analisadas imagens dos satélites Sentinel-2, além de bases de alta resolução disponíveis em plataformas como Google Earth Pro e World Imagery. A partir dessas imagens, os pesquisadores realizaram a interpretação visual e a vetorização das áreas aquícolas, construindo uma base de dados geográfica detalhada no software QGIS.
Posteriormente, os dados passaram por processos de padronização e validação, garantindo maior consistência e precisão nas informações geradas.
O acompanhamento sistemático é fundamental para compreender a expansão da atividade no Ceará, especialmente em áreas onde tanques de aquicultura vêm substituindo antigas áreas de agricultura irrigada. O monitoramento permite avaliar tendências e orientar estratégias de planejamento e desenvolvimento sustentável do setor.