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04/08/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/08/2026 13:54

Estudo financiado pelo Funcacau comprova alto potencial dos SAFs no sequestro de carbono

SUSTENTABILIDADE

Estudo financiado pelo Funcacau comprova alto potencial dos SAFs no sequestro de carbono

Mensuração do carbono em áreas já alteradas pela ação humana, a partir da restauração florestal, de autoria da Ceplac e Ufra, foi apresentado na sede da Sedap

Por Rose Barbosa (SEDAP)
08/04/2026 16h00

Estudo inédito realizado pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) confirma o alto potencial dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) de cacau no sequestro de carbono, o que é benéfico ao produtor, que poderá contar com renda extra decorrente da venda de créditos de carbono.

Os resultados do trabalho das duas instituições foram apresentados nesta quarta-feira (8), na sede da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), em Belém, que coordena os recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau), cujos recursos financiaram a iniciativa.

Cacau da Transamazônica: alto potencial de captura de carbono com os Sistemas Agroflorestais

Os pesquisadores já comprovaram que a quantidade de carbono sequestrado no sistema agroflorestal das áreas de cacau da região de influência da Rodovia Transamazônica (BR-230), com 32 anos ou mais, chegou a 51 toneladas por hectare. Às proximidades de Belém, precisamente no município de Marituba - onde está localizada a Estação Experimental José Haroldo (Erjoh) da Ceplac, a qual tem 200 hectares de floresta e concentra o estudo -, a quantidade ficou em 14 toneladas por hectare, considerando somente o cacau, sem avaliar as demais espécies. Na Transamazônica, a pesquisa foi realizada no município de Medicilândia, maior produtor do fruto no Pará.

O trabalho objetivou encontrar as equações alométricas - ferramentas que estabelecem a forma de calcular carbono em determinada vegetação ou sistema. O estudo calculou também a quantidade de carbono na vegetação secundária (chamada de capoeira), muito comum no Nordeste paraense. A iniciativa incluiu, de forma inédita, a equação para cacaueiros clonados.

Engenheiro agrônomo da Ceplac, Fernando Mendes, detalhou os impactos do estudo e as etapas realizadas

Geração de renda - Os resultados oferecem aos produtores uma forma de negociar o carbono existente em suas plantações, abrindo a possibilidade de acréscimo na renda, informou o engenheiro agrônomo da Ceplac, Fernando Mendes, que apresentou o estudo denominado "A mensuração do carbono em áreas antropizadas (já alteradas pela ação do homem) a partir da restauração florestal e utilização de cacaueiros em sistemas agroflorestais".

A pesquisa começou em 2025, após aprovação pelo Conselho Gestor do Funcacau, e encerrada no início de abril. "Foi um ano e quatro meses. Houve muito trabalho de campo. Foi uma associação feita entre a Ceplac e a Ufra, na pessoa do professor João Neto", disse Fernando Mendes.

O importante para a captura de carbono é a eficiência da planta em transformar o elemento capturado em biomassa - em tronco, folhas ou frutos, e assim sucessivamente, explicou o engenheiro agrônomo. "É um complexo biológico, que faz com que essa quantidade de carbono seja maior ou menor, ou seja, a altura e densidade da planta e outros apetrechos que estão em volta no sistema", acrescentou.

Serviços ambientais - Segundo Fernando Mendes, se o produtor se organizar pode se beneficiar desse estudo, ao oferecer uma área relevante para que as empresas que precisam reduzir seus problemas ambientais possam comprar o carbono. "O produtor se beneficia com o pagamento de serviços ambientais. Precisa fazer a sua propaganda porque os elementos técnicos e científicos para que isso seja negociado já existem".

Titular da Sedap, Giovanni Queiroz ressaltou oa benefícios aos produtores de cacau

O secretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, que acompanhou a apresentação, disse que a Sedap e os representantes do segmento cacaueiro aguardavam por um trabalho como o realizado pela Ceplac e Ufra, que comprovou cientificamente o volume de carbono a ser sequestrado em lavouras de cacau com 32 anos de existência. "Isso é formidável porque habilita o produtor de cacau a negociar o carbono por ele sequestrado através da sua lavoura, e colocar à disposição do mercado. Isso é uma renda extra que será gerada ao produtor", reforçou o titular o gestor.

A apresentação do trabalho contou ainda com representantes de órgãos estaduais do segmento agropecuário, como a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), e de instituições acadêmicas.

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