Ecoam por toda a Europa reações
à vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) na Saxónia-Anhalt,
nas eleições de domingo. O partido, liderado por Alice Weidel e Tino Chrupalla, ficou aquém da maioria absoluta, mas está à beira de formar o primeiro governo estadual de extrema-direita na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
A AfD venceu com 43,8% dos votos e elegeu 39 deputados, contra 17,2% e 15 deputados da CDU, que governa o estado desde 2002. É quase metade dos votos que o partido que lidera o Governo federal tinha obtido na região em 2021.O chanceler Friedrich Merz reiterou, esta segunda-feira, a recusa de trabalhar com a AfD, admitindo que a derrota abalou a CDU "até aos alicerces". Em conferência de imprensa em Berlim, defendeu que nem o partido, nem ele próprio, nem o Governo federal podem continuar como se nada tivesse acontecido, mas prometeu manter as reformas económicas, que se têm revelado bastante impopulares.Apesar de a AfD ter exigido eleições antecipadas, prometendo remover Merz do cargo "até ao Natal", é pouco provável que a coligação de governo - que inclui o partido irmão da CDU, a CSU, e os sociais-democratas do SPD - ceda antes das eleições legislativas previstas para o início de 2029, refere o analista da Berenberg, Holger Schmieding.Schmieding assinala que o "afastamento das reformas" - que incluem cortes no sistema de pensões, alterações no sistema fiscal e de saúde e aumnto da despesa em defesa e infraestruturas, seria uma alternativa "ainda pior".Contudo, Christoph Ahlhaus, que lidera a associação de PME que representa as chamadas empresas "mittelstand", a espinha dorsal da economia alemã, manifestou as suas preocupações numa entrevista à Bloomberg, questionando em particular a sensatez da promessa da AfD de conter a imigração. Mas também alertou que a vitória da AfD no estado do leste alemão é "um sinal claro para toda a gente em Berlim e para o chanceler Merz", disse. "A frustração é muito, muito elevada".Com as eleições presidenciais a aproximarem-se em França, o ministro da Economia e das Finanças, Roland Lescure, descreveu o resultado como "um sinal muito preocupante" e o ministro dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, falou num "momento muito grave para a Europa", defendendo que "o nacionalismo e a xenofobia nunca serão a resposta", numa publicação no X.
Contudo, a poucos meses das eleições presidenciais, é a candidata de extrema-direita Marine Le Pen que lidera as sondagens.O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, foi mais duro nas críticas. Escreveu no X que
"só idiotas ou traidores podem alegrar-se com o triunfo do AfD", citando membros dos partidos Konfederacja e PiS. Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse que "a ameaça da extrema-direita está a ganhar terreno na Europa e no mundo".Do outro lado do espetro, a extrema-direita europeia celebrou. Em Portugal, André Ventura, do Chega, felicitou a AfD por uma "vitória histórica". "Também os alemães estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, a corrupção e a captura da nossa liberdade e identidade. Parabéns", escreveu no X.Em Espanha, Santiago Abascal (Vox) falou numa "grande esperança para a Alemanha e para a Europa" e, em Itália, Matteo Salvini escreveu:
"Medo? Terror? Perigo? Não, chama-se democracia. Uma outra Europa é possível". Agora, a AfD procura um parceiro de coligação para governar o estado. A CDU já excluiu essa hipótese, tal como a maioria dos restantes partidos. A Aliança Sahra Wagenknecht, de esquerda anti-imigração e pró-Vladimir Putin, tem os cinco lugares que bastariam para viabilizar um governo liderado pela AfD.